A criança com autismo na brinquedoteca: percursos de interação e linguagem

Ivone Martins Oliveira, Sonia Lopes Victor

Resumo


Este artigo tem como objetivo apresentar os resultados de análises de um estudo de caso sobre modos de interação estabelecidos entre uma criança com autismo e os adultos em uma brinquedoteca. Apoia-se nos estudos de Lev Semenovitch Vigotski e Mikhail Bakhtin, que abordam o papel da linguagem na constituição da consciência e enfocam os processos de significação que subjazem aos processos interativos. Os dados foram registrados por meio de filmagem, gravação em áudio e anotações em diário de campo em uma brinquedoteca universitária, que atendia crianças com e sem deficiência, contando para isso com a participação de graduandos do curso de Educação Física, docentes da universidade e uma psicóloga. As análises foram desenvolvidas de forma a compreender os processos interativos estabelecidos entre um menino com autismo de dois anos e oito meses, que não apresenta uma linguagem articulada, e dois adultos. As análises indicaram que a criança interage com adultos, utilizando recursos não verbais, os quais são significados por eles, o que permite manter a interação e enriquecer as possibilidades de interlocução. O estudo conclui que, mesmo não tendo uma fala articulada, essa criança se constitui como um sujeito em condições de se posicionar de forma ativa e responsiva nos processos interativos estabelecidos com os adultos. Nesse processo, o papel do adulto é fundamental de forma a criar condições favoráveis à participação da criança no jogo dialógico.

Palavras-chave


Autismo; Interação; Linguagem.

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