Revista Educação Especial https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial <p style="text-align: justify;">A Revista <strong>Educação Especial</strong> tem como finalidade veicular somente artigos inéditos na área de Educação Especial, provenientes de pesquisas e práticas articuladas no campo. A Revista é organizada em sessões de <strong>Dossiê</strong>, <strong>Publicação Contínua</strong>, sendo que os primeiros textos de publicação contínua, volume único anual, atendem à demanda do fluxo contínuo e é organizado na forma de Dossiê Temático. A revista tem o <strong>Português (Brasil)</strong> como idioma principal, mas os textos podem também ser escritos em <strong>inglês</strong>, <strong>espanhol</strong> e <strong>francês</strong>.</p> Universidade Federal de Santa Maria pt-BR Revista Educação Especial 1984-686X <p><strong>DECLARAÇÃO DE ORIGINALIDADE E DIREITOS AUTORAIS</strong></p><p> </p><p>Declaramos o artigo a ser submetido para avaliação na Revista Educação Especial (UFSM) é original e inédito, assim como não foi enviado para qualquer outra publicação, como um todo ou uma fração.</p><p>Também reconhecemos que a submissão dos originais à Revista Educação Especial (UFSM) implica na transferência de direitos autorais para publicação digital na revista. Em caso de incumprimento, o infrator receberá sanções e penalidades previstas pela Lei Brasileira de Proteção de Direitos Autorais (n. 9610, de 19/02/98).</p><p><a href="https://docs.google.com/document/d/1YRcFnmMpjVKZ08kNIwxfhyDRrG4BEnWBJOdnUO2PgOM/edit?usp=sharing"> Link para a declaração.</a></p><p style="color: #000000; font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: auto; text-align: start; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: auto; word-spacing: 0px;"> </p><p style="color: #000000; font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: auto; text-align: start; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: auto; word-spacing: 0px;"><a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/"><img style="border-width: 0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc/3.0/88x31.png" alt="Creative Commons License" /></a><br />This work is licensed under a <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/">Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0)</a></p> Alunos com deficiência intelectual e aprendizagem significativa: uma sequência didática sobre o tema - coronavírus https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/61983 <p class="CorpodoResumo"><span>O presente artigo vai relatar o planejamento, desenvolvimento e aplicação de uma sequência didática no formato de Unidade compartilhada de Ensino Potencialmente Significativa (UcEPS), uma variação da Unidade de Ensino Potencialmente Significativa (UEPS), sobre o tema Coronavírus. Esta alternativa diferenciada justifica-se pelo fato de tratar-se de um trabalho interdisciplinar, ou seja, o compartilhamento refere-se a abordagem do tema por mais de uma disciplina. A metodologia utilizada foi de cunho qualitativo. Os alunos que participaram deste trabalho frequentam a Escola Estadual na modalidade de Educação Especial Emílio Mudrey, na cidade de Turvo, no interior do estado do Paraná, são dezoito alunos de turmas daEJA (Educação de Jovens e Adultos). O objetivo principal foi verificar a pertinência da utilização desse tipo de sequência didática que, intrinsecamente oportuniza a aprendizagem significativa através dos oito passos nela previstos e, se foi possível verificar indícios dessa aprendizagem nos alunos. O texto é enriquecido com a fundamentação teórica necessária para subsidiá-lo, dessa forma serão tratados assuntos como deficiência intelectual, sequência didática e aprendizagem significativa. Observou-se no findar da aplicação da UcEPS que a mesma produziu bons resultados e, que evidências de aprendizagem significativa puderam ser percebidos, podendo assim afirmar que este tipo de sequência tem potencial para ser considerada uma alternativa proveitosa para o ensino de alunos com deficiência intelectual.</span></p> Cristiane Hammel Sandro Aparecido dos Santos Ricardo Yoshimitsu Miyahara Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-01-20 2021-01-20 e1/1 17 10.5902/1984686X61983 Adaptação curricular no Ensino de Ciências: reflexões de professores de escolas inclusivas https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/63190 <p class="CorpodoResumo">Nos últimos anos tem sido observado um crescente aumento no número de matrículas de estudantes com deficiência, principalmente nas escolas públicas regulares de todo o Brasil. Esses alunos têm seus direitos assegurados por lei, devendo ter acesso à escola com uma educação de qualidade juntamente com seus colegas. Sustentada neste entendimento, o presente artigo é um recorte da dissertação de mestrado desenvolvida ao Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Universidade Luterana do Brasil, que objetivou refletir sobre a adaptação curricular no ensino de Ciências, na perspectiva da educação inclusiva. A pesquisa, de natureza qualitativa, teve como proposta um curso a professores que ensinam Ciências no município de Gravataí-RS e os dados, que emergiram da interação dos participantes ao longo do curso, foram analisados inspirados nas premissas da análise descritiva interpretativa. A pesquisa aponta indícios de que dentro da proposta de uma escola inclusiva, a adaptação curricular é uma estratégia importante para que os estudantes tenham acesso aos conhecimentos científicos. Entretanto, os professores necessitam aprofundar discussões sobre a temática para realizar ajustes nos conteúdos do currículo.</p> Mônica Silveira Bereta Marlise Geller Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-03-23 2021-03-23 e9/1 22 10.5902/1984686X63190 Projeto Pedagógico do curso de Letras Libras: o bilinguismo em questão https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/55379 <p class="CorpodoResumo">A formação bilíngue das pessoas surdas tem ocasionado tensões, uma vez que a prática do ensino de línguas de modalidades distintas demanda não apenas estratégias de técnicas formais para apropriação de códigos linguísticos, mas principalmente reflexões sobre um currículo culturalmente situado. A partir dessa premissa, desenvolvemos uma pesquisa em um curso (Letras Libras) que tem como alvo as pessoas surdas. Para tanto, usamos as lentes epistemológicas dos Estudos Culturais e dos Estudos Surdos, por considerarmos que as mesmas permitem maiores incursões no fenômeno educacional que envolve as pessoas surdas. A partir da questão de pesquisa “de que forma o curso de Letras Libras aborda os aspectos que envolvem os princípios bilíngues em seu PP (Projeto Pedagógico)?”, buscamos, por meio de uma pesquisa documental, com foco no PP do curso de Letras Libras, atingir o seguinte objetivo: identificar aspectos dissonantes com relação aos princípios bilíngues no PP do curso de licenciatura em Letras Libras. Os resultados mostraram que há fragilidade quanto a esses princípios no documento analisado (PP), sobretudo acerca de como se dariam alguns procedimentos metodológicos quando o processo ocorresse por meio do uso da Libras.</p> Ritha Cordeiro de Sousa e Lima Ana Dorziat Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-03-23 2021-03-23 e12/1 24 10.5902/1984686X55379 A família, como vai? Percepção de pais e mães do Programa de Atenção ao Estudante Precoce com Comportamento Superdotado https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/61982 <p><span>Os estudantes com comportamento superdotado apresentam características que os diferenciam daqueles com desenvolvimento típico. Sabendo-se que o ambiente familiar pode contribuir de maneira significativa para o desenvolvimento da Superdotação, destaca-se a necessidade de oferecer suporte especializado não apenas aos indivíduos com comportamento superdotado, mas também às suas famílias. O objetivo desta pesquisa consistiu em analisar a percepção dos pais e mães participantes do Programa de Atenção ao Estudante Precoce com Comportamento Superdotado (PAPCS), em relação aos seus filhos. Foram entrevistados 12 pais e mães de estudantes com comportamento superdotado participantes do programa. A transcrição das falas foi realizada conforme pressupostos de Marcuschi (1986) e, posteriormente, subdivididas em quatro categorias de análise delineadas de acordo com a análise de conteúdo de Bardin (2016). Foram essas: “Nível prático”, “Nível sociofamiliar”, “Nível psicológico” e “Concepção de Superdotação”. Os dados da pesquisa indicaram que a maioria dos pais dos estudantes com comportamento superdotado manifestava sentimentos positivos como orgulho, afinidade e identificação, demonstrando aproximação, proteção e suporte. Os pais afirmaram que esses estudantes se relacionavam de maneira positiva, no ambiente familiar; mas, a maior parte deles considerava os filhos teimosos e difíceis de manejar, gerando sentimentos que podem parecer contraditórios. Os participantes revelaram muitas inseguranças e dúvidas quanto à própria capacidade e ao futuro em sociedade. Constatou-se que muitos pais tinham suas relações com o filho prejudicadas antes de obter informações sobre a temática, pois consideravam os comportamentos da criança como falta de educação, prepotência e até maldade, castigando-as, muitas vezes, por características que representavam indicadores de Superdotação, como curiosidade ou sensibilidade. Indica-se a necessidade de novas pesquisas que deem voz aos familiares, acolhendo suas angústias e expectativas.</span></p> Clarissa Maria Marques Ogeda Ketilin Mayra Pedro Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-05-27 2021-05-27 e22/1 25 10.5902/1984686X61982 Preparação e atuação dos professores do ensino primário face aos desafios da atenção à diversidade no contexto da sala de aula no Município do Soyo https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/63446 Esta pesquisa procura compreender o estado atual da preparação de professores do ensino primário no que diz respeito à diversidade em salas de aula no Município do Soyo, província do Zaire, Angola. Foi realizada a partir de um paradigma qualitativo, uma abordagem fenomenológica baseada em um estudo de elcance exploratório. A pesquisa procura responder à seguinte questão: Qual é o estado atual de preparação que os professores do ensino básico apresentam em relação à atenção à diversidade em sala de aula no Município do Soyo, província do Zaire, Angola? Foi utilizada uma amostra não probabilística de critérios intencionais, onde foram selecionados 12 professores de três escolas, sendo 6 com formação inicial de professores e 6 sem formação inicial. Para a coleta de informações, foram utilizadas duas técnicas: a entrevista semiestruturada para professores com formação inicial e o grupo focal para professores sem formação inicial. Foi aplicada a técnica de análise de conteúdos ao processo de análise de resultados.Os resultados da pesquisa mostram fragilidades no conhecimento e na gestão da diversidade em sala de aula e diferenças substanciais entre os professores com formação inicial e sem formação inicial analisados a partir das categorias de análise a priori e emergente. António António Caroll Alejandra Schilling Lara Osvaldo Hernández González Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-05-27 2021-05-27 e24/1 22 10.5902/1984686X63446 A filantropia como gênese da Educação Especial https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/42685 <p class="CorpodoResumo">O objetivo deste estudo é discutir a filantropia como a gênese da Educação Especial a partir das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes). As Apaes, como instituições para o atendimento das pessoas com deficiência, foram se popularizando e se disseminaram, constituindo, gradativamente, um sistema de Educação Especial, com a existência de mais de duas mil unidades espalhadas em todo o país, com federações estaduais e uma federação nacional. Como campo empírico, elegeu-se a revista <em>Mensagem da Apae</em> no período de 1974 a 2016, totalizando 105 edições. Para analisar o conteúdo das revistas, buscaram-se as contribuições de Gramsci (2001; 2014), delimitando categorias de análise, como Estado Integral e hegemonia. A partir das análises, dividiu-se o período histórico em três momentos ligados à filantropia: filantropia tradicional, profissionalização da filantropia e a nova filantropia e o “terceiro setor”. Concluiu-se que a filantropia acompanha a Educação Especial desde os seus primórdios, embora tenha sofrido modificações ao longo do tempo, e que a marca da deficiência é que define a ajuda aos desvalidos, a caridade e a benemerência. O atendimento às pessoas com diagnóstico de deficiência intelectual e múltipla em instituições privadas filantrópicas, especialmente nas Apaes, deu-se com o aval do Estado.</p> Márcia de Souza Lehmkuhl Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-07-27 2021-07-27 e33/1 15 10.5902/1984686X42685 Educação Superior, deficiência e trabalho nas pesquisas de pós-graduação no período de 2008 a 2019 https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/65766 <p>Com a Promulgação da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), a qual destaca o estreitamento entre a Educação Superior e a Educação Especial, evidencia-se o movimento de inclusão que se expandiu não só na educação básica nos últimos anos, mas também alcançando a educação superior, sendo subsidiada por normativas legais. Isto fez com que se tornasse expressivo o número de pessoas com deficiência que reivindicam o direito de ingressar e de permanecer nas universidades. O ingresso na educação superior e a participação da pessoa com deficiência no mundo do trabalho, constituem um campo de complexidades e desafios que compreendem a relação existente entre educação e trabalho. O presente artigo tem por objetivo averiguar as dissertações e teses realizadas no Brasil, após a promulgação da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), relacionando a escolarização da pessoa com deficiência na Educação Superior ao trabalho. Para o levantamento de dados, foi efetuada pesquisa nas bases da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e do Banco Digital de Teses e Dissertações (BDTD). Nas buscas realizadas, foram utilizados os seguintes descritores: educação superior; deficiência; inclusão e trabalho. As pesquisas encontradas apontam a predominância de relatos acerca da fragilidade da educação superior em ofertar conteúdos acadêmicos efetivamente associados ao mercado de trabalho. Verificou-se ainda, que a temática é nova e apresenta literatura escassa, tornando-a, além de relevante nacionalmente, também importante para universidades, professores, pesquisadores da área, agentes de políticas públicas e a sociedade como um todo.</p> Valéria Becher Trentin Tânia Regina Raitz Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-08-31 2021-08-31 e37/1 19 10.5902/1984686X65766 Práticas avaliativas favorecedoras à aprendizagem no contexto da inclusão: a subjetividade em foco https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/63084 <p>Este artigo tem como objetivo evidenciar práticas avaliativas que favorecem a aprendizagem e o desenvolvimento do estudante com deficiência, consideradas a partir da produção subjetiva docente. Este trabalho foi organizado a partir de pesquisa mais ampla que constituiu a dissertação de mestrado da primeira autora do artigo. A pesquisa, ancorada na perspectiva cultural-histórica, teve como base os pressupostos teórico, epistemológico e metodológico da Teoria da Subjetividade de González Rey. A produção da informação foi realizada a partir de pesquisa em escola pública do Distrito Federal, em uma região considerada de periferia, e teve como participante a professora do 1º ano do Ensino Fundamental I, de uma turma em que estava incluído um menino com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista. Realizada em 2019, a pesquisa contribuiu para ressaltar a relevância do processo avaliativo decorrente da concepção de aprendizagem como processo subjetivo que favoreceu o desenvolvimento do estudante com deficiência incluído naquela sala de aula. Evidencia-se, assim, que o processo avaliativo decorrente da concepção subjetiva da aprendizagem possibilita reconhecer e valorizar as peculiaridades do desenvolvimento de cada estudante e, dessa forma, favorece o rompimento com modelos comparativos e padronizados da avaliação tradicional.</p> Bárbara da Silva Ferreira Gonçalves Cristina Massot Madeira-Coelho Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-08-31 2021-08-31 e41/1 17 10.5902/1984686X63084 Tradutores e intérpretes de Língua Brasileira de Sinais: uma perspectiva histórica da profissão https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/40378 <p>A profissão de tradutor e intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) emerge e consolida-se em condições históricas específicas, em especial, no contexto das lutas das comunidades surdas brasileiras voltadas ao reconhecimento cultural e linguístico. Inscrito no campo teórico dos Estudos Culturais, este estudo tem como objetivo discutir como se constituiu a profissão dos tradutores e intérpretes de Língua Brasileira de Sinais – Libras. Recorre-se a estudos sobre a Educação de Surdos, a instituição da língua de sinais e a mediação linguística para entender o contexto a partir do qual a profissionalização foi sendo configurada e respaldada. A metodologia envolveu revisão de estudos e de documentos que regulamentam essa profissão no país, exames de proficiência em tradução/interpretação na Língua Brasileira de Sinais/Língua Portuguesa – PROLIBRAS, realizados entre 2006 e 2015 e, ainda, editais de concursos públicos, produzidos entre 2013 e 2016, para o provimento de cargos em Instituições de Ensino Superior. </p> Daiana San Martins Goulart Iara Tatiana Bonin Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-08-31 2021-08-31 e43/1 21 10.5902/1984686X40378 Concepções acerca do laudo médico no processo de escolarização https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/41866 <p>O presente artigo se propõe a discutir as concepções de profissionais da educação da região do Vale do Rio dos Sinos, no estado do Rio Grande do Sul, sobre o laudo médico, assim como problematizar a exigência desse documento para o atendimento educacional especializado (AEE). Pensar sobre isso se traduz numa forma de colaborar para o entendimento das interações interdisciplinares da saúde e da educação, dos limites e das possibilidades de cada área, assim como dos discursos que contribuem, ou não, na reflexão sobre os processos pedagógicos. Para o estudo, foi realizada a coleta de dados por meio de um questionário semiestruturado aplicado aos profissionais da educação, utilizando-se o <em>Google Forms</em>. O exercício analítico originou três eixos de discussão: (1) Entre teorias e práticas: o laudo, o aluno público-alvo do AEE (PAEE) e o profissional de AEE; (2) O laudo médico como detentor do saber do PAEE; (3) Entre caminhos necessários: a construção conjunta. A discussão evidenciou que o discurso médico/clínico (o laudo) ainda é motivo de restrição ao atendimento educacional especializado e que os educadores percebem a superação dessa lógica considerando a interdisciplinaridade.</p> Gabriela Prado da Fontoura Helena Venites Sardagna Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-08-31 2021-08-31 e44/1 26 10.5902/1984686X41866 Cinderela surda: aspectos políticos-identitários na literatura surda como obras de (re)existência https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/65961 Este artigo pretende mostrar as relações entre os recursos envolvidos na adaptação da obra ‘Cinderela Surda’, situando a escrita de sinais SignWriting e os elementos da cultura e Literatura Surda. Portanto, a partir de um estudo bibliográfico, o objetivo é analisar o livro Cinderela Surda, entendendo-o como parte da Literatura Surda e historicamente situado em um contexto de produção cultural típico de um grupo linguístico minoritário. De acordo com Bakhtin (2017), a literatura não está deslocada da cultura, devemos nos ater não apenas a obra, mas também, buscar compreender seus processos históricos basilares. A Literatura Surda, que começou a se desenvolver nos anos 2000, tem ajudado crianças surdas a se reconhecerem em sua diferença, bem como diminuído os preconceitos e estigmas, popularizando a Libras e favorecendo o reconhecimento e a luta por direitos das comunidades surdas no Brasil. Conforme explica Karnopp (2010), a popularização de obras e demais manifestações artísticas do povo surdo, pode ser uma consequência dos movimentos surdos, organizados em instituições e associações desde os anos 1990. Esses movimentos defenderam as línguas de sinais e a expressão cultural das comunidades surdas no país, culminando na publicação da Lei 10.436 de 2002, como língua de comunicação e instrução para as pessoas surdas. Obras como Cinderela Surda podem auxiliar na disseminação de conhecimentos acerca de aspectos importantes para a comunidade surda como a Libras e a cultura surda, promovendo identificação entre crianças surdas e os personagens principais das histórias, bem como auxiliar na diminuição do preconceito e exclusão, tão presentes nas trajetórias dos surdos em nosso país. Paula Aparecida Diniz Gomides Ana Regina e Souza Campello Erliandro Felix Silva William Velozo Francioni Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-09-28 2021-09-28 e48/1 25 10.5902/1984686X65961 Diretrizes de implementação para Sistemas de Gestão da Qualidade em instituições de ensino sob o enfoque da Educação Inclusiva https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/65753 <p>Gestão da Qualidade em instituições de ensino, normas ISO (ISO 9001 e ISO 21001), ferramentas da qualidade e Educação Inclusiva (Lei Brasileira de Inclusão), são temas importantes e que nem sempre são pensados em conjunto. Com o objetivo de preparar as instituições de ensino para receber alunos de forma equitativa, e promover condições igualitárias de acesso e permanência na escola, são necessárias ferramentas que deem suporte ao desenvolvimento de novas abordagens gerenciais. Assim, é preciso desenvolver diretrizes para que a Educação Inclusiva nas instituições de ensino seja implementada de forma eficiente e eficaz, e para que essas instituições tenham a possibilidade de assegurar o seu funcionamento e garantir que os alunos (com deficiência ou não) estejam realmente recebendo uma educação de qualidade. Os objetivos deste trabalho envolvem: analisar os processos de implementação do Sistema de Gestão da Qualidade em organizações educacionais, e propor um modelo com diretrizes que auxilie a sua execução e manutenção, sob o enfoque da Educação Inclusiva. Para isso, realizou-se um levantamento bibliográfico para entender a situação da Educação Inclusiva no Brasil e levantar os principais problemas no seu processo de implementação. Como resultado, foi desenvolvido um modelo que contempla importantes elementos que precisam ser trabalhados em conjunto, entre leis e ferramentas da qualidade, e cinco diretrizes de implementação foram descritas. Constatou-se que apesar da existência de normas e leis que auxiliam nessa prática, é necessária uma abordagem diferente para auxiliar nos processos internos e sustentar a Educação Inclusiva nas instituições de ensino.</p> Milene Karolyne de Souza Luciano Pereira da Silva Santos Renata Maciel de Melo Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-10-29 2021-10-29 e52/1 19 10.5902/1984686X65753 A deficiência e as concepções que conformam o campo da educação especial: permanências e rupturas em sua identidade https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/66151 <p>O presente artigo tem como objetivo analisar, por meio de artigos publicados no periódico Revista Brasileira de Educação Especial, no período compreendido entre os anos de 1992 e 2015, as concepções subjacentes ao conceito de deficiência, empregadas pelos pesquisadores do campo, por meio da caraterização do alunado que o compõe, marcadas por determinados espaços e tempos históricos. Os textos foram selecionados a partir de critérios definidos a priori e analisados tendo por base o referencial teórico bourdieusiano. Como resultados, pode-se averiguar diferentes concepções subjacentes ao conceito de deficiência compondo o campo da educação especial, conformando permanências e rupturas em sua identidade, demonstrando que, nem sua constituição, nem a constituição do saber que aí se produz e que institui a identidade de seu público são estáveis e inflexíveis, mas decorrem de movimentos distintos enredados pelos movimentos dos outros campos, especialmente o campo político, na medida em que este é o espaço em que as práticas educacionais se concretizam.</p> Sirleine Brandão de Souza Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-11-18 2021-11-18 e57/1 22 10.5902/1984686X66151 Intervenções para casos de crianças e adolescentes com mutismo seletivo https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/48498 <p class="CorpodoResumo">O objetivo do presente artigo é apresentar uma revisão integrativa de literatura com vistas à identificação dos tratamentos psicoterapêuticos, farmacológicos ou que utilizaram a comunicação alternativa como intervenção para os casos de crianças com mutismo seletivo. Para este fim, considerou-se o levantamento bibliográfico em base de dados virtuais como método de análise. Foram selecionados os descritores nas versões português e inglês (“mutismo seletivo”, “crianças”, “adolescente”, “tratamento”, “intervenção”, “escola”, “comunicação alternativa e ampliada”, <em>“selective mutism”, “children”, “adolescent”, “treatment”, “intervention”, “augumentative and alternative communication</em>”) e utilizados, isoladamente ou combinados entre si, por meio do operador boleano “and” de acordo com a particularidade de cada base de dados. Como resultado, foram identificados 27 estudos, entre eles: artigos na íntegra, teses, dissertações publicadas em português e inglês nas bases de dados Google Acadêmico, ERIC, <em>PubMed</em>, <em>Scielo</em>, <em>Web of Science</em>, bibliotecas virtuais de universidades públicas nacionais e uma biblioteca virtual de uma universidade americana. Para a seleção final dos estudos foram definidos parâmetros de inclusão, conforme os três itens a seguir: a) estudos empíricos que mostrassem efeitos de intervenções, publicados entre os anos de 2006 a 2017; b) participantes com até 18 anos de idade e com o diagnóstico de mutismo seletivo, de acordo com os critérios do DSM 4 e 5; c) intervenções psicoterapêuticas, farmacológicas ou que utilizassem a comunicação alternativa. Foram excluídas as publicações que não atendessem aos critérios acima. Concluiu-se que intervenção terapêutica predominantemente utilizada é a cognitiva comportamental, sem indicar um tempo de intervenção específico.</p> Danielle Castelões Tavares de Souza Leila Regina d'Oliveira de Paula Nunes Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-01-20 2021-01-20 e2/1 29 10.5902/1984686X48498 O bullying na primeira infância: revisão integrativa da literatura https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/61898 <p class="CorpodoResumo">Identificar evidências científicas sobre as repercussões do <em>bullying</em> na primeira infância. Revisão integrativa da literatura que analisou 13 artigos, das bases de dados PUBMED/MEDLINE, LILACS, CINAHL, Web of Science e PSYCOINFO a partir das palavras-chave criança, <em>bullying</em> e desenvolvimento infantil, no período 2009 a 2019, nos idiomas português e inglês. As informações foram agrupadas nas categorias temáticas: <em>Bullying</em> na primeira infância: aspectos relacionais e contextuais; Cuidados parentais adversos e interações agressivas; <em>Bullying</em> em crianças em circunstâncias específicas. As questões que envolvem o <em>bullying</em> na primeira infância podem ter repercussões ligadas ao processo de estresse tóxico e no desenvolvimento da criança em longo alcance. Deste modo, os cuidadores parentais, educadores e profissionais da saúde devem reconhecer o impacto gerado pelo <em>bullying</em> na primeira infância e, assim, incrementar medidas de proteção e prevenção, que são essenciais tanto em contextos familiares quanto na área da saúde e da educação.</p> Aline Oliveira Paulino dos Santos Jennifer Stephanie Marques Hilario Rosane Meire Munhak Silva Marta Angélica Iossi Silva Débora Falleiros de Mello Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-01-20 2021-01-20 e4/1 23 10.5902/1984686X61898 A multissensorialidade nos recursos didáticos planejados para o ensino de Ciências orientado a estudantes com deficiência visual: uma revisão da literatura https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/48289 <p class="CorpodoResumo"><span>O ensino de Ciências tomou um caráter visual como resultado de um processo histórico. Para a compreensão dessa área do conhecimento, concedeu-se uma importância significativa para o sentido da visão. Atrelando esse fato à perspectiva da Educação Inclusiva apontada em documentos nacionais e internacionais, a presente revisão bibliográfica objetivou investigar trabalhos publicados em periódicos científicos entre 2000 e 2019 que descrevem e discutem práticas de ensino de Ciências da Natureza voltadas a estudantes com deficiência visual em contextos formais e não formais de ensino no Brasil (exceto espaços museais). As bases de dados consultadas foram SciELO, Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SiBi USP) e Google Acadêmico, buscando artigos publicados que tratassem a temática em questão a partir de práticas descritas e analisadas. A busca se deu por palavras-chave: Ensino de ciências and Deficiência Visual and Sequências didáticas; Ensino de Ciências and Deficiência Visual; Ensino de Ciências and Deficiência Visual and Recursos Didáticos. Com base em determinados critérios, foram selecionados e analisados 12 trabalhos. Os resultados mostram que, apesar da não referência direta, os trabalhos trazem o princípio da multissensorialidade, que pensa o ensino e aprendizagem de ciências a partir de todos os sentidos humanos, sendo adequado para pessoas com e sem deficiência. Práticas sob essa perspectiva mostraram-se eficientes alcançando estudantes com e sem deficiência visual através de um processo de desenvolvimento que ultrapassa a apropriação conceitual e atinge a transformação de atitudes dos estudantes especialmente na relação entre o educando enxergante e seu colega com deficiência visual. </span></p> Lucas Pasquali Darim Veronica Marcela Guridi Beatriz Crittelli Amado Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-02-16 2021-02-16 e7/1 28 10.5902/1984686X48289 Desenho Universal para Aprendizagem e Tecnologias Digitais na Educação Matemática Inclusiva https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/55111 <p>Este estudo verifica indícios do Desenho Universal para Aprendizagem (DUA) presentes no uso de Tecnologias Digitais (TDs) na Educação Matemática Inclusiva. Para tanto, são analisadas pesquisas publicadas em duas edições do Encontro Nacional de Educação Matemática: 2016 e 2019; evento que congrega maior número de pesquisadores e professores da área de Matemática no Brasil. Ao analisar os trabalhos publicados em tal evento, busca-se responder aos seguintes questionamentos: Como as TDs estão sendo utilizadas na Educação Matemática Inclusiva? É possível verificar a perspectiva do DUA ao utilizar as TDs na Educação Matemática Inclusiva? Com a metodologia adotada, de abordagem qualitativa, do tipo bibliográfica, emergem quatro temáticas: uso de tecnologias analógica e digital; uso de softwares e/ou aplicativos; uso de Ambiente Virtual de Aprendizagem; e uso de videoaula e vídeos instrutivos. Pelas análises é possível concluir que a inclusão escolar está em processo, envolvendo pesquisadores e professores no desenvolvimento de tecnologias digitais ou analógicas. Ainda, as análises revelam que é tímida a presença do DUA na Educação Matemática Inclusiva.</p> Daiana Aparecida Stresser Fiatcoski Anderson Roges Teixeira Góes Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-03-23 2021-03-23 e13/1 24 10.5902/1984686X55111 Treinamento de consciência fonológica para pessoas com necessidade educacionais especiais no Brasil: uma revisão sistemática https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/43678 <p class="CorpodoResumo">O desempenho dos alunos brasileiros em leitura e escrita, tanto com desenvolvimento típico, quanto atípico, está muito abaixo do esperado e diferentes fatores vêm sendo levantados como causa para esse fracasso. Dos fatores em questão, dois vêm sendo debatidos: 1) alguns alunos necessitam de condições educacionais especiais não oferecidas nas escolas, por apresentarem transtornos do desenvolvimento, alterações neurológicas, deficiência auditiva ou síndromes que afetam a capacidade de aprendizagem e 2) a metodologia adotada pelas escolas não leva em consideração que as habilidades de consciência fonológica (CF), instrução fônica, vocabulário e memória operacional são essenciais para o processo de alfabetização. Esta revisão sistemática teve por objetivo mapear e analisar as pesquisas interventivas que visavam ensinar CF para pessoas com necessidades educacionais especiais, realizadas no Brasil. Como resultado, integraram essa revisão 27 estudos publicados de 2007 a 2018, sendo que 13 realizaram intervenções com indivíduos com dificuldade de aprendizagem, 4 com deficiência intelectual, 2 com dislexia, 2 com paralisia cerebral, 3 com Síndrome de Down, 1 com Síndrome de Down concomitante a síndrome de Willams, 1 com crianças surdas e 1 deficientes auditivas. Como pode ser visto, poucos foram os estudos encontrados se considerada a variedade de características das populações estudadas e a demanda de programas de pós-graduação nas áreas de educação, ensino e psicologia existentes no país.</p> Layse Maria dos Santos Ferreira Carmen Silvia Motta Bandini Heloisa Helena Motta Bandini Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-03-23 2021-03-23 e14/1 22 10.5902/1984686X43678 O uso da CIF no contexto escolar inclusivo: um mapeamento bibliográfico https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/42725 <p class="CorpodoResumo">A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) é uma classificação desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A partir de uma revisão da Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (CIDID), fez-se uma mudança de contexto, do enfoque negativo da deficiência e incapacidade para uma perspectiva positiva com ênfase nas atividades e na participação do indivíduo com alterações de função e/ou da estrutura do corpo (FARIAS; BUCHALLA, 2005). Esta classificação apresenta diferentes objetivos, sendo que, primordialmente pode oferecer um olhar sobre a funcionalidade e incapacidade global do indivíduo, assim como padronizar informações a serem utilizadas por diferentes profissionais, tais como: fisioterapeutas, fonoaudiólogos, professores, entre outros. Nesta padronização de informações, pode-se incluir o ambiente escolar. Este estudo teve como objetivo mapear publicações sobre o uso da CIF em ambiente escolar inclusivo. O método adotado foi uma revisão da literatura de caráter retrospectivo, em três indexadores de produção científica: Scielo, Lilacs e Pubmed. Resultou dessa busca 91 artigos, e, após a leitura dos resumos, 16 artigos preenchiam os critérios e foram lidos na íntegra. Verificou-se que há escassez de publicações sobre o tema e constatou-se a necessidade de novos estudos que contemplem esta temática. Uma vez que a CIF não classifica as pessoas, mas descreve a sua funcionalidade e incapacidade, é necessário que os profissionais inseridos no contexto escolar a dominem a fim de promover programas e políticas que respondam eficientemente às demandas de aprendizagem e desenvolvimento do indivíduo com deficiência, ampliando sua participação em atividades escolares e sociais.<strong> </strong></p> Mariângela Castilho Uchoa de Oliveira Camila Miccas Catherine Oliveira de Araújo Maria Eloisa Famá D'Antino Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-03-23 2021-03-23 e15/1 20 10.5902/1984686X42725 O ensino de ciências da vida e da natureza aos surdos: o que dizem importantes periódicos da área a respeito? https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/43701 Há uma série de necessidades a serem atendidas para uma efetiva inclusão escolar dos surdos, em especial no que se refere às ciências da vida e da natureza. Uma delas diz respeito à construção e desenvolvimento de estratégias metodológicas adequadas para o ensino de estudantes surdos. Para se ter um panorama das produções recentes envolvendo o ensino de ciências a estudantes surdos, este trabalho teve como objetivo mapear as publicações feitas nos últimos 5 anos em alguns dos importantes periódicos da área de ensino e/ou de educação em ciências da vida e da natureza. Os resultados apontaram para o baixo número de publicações a tratar do ensino de ciências para estudantes surdos. Duas hipóteses são sugeridas para a discussão desse contexto. Uma delas seria a de que esses trabalhos têm sido publicados em quantidades e qualidades significativas sob outros formatos ou em outros periódicos. Outra hipótese, mais preocupante, é a de que esses trabalhos realmente não têm sido desenvolvidos e publicados, apesar da importância que eles teriam para a inclusão escolar dos surdos em relação à educação em ciências. Célio da Silveira Júnior Juarez Melgaço Valadares Reginaldo Silva Guimarães Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-04-12 2021-04-12 e18/1 21 10.5902/1984686X43701 Capacitação de pais de crianças com TEA: revisão sistemática sob o referencial da Análise do Comportamento https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/43768 <p>Capacitar pais para mediar intervenções comportamentais com crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem sido utilizado para favorecer o desenvolvimento dessas crianças. Esta revisão sistemática de literatura objetivou caracterizar as capacitações de pais ou cuidadores de crianças com TEA, sob referencial da Análise do Comportamento, analisando as suas características e resultados. A busca foi realizada sem restrição de tempo. Foram utilizados descritores em língua portuguesa e inglesa referentes a autismo, treinamento de pais e análise do comportamento, nas bases de dados e revistas: Pepsic, SciELO.ORG, PsycINFO (APA), Web of Science, Wiley Online Library, Catálogo de Teses e Dissertações (CAPES), Biblioteca Virtual em Saúde – BVS (BIREME), Revista Brasileira de Análise do Comportamento e Perspectivas em Análise do Comportamento. Foram selecionados 46 estudos e seus dados foram categorizados e analisados, por estatística descritiva, com foco em variáveis dependentes e independentes, comportamentos e conteúdos ensinados aos pais ou cuidadores, estratégias de ensino e resultados. A maioria dos estudos avalia os efeitos de pacotes de treinamento sobre o comportamento da criança e dos pais ou cuidadores e combina estratégias de natureza conceitual, instrucional e prática para ensiná-los a modelar o comportamento das crianças. As pesquisas, em sua maioria, descrevem de forma pouco precisa os comportamentos ensinados aos pais ou cuidadores, não indicando em quais contextos esses comportamentos devem ocorrer ou quais os efeitos esperados sobre o comportamento das crianças. Essa limitação no planejamento dos programas de capacitação pode estar relacionada com resultados inconsistentes e baixa manutenção dos resultados analisados nesta revisão.</p> Victória Druzian Lopes Silvia Cristiane Murari Nádia Kienen Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-04-12 2021-04-12 e19/1 28 10.5902/1984686X43768 A interseccionalidade dos estudos da EJA, Educação Inclusiva e Formação Docente: um estado do conhecimento https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/63606 <p class="CorpodoResumo">Presentes na Educação de Jovens e Adultos - EJA, as pessoas com deficiências conferem a esta modalidade da educação novas demandas formativas e práticas, por esta razão, o presente estudo visa analisar as pesquisas realizadas no campo da intersecção da EJA, Formação Docente e Educação Inclusiva, no período de 2017 a 2019. Para tanto, é realizada uma pesquisa bibliográfica do tipo estado do conhecimento e, por meio desta, uma análise de conteúdo, a qual revela quais categorias são mais recorrentes nas pesquisas analisadas. Logo, são ressaltados 04 (quatro) trabalhos, sendo 03 (três) dissertações e 01 (uma) tese, as quais partindo de seus contextos locais, apontam para a necessidade de investir-se esforços em compreender e potencializar os processos inclusivos de jovens e adultos com deficiências na EJA por meio da formação docente, sendo a realização de estudos acadêmicos um caminho possível para apresentar novos horizontes e as pesquisas de caráter interventivo e colaborativo, as principais opções teóricos-metodológicas presentes nos trabalhos analisados.</p> Rayssa Maria Anselmo de Brito Eduardo Jorge Lopes da Silva Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-05-27 2021-05-27 e25/1 22 10.5902/1984686X63606 Estudantes do ensino superior com Transtorno do Espectro Autista: uma revisão integrativa da literatura brasileira https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/64322 <p>Com o crescente número de estudantes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista matriculados no Ensino Superior, esta Revisão Integrativa da Literatura objetivou analisar o processo de formação universitária do estudante com Transtorno do Espectro Autista, com ênfase em seu acesso, ingresso e permanência no Ensino Superior nas instituições educacionais brasileiras. Levando-se em conta o objetivo mencionado da pesquisa, as bases de dados Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde Scientific Electronic Library Online e Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior foram consultadas. Na amostragem obtida, foram recuperados 7 artigos que atenderam aos critérios de inclusão e exclusão, sendo estes considerados aptos à análise. A partir da leitura dos estudos, identificaram-se barreiras para a inclusão e permanência dos estudantes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista, no contexto acadêmico, bem como possíveis estratégias foram apontadas para melhoria na acessibilidade. Conclui-se, portanto, haver uma lacuna na literatura nacional sobre intervenções baseadas em evidências especificamente projetadas para os estudantes universitários com Transtorno do Espectro Autista, no Brasil.</p> Daniele de Oliveira Camalionte Letícia Kondo Aila Narene Dahwache Criado Rocha Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-05-27 2021-05-27 e26/1 24 10.5902/1984686X64322 Diretrizes de acessibilidade de interfaces digitais para pessoas com Transtorno do Espectro Autista: uma revisão integrativa de literatura https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/62649 <p>Estudos evidenciaram que pessoas com TEA apresentam grande afinidade e interesse por recursos tecnológicos. <em>Sites</em>, aplicativos e <em>softwares </em>destinados a estes usuários têm sido desenvolvidos em grande escala. Todavia, pouco se sabe sobre suas interfaces e se são desenvolvidas com base em evidências empiricamente testadas e que assegurem a sua acessibilidade. Neste sentindo, a identificação e análise de diretrizes de acessibilidade podem fazer com que as interfaces tecnológicas sejam mais acessíveis a esta camada da população. O objetivo deste trabalho foi mapear na literatura pesquisas empíricas que avaliaram diretrizes para acessibilidade digital envolvendo pessoas com TEA. Trata-se de uma revisão integrativa pautada no protocolo PRISMA. A partir dos critérios de exclusão e com base na análise do título e resumo, foram designados, para compor o <em>corpus</em> final de análise, sete artigos. Os resultados apresentados evidenciam que ainda existe uma lacuna importante na literatura no que diz respeito à avaliação de diretrizes de acessibilidade digital para pessoas com TEA. Constatou-se que os poucos estudos empíricos experimentais existentes focam em adultos com TEA leve, o que torna muito difícil alcançar generalizações. Apesar de representar um passo importante no caminho da inclusão digital de pessoas com TEA, as diretrizes de acessibilidade ainda caminham de maneira tímida e carecem de pesquisas empíricas e testagens.</p> Andiara Cristina de Souza Priscila Benitez João dos Santos Carmo Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-06-21 2021-06-21 e29/1 21 10.5902/1984686X62649 Tecnologia Assistiva e Educação Especial Inclusiva: o Estado da Arte nas Pós-Graduações do Brasil https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/64421 <p>O estudo busca oferecer, pela perspectiva das Pós-Graduações do Brasil, uma discussão das teses e dissertações defendidas entre período de 2015 e 2019 sobre os usos da Tecnologia Assistiva na Educação Especial Inclusiva. Foi realizado um estudo do tipo estado da arte, pelo levantamento dos trabalhos localizados no banco de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Estes foram investigados por meio da teoria dos grafos e a classificação hierárquica descendente, utilizando os softwares IRAMUTEQ e o EXCEL. Os resultados apontam para a existência de 42 trabalhos, neles seus autores pesquisam na área de Educação Especial desde sua formação no Ensino Superior, com interseção à Tecnologia Assistiva mais recentemente no processo de ensino-aprendizagem, principalmente com inquietações sobre a maneira como os recursos de Tecnologia Assistiva podem auxiliar na Educação Especial Inclusiva. Observou-se nessa linha de análise que há um envolvimento dos alunos nas atividades, embora à participação ativa em seu processo de aprendizagem dependesse de formação docente para atuar com esses recursos, produzindo um dos maiores desafios. Tal investigação, portanto, relaciona os resultados das pesquisas com a trajetória acadêmica dos autores, possibilitando assim, uma visão geral do que vem sendo produzido sobre essas temáticas e uma ordenação que permite perceber as transformações desse campo.</p> Samuel Pires Melo Leonam Costa Oliveira Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-06-21 2021-06-21 e32/1 25 10.5902/1984686X64421 Ansiedade e autoestima associadas ao baixo desempenho escolar em estudantes com dislexia de desenvolvimento: uma revisão integrativa https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/54521 <p>A dislexia de desenvolvimento é uma disfunção neurobiológica ocasionada por fatores de ordem cognitiva, hereditária e ambiental. Tal disfunção provocaria uma dificuldade específica, significativa e persistente, em distintos graus, na aprendizagem da decodificação, comprometendo os processos de compreensão leitora e escrita. Podendo, ainda, ocasionar o risco de desenvolvimento da ansiedade e da baixa autoestima, estando significativamente correlacionadas ao baixo desempenho escolar em estudantes com dislexia. A esse tema, objetivou-se investigar sobre ansiedade e autoestima associadas ao baixo desempenho escolar em estudantes com dislexia. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada a partir da busca por publicações científicas indexadas nas bases de dados MEDLINE/PubMed, Europe PMC e ERIC. Os seguintes descritores foram utilizados: ansiedade, autoestima, dislexia de desenvolvimento, dificuldade de desenvolvimento de leitura, educação, estudantes e transtorno da leitura da dislexia do desenvolvimento. Ao final das buscas, foram selecionados 11 estudos para compor o presente artigo, nos idiomas inglês e espanhol, publicados entre os anos de 2009 a 2020. Mediante aos achados, dos estudos analisados foi possível perceber que os estudantes com dislexia apresentaram um perfil emocional-comportamental, caracterizado por menor autoestima e maior ansiedade em relação aos fatores emocionais, além de maiores problemas comportamentais que os estudantes sem dislexia. Conclui-se que é preciso um melhor gerenciamento das emoções e um fortalecimento da autoestima para que haja uma minimização do baixo desempenho escolar em estudantes com dislexia. Para tanto, apoia-se na fundamental importância da ampliação de ações entre a Psicologia e a Educação, elaborando intervenções precoces relacionadas às dificuldades de leitura ao ajustamento psicossocial.</p> Mara Dantas Pereira Joilson Pereira da Silva Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-08-31 2021-08-31 e40/1 23 10.5902/1984686X54521 Estudo bibliométrico da produção sobre Educação Física na Revista Brasileira de Educação Especial - RBEE https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/66235 O presente estudo bibliométrico, teve como objetivo mapear e explorar a produção científica da área da Educação Física na Revista Brasileira de Educação Especial (RBEE), tendo como fonte os artigos publicados pelo periódico entre 1992 e 2021. Foram selecionados 33 artigos que faziam referência à Educação Física ou à Educação Física Adaptada. Os resultados da análise indicaram maior número de publicações científicas sobre a temática no ano de 2015, concentrados nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, com diferentes tipos de deficiências e alunos de idades variadas. Além disso, averiguou-se que as palavras-chaves mais empregadas nas publicações são Educação Especial e Educação Física Adaptada. Conclui-se, a partir do cenário investigado, que a produção científica em torno da Educação Física vinculada à RBEE, embora tenha aumentado nos últimos anos, impulsionada pelo crescimento das produções vinculadas ao periódico, ainda é incipiente e necessita de ampliação em alguns aspectos. Espera-se que pesquisas futuras aprofundem os temas investigados e considerem as lacunas investigativas observadas, com o intuito de fornecer caminhos para a ampliação e o desenvolvimento da Educação Física Adaptada na realidade educacional. Laura Cidade de Souza Larissa Fernanda Porto Maciel Gelcemar Oliveira Farias Alexandra Folle Viviane Preichardt Duek Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-09-28 2021-09-28 e45/1 23 10.5902/1984686X66235 Revisão integrativa da produção científica nacional sobre o Plano Educacional Individualizado https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/66509 <p>Um caminho para contribuir no progresso escolar do estudante com deficiência, é a elaboração e implementação do Plano Educacional Individualizado (PEI). O PEI é uma metodologia de trabalho colaborativa focada no aluno com deficiência e elaborada a partir da série, idade, grau de desenvolvimento, habilidades e conhecimentos prévios, para elaborar objetivos de aprendizagem a curto, médio e longo prazos e avaliar o progresso do estudante. E, ainda, o PEI é pouco utilizado e estudado no Brasil. Devido a isso, o presente estudo realizou uma revisão integrativa de estudos nacionais sobre o PEI a fim de responder algumas questões norteadoras: os estudos operacionalizam o PEI? Demonstram sua contribuição para a inclusão escolar? Quais deficiências abordam? O intuito deste levantamento é verificar como o PEI é compreendido através de pesquisas nacionais, bem como se estas subsidiam um maior entendimento sobre o tema, instrumentalizando professores e demais profissionais para a sua elaboração e implementação. Foram selecionados 16 artigos que atendiam aos critérios de inclusão deste estudo, e a análise deles demonstrou que a produção acadêmica nacional sobre o PEI não o operacionaliza, ou seja, não explica de forma clara, sintética e objetiva como o PEI pode ou deve ser elaborado e executado. Somente 1 artigo apresentou as contribuições da utilização do PEI, demonstrando mudanças significativas nas áreas acadêmicas e/ou funcionais do aluno, através de dados quantitativos e qualitativos. As deficiências estudadas foram: Transtorno do Espectro do Autismo, Deficiência Intelectual e Altas Habilidades. As implicações destes dados para a educação inclusiva de estudantes com deficiências e para o desenvolvimento de pesquisas futuras são discutidas. </p> Gabrielle Lenz da Silva Síglia Pimentel Höher Camargo Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-09-28 2021-09-28 e49/1 23 10.5902/1984686X66509 Compreendendo a educação inclusiva https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/64627 A educação especial nada compartilha com a natureza analítica e metodológica da educação inclusiva. Embora sejam termos que podem ser construídos mutuamente, essa modalidade singular de relacionamento impõe uma cadeia de heranças que aprisionam e subjugam o surgimento da verdadeira face e voz do inclusivo. A educação inclusiva se apresenta como uma noção imprecisa, vaga e elástica, seus contornos são flexíveis e sua extensão aborda uma infinidade de elementos - uma constelação heurística singular - até então desconhecida. O objetivo do trabalho é analisar que a frase 'educação inclusiva' não demonstra consenso e clareza sobre sua natureza, função e abrangência, especificamente, quando assumimos a problematização de seu campo de tarefas desvinculado da educação especial depara-se com um duplo analítico: explicita um problema de definição e especificidade fraco e desconhecido de singularidade e, por outro lado, reconhece um discurso transversal a múltiplos campos e projetos políticos e acadêmicos com determinados propósitos éticos que facilitam certas relações com campos distantes em sua atividade cognitiva. Tal situação não deve ser confundida com a presença de um campo muito amplo e elástico, que sofre de excesso de significado. O método utilizado é a revisão documental crítica. O trabalho conclui observando que a educação inclusiva se torna um dispositivo para a reformulação do campo para se distanciar do imaginário educacional neoliberal. Aldo Ocampo González Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-09-28 2021-09-28 e50/1 20 10.5902/1984686X64627 Audiodescrição como ferramenta do Desenho Universal para a Aprendizagem: inclusão de crianças com deficiência visual na Educação Infantil https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/66118 <p>Este trabalho visa contribuir para o processo de inclusão de crianças com deficiência visual na Educação Infantil, a partir da perspectiva histórico-cultural. A audiodescrição (AD) é uma tecnologia assistiva, que foi criada para tornar cinema e teatro acessíveis às pessoas cegas. Com o passar das décadas, a sua utilização em espaços educativos tem se mostrado de fundamental importância no processo de inclusão escolar de pessoas com deficiência visual. O objetivo deste trabalho, é apresentar a AD como uma ferramenta do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) que, ao promover a inclusão de crianças com deficiência visual na Educação Infantil, traz benefícios ao desenvolvimento de toda a turma. Metodologicamente, passamos inicialmente pelo levantamento de Políticas Públicas de Inclusão de alunos com deficiência, que dialogam com o DUA e buscam construir um ambiente propício para a aprendizagem do maior número possível de alunos. Em seguida, apresentam-se estudos sobre o processo de inclusão, especificamente da criança com deficiência visual, e demonstra-se como a AD pode ser decisiva para que o aluno que não enxerga tenha mais, e melhores, oportunidades de aprender. Diante dos estudos, conclui-se que o docente que adota estratégias bem delineadas, com foco na inclusão de crianças com deficiência visual na Educação Infantil, contribui para o aprendizado e desenvolvimento de todos. </p> Aguijane Lopes Menezes Cândida Beatriz Alves Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-10-29 2021-10-29 e51/1 20 10.5902/1984686X66118 A produção da Análise do Comportamento sobre Surdez/Deficiência Auditiva em periódicos internacionais no período de 1968 a 2018 https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/65604 <p class="CorpodoResumo">A Análise do Comportamento apresenta uma relação histórica com a Educação Especial. Entretanto, algumas revisões indicam uma baixa frequência de estudos sobre surdez e deficiência auditiva, tanto em âmbito nacional como internacional. Nesse contexto, o objetivo desse estudo foi analisar publicações sobre surdez/deficiência auditiva em periódicos internacionais de Análise do Comportamento entre os anos de 1968 a 2018. O método utilizado foi uma revisão de literatura, na qual os passos consistiram em: seleção das revistas internacionais da Association for Behavior Analysis International (ABAI); pesquisa pelos termos internacionais; leitura dos títulos e resumos para aplicação dos critérios de inclusão e exclusão; leitura completa dos textos incluídos para análise de variáveis. As variáveis analisadas foram quantitativas e qualitativas dos resultados apresentados pelos estudos e sua classificação em escolas filosóficas da história da surdez: Oralismo, Comunicação Total ou Bilinguismo. Foram selecionados 30 artigos, sendo 23 sobre pesquisa empírica e 7 sobre pesquisa teórica. Os dados apresentam uma tradição histórica de artigos sobre Análise do Comportamento e surdez ou deficiência auditiva, uma variação significativa nos temas abordados e a influência das escolas filosóficas da história da surdez, apresentando estudos sobre Oralismo, Comunicação Total e Bilinguismo. Discute-se a necessidade de aumentar estudos sobre o tema, seja aplicado ou teórico, e promover novos estudos para a reflexão da relação da Análise do Comportamento com compromissos sociais de abordagens filosóficas do ensino dos surdos.</p> Rafael Ernesto Arruda Santos Adriana Ferreira Leal Nassim Chamel Elias Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-10-29 2021-10-29 e53/1 40 10.5902/1984686X65604 A utilização de glossários terminológicos no processo de ensino e aprendizagem de estudantes surdos no Ensino Superior: uma revisão de literatura https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/65313 <p>Esta revisão de literatura teve como objetivo identificar evidências científicas sobre o uso de glossários terminológicos no ensino e aprendizagem de estudantes surdos no Ensino Superior. A revisão analisou 23 publicações acadêmicas selecionadas, sendo 16 dissertações e 07 teses, publicadas entre os anos de 2011 e 2020, das bases de dados BDTD, SciELO, CAPES, ERIC, REDALYC e Repositório Digital Gallaudet University, a partir das palavras-chave: glossários terminológicos, Libras, educação bilíngue e estudantes surdos, no ínterim de março a junho de 2020, nos idiomas português, inglês e espanhol. As informações foram agrupadas nas categorias temáticas: 1. Processo de ensino e aprendizagem do estudante surdo; 2. Educação Bilíngue de Surdos no Ensino Superior; e 3. Glossários Terminológicos em Libras. Não há, ao menos no material coletado para este estudo, pesquisas empreendidas em dissertações e teses a respeito da utilização do glossário no processo de ensino e aprendizagem de estudantes surdos no Ensino Superior, o que comprova a originalidade, relevância e necessidade de realização de pesquisas nesta temática, tendo em vista que trará valiosas contribuições para um escopo do conhecimento científico parcamente explorado até este momento.</p> Mariana Damião Farias Flávia Roldan Viana Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-10-29 2021-10-29 e54/1 19 10.5902/1984686X65313 Caracterização de serviços de Intervenção e Estimulação Precoce ofertados pelas APAES do estado de São Paulo https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/40088 <p class="CorpodoResumo">A Intervenção Precoce (IP) ou Estimulação Precoce (EP) pode ser entendida como um conjunto de serviços e apoios, que são necessários à promoção do desenvolvimento pleno de crianças com risco identificado ao nascer ou atraso no desenvolvimento, percebido no decorrer dos primeiros anos, visando melhorar a sua qualidade de vida e de seus familiares. Considerando a importância desse serviço, o presente estudo objetivou caracterizar os serviços de IP/EP ofertados pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAES) do estado de São Paulo. Foi elaborado, especialmente para este estudo, um protocolo com questões estruturadas, visando obter dados que permitissem caracterizar o serviço ofertado à comunidade. Os resultados apontaram que EP é a terminologia mais utilizada para denominar os serviços, enquanto na literatura o mais frequente é IP, que foi a utilizada nesse estudo. Os profissionais participantes, responsáveis pelo serviço trabalham com IP/EP há muitos anos, mas nenhum relatou pós-graduação neste campo de atuação. Quanto ao atendimento oferecido, predominou o atendimento de crianças com idade superior a quatro anos, com pequeno número de bebês, mostrando que as crianças chegam muito tarde no serviço. No geral, os programas incluem a participação das crianças semanalmente e seus familiares são atendidos esporadicamente. Há presença de equipe multiprofissional, com atendimento interdisciplinar. Ainda que tenha sido relativamente pequeno o número de instituições ouvidas, espera-se que os resultados obtidos com esse estudo impulsionem outros pesquisadores a dar continuidade às pesquisas nessa área tão relevante para o desenvolvimento integral da criança e qualidade de vida para a família.</p> Lurian Dionizio Mendonça Paula de Marchi Scarpin Hagemann Liene Regina Rossi Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues Veronica Aparecida Pereira Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-01-20 2021-01-20 e3/1 23 10.5902/1984686X40088 Clima escolar e vitimização entre pares: percepções de estudantes com deficiência intelectual https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/53606 <p class="CorpodoResumo">Considerando as experiências de estudantes com deficiência intelectual (DI) em ambientes educacionais, a vitimização entre pares se destaca por potenciais prejuízos para o desenvolvimento. Este é um problema de relacionamento, que demanda a compreensão de fatores do contexto. Na abordagem do clima escolar autoritativo, a percepção de suporte e estrutura disciplinar atuam como possíveis atenuadores da vitimização entre pares. Entretanto, a associação entre o clima escolar e a vitimização raramente é examinada em amostras com pessoas com DI. Assim, o estudo teve por objetivo examinar as associações entre o clima escolar autoritativo e a vitimização entre pares por meio de procedimento acessível para o autorrelato de pessoas com DI. Hipotetizou-se que a estrutura disciplinar e o suporte estariam associados negativamente à vitimização. O estudo incluiu 117 estudantes com DI, com idade entre 12 e 63 anos (média= 25,31; d.p.= 12,25); 62,4% dos participantes do sexo masculino; 56,9% brancos e 54,1% com diagnóstico de DI moderada. As medidas e procedimentos passaram por processo de acessibilidade cognitiva para possibilitar a participação dos estudantes com DI por meio do autorrelato, os dados foram analisados usando a modelagem de equações estruturais. O processo foi parcialmente bem-sucedido. No modelo final, a estrutura disciplinar foi positivamente correlacionada ao suporte, que foi um preditor negativo para a vitimização. Os resultados destacam como os ambientes escolares com um clima escolar de suporte podem ser um fator protetor em relação à vitimização de pessoas com DI, e que práticas mais inclusivas na pesquisa científica são possíveis.</p> Hellen Tsuruda Amaral Josafá Moreira da Cunha Iasmin Zanchi Boueri Jonathan Bruce Santo Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-02-16 2021-02-16 e5/1 22 10.5902/1984686X53606 Acessibilidade à educação de crianças e adolescentes com deficiência que vivem em contextos rurais https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/49646 <p class="CorpodoResumo"><span>Objetivo: analisar a acessibilidade à educação de crianças e adolescentes com deficiência que vivem em contexto rural. Método: Trata-se de um estudo quantitativo, seccional, que analisou, por meio de um banco de dados de projeto matricial, 33 crianças e adolescentes com deficiência, em idade escolar, que vivem no contexto rural de municípios do norte do Rio Grande do Sul. Utilizou-se instrumento próprio para coleta dos dados, por meio de visita domiciliar aos participantes do estudo. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e comparação de frequência. Resultados: Das 33 crianças e adolescentes com deficiência e que vivem no contexto rural, 90,9% estão estudando e 80% delas em escola regular de ensino. Cerca de 80% das crianças e adolescentes frequentam também atendimento especializado de educação. O monitor ainda é pouco presente dentro das escolas, especialmente daquelas crianças e adolescente com deficiência física, visual, auditiva. O transporte escolar é presente (89,7%), porém sem acessibilidade (86,2%). Conclusão: As garantias legais de acesso e acessibilidade à educação de crianças e adolescentes ainda são frágeis dentro do contexto rural. <a name="_Hlk52450044"></a>Discussões e mobilizações políticas e sociais são necessárias pela garantia dos direitos dessas crianças, adolescentes e suas famílias.</span></p> Leonardo Bigolin Jantsch Neila Santini de Souza Darielli Gindri Resta Fontana Fernanda Sarturi Ethel Bastos da Silva Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-02-16 2021-02-16 e6/1 17 10.5902/1984686X49646 Observação de pareamento de estímulos e instrução com múltiplos exemplares: efeitos sobre respostas de ouvinte e falante de crianças com TEA https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/42047 <p class="CorpodoResumo"><span>Dois procedimentos têm sido propostos como alternativas para induzir repertórios não ensinados diretamente: 1) instrução com múltiplos exemplares (MEI); e 2) observação de pareamento de estímulos (SPOP). O MEI implica a rotação do ensino de diferentes respostas a um estímulo (ex. tato e resposta de ouvinte), o que favorece a aprendizagem incidental dessas respostas para novos estímulos a partir do ensino de apenas um dos tipos. No SPOP é exigida apenas a observação de estímulos apresentados contíguos, sem reforçamento diferencial para qualquer resposta. Os resultados de alguns estudos sugerem que uma maior frequência de pareamentos poderia levar a emergência de respostas de tato e ouvinte não ensinadas diretamente e que o pareamento de estímulos pode afetar o procedimento de MEI. O presente estudo avaliou o efeito de SPOP com uma frequência maior de pareamentos por tentativas sobre a emergência de respostas de tato e ouvinte em três crianças com Transtorno do Espectro Autista, e o efeito do SPOP no ensino dessas respostas por meio de MEI. Para dois participantes, o SPOP com mais pareamentos a cada tentativa favoreceu a emergência do repertório de ouvinte. Estes participantes somente aprenderam respostas de tato após o MEI. O SPOP teve um efeito facilitador no treino de MEI. Discute-se o papel do MEI e de treino de tato intensivo na emergência de repertórios de tato e ouvinte, assim como os tipos de controle de estímulo que o SPOP parece favorecer, e a possibilidade de investigar o SPOP em ambientes menos estruturados. </span></p> Edson Luiz Nascimento dos Santos Eduardo Nascimento Trindade Carlos Barbosa Alves de Souza Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-02-16 2021-02-16 e8/1 21 10.5902/1984686X42047 Family APGAR Scale: evidências iniciais de validade para utilização em familiares de pessoas com deficiência intelectual https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/63164 <p class="CorpodoResumo">A presença de pessoas com deficiência intelectual em uma família pode modificar o funcionamento e relações familiares. Este estudo teve como objetivo verificar as evidências iniciais de validade de estrutura interna e convergência da versão brasileira da <em>Family APGAR Scale</em>, a fim de avaliar a percepção da funcionalidade familiar em familiares de pessoas com deficiência intelectual, usuárias de serviços da Assistência Social. Participaram deste estudo 185 familiares de pessoas com deficiência, usuárias de um serviço de uma entidade não governamental de atendimentos a pessoas com deficiência em uma capital do sudeste brasileiro. Os resultados a partir de procedimentos fatoriais exploratórios demonstraram a estrutura interna unidimensional da medida adaptada, composta por cinco itens, tendo bons indicadores de precisão do tipo coeficiente de Alpha (α = 0,96) e Ômega (ω=0,96). Também foram observadas evidências de validade convergente entre a medida adaptada neste estudo e a Escala Total de Apoio Social do Medical Outcomes Study (MOS). Com isso, os resultados indicam que a versão brasileira adaptada da medida apresentou propriedades psicométricas adequadas e pode ser utilizada neste contexto e população.</p> Crystian Moraes Silva Gomes Lilian Gazzoli Zanotelli Alexsandro Luiz de Andrade Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-03-23 2021-03-23 e10/1 20 10.5902/1984686X63164 Neurodiversidade no meio acadêmico: reflexos das falhas educacionais em uma instituição de ensino superior no interior do Paraná https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/55425 <p class="CorpodoResumo"><span>A Neurodiversidade é um conceito recente que caracteriza uma classe de indivíduos com divergências neurais, desse modo, este estudo teve como objetivo compreender as representações sociais de docentes do ensino superior sobre pessoas neurodiversas. Os dados foram coletados por meio da disponibilização online de questionário semiestruturado por meio da plataforma Google Forms. O questionário contou com perguntas discursivas acerca do perfil docente e da percepção deste sobre a temática da Neurodiversidade, tendo como base a Técnica de Associação Livre de Palavras. A amostra foi composta por 25 professores acadêmicos de uma instituição de ensino superior na cidade de Maringá - Paraná. A análise dos dados foi realizada com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Destacam-se nos resultados que os docentes, em sua maioria, desconhecem cientificamente o conceito da Neurodiversidade, como também apresentam percepções discriminatórias sobre a realidade complexa do estudante neuroatípico no ambiente universitário, o que pode gerar intervenções negativas que promovem a exclusão dos mesmos no processo educacional. Portanto, a ausência de conhecimento sobre o tema bem como o preconceito em relação aos neurodiversos foi evidenciada, assim como a necessidade da realização de mais pesquisas científicas sobre o assunto. Faz-se urgente o acréscimo de subsídios informacionais para se difundir o conhecimento sobre neurodiversidade no processo acadêmico do Ensino Superior.</span></p> Caroline Lopes Bolsoni Regiane da Silva Macuch Ludmila Lopes Maciel Bolsoni Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-03-23 2021-03-23 e11/1 19 10.5902/1984686X55425 Reações da notícia do diagnóstico da síndrome de Down na percepção paterna https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/37804 <p class="TtuloresumoemPT">O nascimento de uma criança faz parte do ciclo de vida de uma família. Desde a sua concepção, a criança já é fruto de uma série de expectativas. O objetivo desta pesquisa foi descrever e analisar as reações dos pais de crianças com síndrome de Down (SD) diante da notícia do diagnóstico da síndrome e os apoios recebidos para os cuidados do (a) filho (a). O delineamento da presente pesquisa foi de abordagem mista, de cunho descritivo. Foi utilizado para coleta dos dados: um roteiro semiestruturado de Entrevista de caracterização paterna. Participaram da pesquisa 10 pais (homens) de crianças diagnosticadas com SD na faixa etária de 0 a 6 anos de idade. O contato com os pais ocorreu por meio de um Instituto de convivência de pessoas com SD em uma cidade do interior do estado de São Paulo. A coleta de dados com os pais ocorreu nas dependências do Instituto ou na residência dos próprios participantes. Foi realizada a análise de conteúdo com a categorização dos dados qualitativos das entrevistas. Os resultados apontaram que no quesito maneira como a notícia da SD foi dada, a maioria dos pais recebeu a notícia após o nascimento da criança. Em relação a mudanças na maneira como receberam a notícia, dois pais relataram que poderia ser diferente, os médicos poderiam ser mais sutis. Para o apoio para cuidados, nota-se que parte dos pais recebeu apoio pessoal e financeiro para os cuidados dos filhos. O estudo mostrou que o momento da notícia precisa ser reavaliado pelos profissionais, e que as intervenções devem focar nas crianças e nas famílias. <em></em></p> Bruna Bianchi Cariza De Cássia Spinazola Márcia Duarte Galvani Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-03-23 2021-03-23 e16/1 23 10.5902/1984686X37804 Educação Especial Inclusiva: uso de Recursos Educacionais Digitais nas Salas Multifuncionais https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/61433 <p>Este relato apresenta pesquisa que teve como objetivo investigar a aplicação de Recursos Educacionais Digitais por professores durante o atendimento educacional especializado realizado em Salas de Recursos Multifuncionais de escolas públicas do sul de Minas Gerais que contam com este recurso. A abordagem adotada foi quanti-qualitativa com coleta de dados por meio de questionário e entrevistas semiestruturadas com os professores participantes. Foram convidados 70 docentes das escolas estaduais de 29 cidades e 40 concordaram em participar. A partir da triangulação e análise dos dados, elementos essenciais que compõem a prática <em>in loco </em>da educação especial, foram identificados, dentre eles, a falta de diagnóstico de deficiência dos estudantes atendidos nas Salas de Recursos Multifuncionais. Outro ponto relevante identificado foi o déficit na formação inicial do profissional, que não aborda a temática em profundidade. Em consequência, a formação continuada se torna necessidade premente para a edificação do conhecimento tanto no campo da educação especial e inclusiva quanto das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação. Em relação à mediação e ao uso das tecnologias digitais, foram encontradas dissonâncias, pois, na maioria dos casos analisados, os recursos educacionais digitais não trouxeram alterações significativas na articulação entre ensino e conteúdo. Os resultados levaram à inferência de que existe necessidade de se estabelecer maior relação entre o currículo, os recursos tecnológicos disponíveis nas Salas de Recursos Multifuncionais, as demandas e peculiaridades dos estudantes e a mediação pedagógica do professor.</p> Arlete Vilela de Faria Estela Aparecida Oliveira Vieira Ronei Ximenes Martins Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-04-12 2021-04-12 e17/1 19 10.5902/1984686X61433 A caminhar para uma escola inclusiva em Portugal: os desafios sentidos pelos profissionais dos contextos educativos https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/47438 <p>A 6 de julho de 2018 foi promulgado o Decreto-lei 54/2018 revogando o anterior Decreto-lei 3/2008 que regulamentava a Educação Especial em Portugal. Em prol de uma escola verdadeiramente inclusiva, surge um quadro legal alinhado com uma visão holística e com uma abordagem contínua e integrada do percurso escolar. Como consequência desta alteração legislativa, surgiu o interesse por estudar este momento de transição vivenciado pelos profissionais nos contextos educativos. Através de uma metodologia qualitativa, com recurso a entrevistas semiestruturadas a 17 profissionais de contextos educativos portugueses, e à posterior análise categorial do seu conteúdo, procurámos compreender quais as dificuldades e soluções que estes/as profissionais apontavam neste momento inicial de transição legislativa. As categorias identificadas, basearam-se nos aspetos relevantes para os objetivos do estudo, nos conceitos e temas sugeridos pela literatura, e nas questões da entrevista. Foram identificadas diversas dificuldades, tais como, a falta de recursos (e.g., falta de formação, falta de tempo), a demarcação da legislação anterior e o ajustamento à nova definição de papéis por parte de toda a comunidade educativa (incluindo as famílias), e fatores de natureza macrossistémica como as características da classe docente e as incongruências nas informações disponibilizadas e nas exigências. Já como soluções, apontaram: apoio no domínio formativo, apoio emocional e apoio logístico (e.g., recursos humanos). Estes resultados indicam que, segundo estes/as profissionais, este foi um processo de transição pautado por diversas dificuldades passíveis de serem colmatadas pela agência conjunta de todos, desde instâncias superiores, estruturas intermédias, profissionais dos contextos educativos e famílias.</p> Débora Carolina Abreu Catarina Grande Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-05-27 2021-05-27 e20/1 22 10.5902/1984686X47438 A importância da superação de barreiras entre família e escola para a construção de um trabalho colaborativo em prol da inclusão escolar do filho e aluno com altas habilidades/superdotação https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/55329 <p>A inclusão escolar dos alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD) tem sido um desafio para alguns professores. Esse fato resulta do desconhecimento da temática das AH/SD, decorrente, possivelmente, das concepções equivocadas difundidas socialmente, somadas a uma formação inicial incipiente no que se refere aos alunos com AH/SD. Nesse contexto, é necessário formar redes de apoio para que se efetive a inclusão escolar destes alunos. Nesse sentido, a família pode ser uma rede de apoio e tornar-se parceira da escola. Este artigo buscou compreender a articulação entre família e escola, verificando as barreiras que dificultam essa parceria e identificando possíveis influências da família no processo de inclusão escolar do filho/aluno com AH/SD. Em relação ao método, optou-se pela abordagem qualitativa do tipo estudo de caso. Os instrumentos de coleta de dados selecionados foram: “<em>Checklist </em>da Rotina Compartilhada e Envolvimento entre Família-escola”, Versão para Professores e “<em>Checklist </em>da Rotina Compartilhada e Envolvimento entre Família-escola Versão Pais” (mãe, pai ou responsável), ambos validados por Dessen e Polonia (2011). Participaram da pesquisa 12 famílias com filhos identificados com AH/SD e 11 professoras. As considerações finais apontam para uma relação entre família e escola ainda incipiente, pois algumas barreiras foram identificadas, tendo prevalecido uma relação acusativa, o que pode estar dificultando a construção de uma relação de parceria. Foram pontuais os casos em que houve articulação entre ambas as instituições e que resultaram em maior influência/participação da família na vida escolar do filho com AH/SD.</p> Andréia Jaqueline Devalle Rech Soraia Napoleão Freitas Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-05-27 2021-05-27 e21/1 26 10.5902/1984686X55329 Jogos matemáticos: análise de propostas inclusivas para potencializar o cálculo mental https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/63445 Este artigo discute sobre a formação do pensamento matemático em um estudante com deficiência visual, procurando reconhecer condições de aprendizado de conteúdos matemáticos específicos por meio de jogos. Tem por objetivo apresentar os resultados parciais da pesquisa que analisou o desenvolvimento do cálculo mental de um estudante cego, na utilização de operações básicas aritméticas, recorrendo a jogos adaptados e desenvolvidos na perspectiva do Desenho Universal para a Aprendizagem. A fundamentação teórica deste artigo apresenta os princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem, uma breve discussão sobre os jogos como instrumento de ensino dentro de sala de aula, além de trazer a compreensão adotada sobre o cálculo mental e a sua importância. Esta pesquisa, de caráter qualitativo, pretende expor a adaptação/criação de dois jogos, analisando-os como possíveis potencializadores de aprendizagem em relação ao cálculo mental para todos os estudantes, inclusive para o discente cego participante, o que vai ao encontro da principal premissa do Desenho Universal para a Aprendizagem, a possibilidade de aprendizagem e desenvolvimento de todos com equiparação de oportunidades. A partir da pesquisa realizada, notaram-se indícios do desenvolvimento do cálculo mental do estudante foco, potencializado a partir dos jogos, assim como a necessidade de continuidade de estudos e pesquisas, dada a dificuldade de generalização de tais resultados. Amanda Pasinato Cruz Maria Lucia Panossian Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-05-27 2021-05-27 e23/1 22 10.5902/1984686X63445 Percepções dos familiares de estudantes público-alvo da Educação Especial sobre o Atendimento Educacional Especializado https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/39311 <p>A atual política de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva aponta como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem de estudantes público-alvo da Educação Especial (PAEE), devendo os sistemas de ensino garantir a participação da família e da comunidade. Essa interação é necessária para a efetivação do processo de inclusão escolar e o protagonismo da família na avaliação dos serviços especializados ofertados ao alunado. Dessa forma, o estudo objetivou descrever e analisar as percepções dos familiares de estudantes PAEE sobre o serviço de Atendimento Educacional Especializado (AEE) ofertado em um município amazonense de grande porte. Trata-se de uma pesquisa descritiva, desenvolvida por meio de abordagem qualitativa. Participaram um pai e quatro mães de estudantes PAEE, com idades entre 30 e 36 anos. Foi aplicado um roteiro semiestruturado de entrevista em uma escola da rede pública de ensino, localizada na zona norte do município. Os dados foram gravados, transcritos e analisados por meio de elaboração de categorias temáticas, com apreciação de três juízes para a garantia da fidedignidade. Os dados trouxeram indicadores favoráveis no tocante à avaliação e implementação do serviço de AEE a partir da perspectiva dos pais. Os participantes consideraram boa a atuação das professoras da sala de recursos multifuncionais e problematizam aspectos relacionados ao espaço da sala. Os resultados apontam para a necessidade de revisão dos serviços especializados, bem como a análise e a reformulação da atual Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.</p> Samuel Vinente da Silva Junior Fabiana Cia Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-06-21 2021-06-21 e27/1 29 10.5902/1984686X39311 Relato de profissionais do Atendimento Educacional Especializado em uma formação sobre Paralisia Cerebral https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/42569 Com o aumento da demanda de alunos com deficiência na Rede Escolar Pública, houve a criação do Atendimento Educacional Especializado (AEE), cuja formação é primordial para a efetivação da inclusão. O objetivo da pesquisa foi analisar o perfil dos profissionais do AEE da Rede Municipal do Recife, bem como seus relatos e necessidades no processo de inclusão de estudantes com Paralisia cerebral (PC).<strong> </strong>O estudo descritivo, transversal e quanti-qualitativo foi realizado no Centro de Formação de Educadores Professor Paulo Freire, no período de setembro a outubro de 2016<em>, </em>com 144 profissionais do AEE, que participaram de uma formação mediada pelos pesquisadores sobre PC. Foi utilizado um questionário semiestruturado para caracterização profissional dos participantes, além do diário de campo e gravador de áudio, para registro dos discursos. Como resultados, encontrou-se que a maioria dos participantes possui graduação em pedagogia e pós-graduação em educação especial, e trabalham como AEE há cerca de 4 a 10 anos. Os temas que emergiram nos discursos dos participantes foram: causa e quadro clínico da PC; como lidar com a criança com disfunções por PC; diferenças entre PC e outras patologias; demandas dos AEE para atender a este público. Os resultados indicaram o desconhecimento e a insegurança dos profissionais do AEE em lidar com esta população, o que aponta para a necessidade de realização de parcerias entre a saúde e a educação na política de formação, indispensável para a inclusão escolar e qualidade de vida dos alunos com deficiência e dos educadores. Juliana Fonsêca de Queiroz Marcelino Marília de Arruda dos Santos Lauriceia Tomaz da Silva Gomes Lucas de Paiva Silva Laura Bezerra Martins Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-06-21 2021-06-21 e28/1 19 10.5902/1984686X42569 Inclusão escolar de alunos com deficiência na educação de jovens e adultos: um desafio para a gestão da escola pública https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/64202 <p class="CorpodoResumo">A gestão escolar para a inclusão na escola pública brasileira é um desafio em construção, cujos enfrentamentos diários de ordem econômica, material e ideológica dificultam a prática de uma educação emancipatória. Este estudo, cujo objetivo é compreender o processo de gestão escolar voltado para a inclusão de jovens e adultos com deficiência na escola regular noturna do Ceará, a partir da experiência dos gestores dessas escolas, está vinculado ao projeto macro de pesquisa intitulado Inclusão escolar de jovens e adultos com deficiência: vivências e possibilidades de participação plena na escola pública brasileira, constituindo-se da segunda etapa de investigação, que tem por propósito se desenvolver em 4 etapas. O método de investigação utilizado é o estudo de caso, com foco nas experiências de 22 gestores de escolas da rede pública estadual, numa abordagem qualitativa. Neste estudo utilizou-se a entrevista semiestruturada como procedimento de recolha de dados e a análise de conteúdo como técnica de tratamento desses dados. Os resultados evidenciam que, apesar de a legislação ter avançado, ainda são tímidos os processos de melhoria das condições de acessibilidade física, atitudinal e comunicacional nas escolas pesquisadas e que os gestores dessas escolas vivem um momento marcado por intenso processo de transição, que exige a superação de muitos desafios.</p> Gerda de Souza Holanda Marcelino Arménio Martins Pereira Sónia Cristina Mairos Ferreira Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-06-21 2021-06-21 e30/1 23 10.5902/1984686X64202 Pessoas com deficiência em tempos de pandemia da COVID-19: algumas reflexões https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/64354 A pandemia da COVID-19 acontece em um momento em que diversos países estão apoiados em uma política neoliberal e liderados por governos de extrema direita. O contexto brasileiro faz parte desse cenário mundial, destacando-se entre os países com maior número de casos e mortes. O desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) e da educação pública, anterior à pandemia, ampliaram os desafios para a manutenção da vida e escolarização. Essas condições se agravam ao pensarmos nas pessoas com deficiência. Sendo assim, o objetivo deste estudo é problematizar as condições de vida da população brasileira, principalmente das com deficiência, frente à pandemia e ao impacto na sua escolarização. A pesquisa de cunho descritivo, a partir de dados oficiais do poder público, aponta três pontos para reflexão acerca da pessoa com deficiência no que tange a presença dessa população no espaço geográfico, a relação com os grupos de risco e indicadores de pobreza e extrema pobreza. Por fim, pontuamos os possíveis impactos da pandemia na vida e na escolarização de pessoas com deficiência. Diante das barreiras socioculturais vivenciadas por essa população e de sua invisibilidade, nos dados acerca da pandemia, é extremamente importante nos debruçarmos sobre esta temática para que haja a possibilidade de planejamento e implementação de políticas para garantir a vida e escolarização desta população neste momento. Rosimeire Maria Orlando Suelen Priscila Ferreira Alves Silvia Márcia Ferreira Meletti Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-06-21 2021-06-21 e31/1 19 10.5902/1984686X64354 O intérprete de Libras educacional como mediador de subjetividades nas aulas de matemática https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/63937 <p>A presente pesquisa estuda o(a) profissional intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras), em sua atuação de mediar subjetividades presentes nas aulas de matemática. Assim, o objetivo da investigação consistiu em analisar as subjetividades que perpassam pela atuação do(a) intérprete de Libras nas aulas de matemática. A metodologia adotada para esta investigação foi a observação de aulas de matemática e entrevistas semiestruturadas. Para a análise dos dados, optou-se pela Análise do discurso (AD), que alinhada à abordagem pós-estruturalista, fundamenta os conceitos-chave da pesquisa. Percebe-se que o(a) intérprete assim como os demais atores ou atrizes do processo educacional estão em constante devir, deparando-se em sala de aula com suas próprias subjetividades assim como de estudantes, professores(as) e as trazidas pela matemática, que possui uma linguagem própria. Portanto, o(a) intérprete de Libras encontra-se em meio a diversas subjetividades e, é nesse contexto, que ele ou ela desempenha seu papel de mediar línguas – não apenas –.</p> Rayssa Feitoza Felix dos Santos Daniella Rodrigues de Farias Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-07-27 2021-07-27 e34/1 21 10.5902/1984686X63937 Atuação dos professores de Atendimento Educacional Especializado junto aos estudantes com deficiência durante a pandemia do COVID-19 https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/64174 <p>A educação inclusiva acolhe a diversidade no ambiente escolar e as ações do Professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) são importantes para a efetivação da inclusão dos estudantes público-alvo da Educação Especial, que são os que apresentam deficiências, transtornos globais do desenvolvimento ou Altas habilidades/superdotação. Em 2020, as escolas precisaram suspender as aulas presenciais devido à pandemia do COVID-19. Assim, propôs-se esta pesquisa com o objetivo de analisar a atuação dos professores do AEE junto aos estudantes com deficiência da Educação Básica durante o período de isolamento social imposto pela pandemia do COVID-19. Este estudo consiste numa pesquisa descritiva, quantitativa e qualitativa desenvolvida por meio da aplicação de questionário virtual junto aos Professores do AEE. Participaram 100 professores do AEE que atuavam na Educação Básica. Nos resultados e discussão deste estudo apresenta-se, primeiramente, o perfil dos professores de AEE participantes e na sequência sua atuação durante o período da pandemia junto aos estudantes e suas famílias, bem como sua atuação em relação às demandas escolares inerentes a função. Os professores demonstraram preocupação que os estudantes mantivessem uma rotina de estudos para sua aprendizagem, bem como, demonstram sensibilidade às dificuldades que muitas famílias enfrentam em relação à internet e equipamentos para as aulas on-line. Buscavam, então, alternativas viáveis em cada realidade para que isso não fosse mais um aspecto de exclusão, diante de tantos obstáculos já enfrentados pelas famílias neste período. Recomenda-se a ampliação de pesquisas com a participação do Professor do AEE em diferentes regiões do país.</p> Fernanda Matrigani Mercado Gutierres de Queiroz Márcia Helena da Silva Melo Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-07-27 2021-07-27 e35/1 24 10.5902/1984686X64174 Desenho Universal para Aprendizagem e Tecnologia Assistiva: oferta de recursos para aluna com Paralisia Cerebral na classe comum https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/63078 O presente estudo teve por objetivo analisar a implementação de recursos de Tecnologia Assistiva (TA) para uma aluna com Paralisia Cerebral (PC) na classe comum e sua aplicabilidade por meio do Desenho Universal (DU). O método de pesquisa utilizado seguiu os princípios da abordagem qualitativa, embasando-se no modelo de pesquisa colaborativa, cujos participantes foram uma professora da classe comum da educação infantil, uma agente educacional responsável em acompanhar a aluna com paralisia cerebral na classe comum, uma aluna com paralisia cerebral regularmente matriculada e os demais alunos da classe. A coleta de dados ocorreu na sala comum de uma turma da Educação Infantil e foi aplicado um Protocolo para observação sistemática por meio de filmagens da implementação/intervenção dos recursos de TA. Os dados obtidos mostraram que os recursos puderam ser utilizados para suprir as necessidades educacionais da aluna com PC, bem como contribuíram para melhor participação dos demais alunos. Concluiu-se que alguns recursos de TA ganharam caráter de universalização do acesso durante a realização das atividades favorecendo a participação de todos. Rita de Cássia Gomes de Oliveira Almeida Adriana Garcia Gonçalves Gerusa Ferreira Lourenço Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-07-27 2021-07-27 e36/1 22 10.5902/1984686X63078 Educação Especial e Projetos Pedagógicos Curriculares dos cursos de licenciaturas da Universidade Federal do Acre https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/65323 <p>Os Projetos Pedagógicos Curriculares das licenciaturas pressupõem formações inspiradas em concepções inclusivas, conforme a legislação vigente. Esta pesquisa objetivou analisar os projetos dos cursos de licenciaturas da Universidade Federal do Acre, quanto aos aspectos facilitadores da formação para o trabalho, com base nos pressupostos da Educação Especial. Seis projetos foram analisados, por meio de estudos descritivos e bibliográficos. Os resultados evidenciaram concepções e perspectivas de práticas inclusivas nos componentes curriculares, nas referências básicas e complementares, bem como nos estágios supervisionados, realizados após a formação em componentes curriculares de Fundamentos da Educação Especial e da Língua Brasileira de Sinais. A formação docente foi uma proposta advinda dessas análises, visando à incorporação dos pressupostos da Educação Especial às práticas educativas dos professores da Educação Superior. Os documentos legais que davam suporte a alterações nesse sentido datam de 2015. Entretanto, em 2019, o advento de alterações nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação docente constitui um desafio para outras alterações nos projetos desses cursos.</p> Geisa Cristina Batista Marlene Rodrigues Fátima Elisabeth Denari Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-08-31 2021-08-31 e38/1 22 10.5902/1984686X65323 Desenvolvimento de dispositivo assistivo para higiene oral baseado em metodologia de projeto participativo https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/64660 <p>A Tecnologia Assistiva apresenta impacto positivo no desempenho ocupacional de pessoas com deficiência, incluindo crianças e adolescentes com paralisia cerebral, com evidências de melhora na independência e inclusão social, em contextos de educação, trabalho, lazer e domicílio. Muitos desafios acompanham o desenvolvimento e a implementação de produtos assistivos, sendo que o envolvimento do usuário final é importante para minimizar o abandono e melhorar a usabilidade e funcionalidade. Este trabalho teve como objetivo o desenvolvimento de um dispositivo assistivo para higiene oral e teste dos protótipos funcionais resultantes junto ao usuário final, a fim de avaliar sua satisfação e propor melhorias a partir de sua opinião. Foi adotada uma metodologia de projeto participativo, denominada Projet8-TA, que apresenta três macroetapas, nas quais há um conjunto de tarefas apoiadas por técnicas de projeto. Para sua aplicação houve parceria entre profissionais da engenharia e da área da saúde e foi selecionada uma adolescente com alterações neuromotoras decorrentes de paralisia cerebral, que participou ativamente do desenvolvimento e teste dos protótipos. A satisfação da participante foi avaliada através da versão brasileira do instrumento padronizado <em>Quebec User Evaluation of Satisfacion with Assistive Tecnology</em> (B-QUEST – 2.0). Os resultados demonstraram potencialidade da metodologia utilizada em relação a: tempo de projeto reduzido, maior interação entre equipe e usuário e maior assertividade na solução técnica do dispositivo assistivo. Além disso, a participação do usuário final foi fundamental para o andamento do projeto e para o desenvolvimento da versão final do dispositivo assistivo.</p> Luciana Bolzan Agnelli Martinez Maraísa Alves dos Santos Zilda de Castro Silveira Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-08-31 2021-08-31 e39/1 28 10.5902/1984686X64660 Manejo comportamental de crianças com deficiência: avaliação dos efeitos de um programa utilizando os princípios da Análise do Comportamento https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/54536 <p>Para intervir em comportamentos atípicos é necessário compreender as variáveis que os mantém. Para isso, o profissional deve compreender as variáveis das quais o comportamento é função, antes de iniciar qualquer procedimento de modificação comportamental. Os procedimentos mais utilizados são: Reforçamento Diferencial de Comportamento Alternativo (DRA) e Reforçamento Diferencial de Comportamento Incompatível (DRI). Eles possibilitam reforçar um comportamento equivalente funcionalmente, diminuindo a frequência do comportamento atípico. Os reforçamentos diferenciais, quando bem aplicados, podem trazer benefícios como o aumento do repertório de comportamentos adequados e habilidades sociais. Esse estudo pretendeu avaliar os efeitos de um programa, baseado em princípios da Análise do Comportamento, para profissionais da Saúde e Educação, sobre manejo de comportamentos atípicos em atendimento individual. O programa foi aplicado em 18 participantes das áreas da Saúde e da Educação que receberam o material autoinstrucional e foram avaliados antes e após o programa de ensino por meio de um protocolo geral. As médias apresentaram diferenças significativas, com média maior na segunda avaliação. O programa possibilitou uma formação relativamente rápida dentro das possibilidades de cada participante, sendo eficiente tanto para profissionais da Saúde como da Educação.</p> Thais Yazawa Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-08-31 2021-08-31 e42/1 21 10.5902/1984686X54536 Avaliação de vídeo educacional sobre implante coclear: a tecnologia assistiva pela voz do professor https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/64342 <p>O objetivo deste estudo é descrever e discutir a avaliação de vídeo sobre Implante Coclear produzido pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), a partir do olhar dos professores da instituição. O estudo desenvolvido foi quali-quantitativo, tendo como desenho metodológico um estudo avaliativo. Por meio de um questionário elaborado e submetido à validação técnica, de conteúdo e empírica, 52 professores especialistas, ouvintes e surdos, responderam ao instrumento com o propósito de avaliar se o conteúdo do vídeo atendeu à demanda pedagógica sobre o que é a tecnologia, auxiliando-os a lidar de maneira eficaz com o aluno implantado. Como resultado, observou-se que o vídeo atendeu a demanda pedagógica inicial, porém revelou a necessidade de um aprofundamento em relação à prática pedagógica com esses alunos, por ser o INES uma escola bilíngue, cuja língua de instrução é a língua de sinais e a segunda língua, a Língua Portuguesa, apenas na modalidade escrita. Essa questão central trazida nas vozes dos professores relacionada a Língua Portuguesa em uma escola específica para surdos, leva a reflexão sobre um novo tipo de bilinguismo, onde o aluno com implante coclear pode se beneficiar dos processos de aquisição de ambas as línguas, tornando-se um sujeito bilíngue bimodal. Cabe ao Instituto refletir sobre a adaptação de seu projeto político-pedagógico atendendo a especificidade desses alunos, visto que ainda não vem efetivando transformações em sua organização para recebê-los, reconhecendo uma pluralidade linguística dentro de uma perspectiva aditiva e não subtrativa, ao se considerar que ou é uma língua ou outra.</p> Mônica Azevedo de Carvalho Campello Andreia Ferreira de Oliveira Celeste Azulay Kelman Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-09-28 2021-09-28 e46/1 24 10.5902/1984686X64342 O processo de inclusão de alunos com deficiência nas aulas de Educação Física sob a perspectiva de professores do Município de Araucária/PR https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/64538 Esta pesquisa teve como objetivo, descrever o processo de inclusão de alunos com deficiência nas aulas de Educação Física no Município de Araucária (PR), na perspectiva dos professores. Sendo um estudo de caráter qualitativo, foram avaliados dez professores de Ensino Fundamental Anos Iniciais. A coleta de dados realizou-se em duas etapas: primeiramente, foi solicitado à Secretaria Municipal de Educação o fornecimento de dados referentes ao panorama geral de alunos da rede pública de ensino. Em seguida, foram realizadas entrevistas com os professores de Educação Física das escolas públicas municipais. Com isso, os resultados mostram que a maioria dos professores não possui formação específica em Educação Física, o que dificulta a atuação deles, além de que, há carência de materiais nas escolas. Observou-se que os alunos incluídos são atendidos por profissionais de apoio, cuja função é mediar o processo ensino-aprendizagem juntamente com o professor regente. Ainda, ressalta-se que os alunos com deficiência participam ativamente das aulas de Educação Física e têm boa relação social com seus pares. Sendo assim, a inclusão dos alunos com deficiência nas aulas de Educação Física vem sendo efetivada por meio da atitude positiva do professor, que realiza atividades embasadas na perspectiva inclusiva e promove a interação entre os estudantes. Conclui-se que a inclusão de alunos com deficiência nas aulas de Educação Física, depende do esforço de todos os envolvidos e, no Município de Araucária, esse processo vem se desenvolvendo e tem se tornado cada vez mais natural. Bianca Wolski Pauline Peixoto Iglesias Vargas Paula Born Lopes Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-09-28 2021-09-28 e47/1 28 10.5902/1984686X64538 Coensino e Educação Física escolar: intervenções voltadas à inclusão de estudantes com deficiência https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/65968 <p class="1CORPODOTEXTO-ABNTMEL">Sob a perspectiva da educação inclusiva, a Educação Física Escolar (EFE) tem procurado assegurar oportunidades de participação efetiva aos estudantes com deficiência (ECD). Todavia, o professor de Educação Física (PEF) ainda encontra muitos desafios, entre os quais se destaca a falta de serviços de apoio à inclusão em sua área. Surge então o interesse em investigar o coensino como possibilidade de apoio ao PEF. Assim, o objetivo deste trabalho centra-se em descrever e analisar intervenções, por meio da aplicação do coensino pelos agentes protagonistas (PEF, ECD e seus pares), enquanto apoio para promover a inclusão de ECD no contexto da EFE, sob a perspectiva colaborativa. Trata-se de um estudo qualitativo, caracterizado como pesquisa colaborativa. A coleta de dados foi realizada em duas escolas do interior paulista. Os participantes foram três PEF, suas respectivas turmas e um professor colaborador especialista em EFE. Como instrumentos de coleta de dados, foram utilizadas entrevistas semiestruturadas e observação sistemática. O tratamento dos dados foi baseado em análise temática e os resultados foram apresentados em casos, conforme as categorias: a) comunicação; b) coplanejamento; c) distribuição compartilhada de instrução e avaliação; d) resolução de conflito. No caso 1 e 2, foram positivos a intervenção, no caso 3 não, por dificuldades no coplanejamento. Conclui-se que a aplicação do coensino nas aulas de Educação Física é possível e viável, considerando que esta estratégia colaborativa supriu, de maneira específica, as necessidades dos PEF e ECD em dois casos, favorecendo a inclusão no contexto estudado. </p> Melina Radaelli Gatti Mey de Abreu van Munster Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-11-18 2021-11-18 e55/1 26 10.5902/1984686X65968 Educação Precoce: Interações Triádicas e Sistemas Semióticos https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/64551 <p>Este estudo se propõe a analisar as interações triádicas estabelecidas na Educação Precoce, de maneira a compreender os processos semióticos do bebê pré-verbal e o papel educativo de professores nesse contexto. O referencial teórico adotado é a perspectiva pragmática do objeto, que coloca que, para a compreensão do desenvolvimento do pensamento do bebê que ainda não fala, é necessário se trazer à luz a materialidade e o uso cultural de objetos nas interações bebê-adulto-objeto. Nesse sentido, foi realizada uma pesquisa empírica qualitativa com um bebê do sexo feminino, com histórico de prematuridade de 12 meses de idade cronológica, atendido na Educação Precoce, e sua professora. Os dados foram levantados com a ajuda de videogravação de uma sessão de atendimento da professora a esse bebê, com o uso de três objetos específicos. Estes dados foram analisados microgeneticamente, de modo que puderam ser observados os mediadores semióticos e os usos dos objetos empregados pela professora e pelo bebê no compartilhamento dos significados culturais subjacentes a estes sistemas. Os resultados indicam que a Educação Precoce tem um papel importante na construção dos primeiros sistemas semióticos de bebês pré-verbais, e, portanto, no processo de construção do seu pensamento, visto que é um espaço de interações triádicas intencionais, planejadas e consistentes. As práticas educativas contribuem significativamente para o ingresso de bebês na cultura e no mundo de significados, onde o professor atua como parceiro e guia.</p> Lênia Márcia Gonçalves Gabriela Sousa de Melo Mietto Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-11-18 2021-11-18 e56/1 29 10.5902/1984686X64551 Atendimento Educacional Especializado e Práticas Pedagógicas Inclusivas https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/68898 <p>Editorial</p> Carlo Schmidt Eliana da Costa Pereira de Menezes Clenio Perlin Berni Carla Luciane Blum Vestena Carla Maria de Schipper Bernadete de Fatima Bastos Valentim Copyright (c) 2021 https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e58/1 2 10.5902/1984686X68898 Bem-estar psicológico em estudantes universitários mexicanos: prevenção e atendimento especializado https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67125 <p>O bem-estar psicológico do estudante universitário é importante para o seu desenvolvimento como estudante e futuro profissional. Se for baseado no bem-estar psicológico positivo, terá resultados favoráveis ​​em todos os contextos a partir dos quais se desenvolve. O objetivo desta pesquisa foi analisar o bem-estar psicológico em estudantes universitários dos cursos de Educação Normal Especial e Pré-Escolar, foi um estudo descritivo e utilizou-se um delineamento experimental, aplicando-se a escala de Bem-estar Psicológico de Ryff com 6 dimensões. Participaram da pesquisa 151 universitários de ambas as licenciaturas, com idades entre 18 e 22 anos. que estavam no segundo, quarto, sexto e oitavo semestres. Os resultados indicam que na dimensão autoaceitação está em um nível baixo com 62% e 27% em um nível alto. O crescimento pessoal a um nível médio com 45%, a um nível alto com 14%. É importante desenvolver programas de intervenção que promovam o atendimento educacional especializado para o bem-estar psicológico dos estudantes universitários. Além disso, a intervenção ao nível da prevenção em benefício de todos os membros da instituição é urgente e necessária. Em conclusão, os níveis médio e baixo alcançaram a pontuação mais alta obtida nos estudantes universitários, se o contexto em que está localizado em Normal Tejupilco, no México, for levado em consideração com as circunstâncias que enfrentam no dia a dia.</p> Leticia Carreño Saucedo Salvador Bobadilla Beltràn Daniel Cardoso Jimenez Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-12-27 2021-12-27 e59/1 17 10.5902/1984686X67125 A identificação das necessidades das famílias como base para promoção de um programa de intervenção precoce https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67416 <p>Os programas de intervenção precoce com crianças com deficiência evoluíram de uma perspectiva de estimulação, assente no trabalho terapêutico individual, para uma abordagem centrada na família. A implementação de serviços deste tipo implica um claro conhecimento das necessidades das famílias e suas características, pelo que o primeiro passo deverá ser a respectiva avaliação. Neste estudo procuramos identificar as necessidades das famílias de crianças com deficiência, assistidas na Associação dos Amigos e Pais de Pessoas Especiais, em Maceió, Brasil. Participaram 28 famílias e os dados foram coletados através de dois questionários que avaliam a forma como os pais identificam as necessidades da criança e deles mesmos. Os resultados mostram que o que mais inquieta as famílias se relaciona com o futuro, a saúde e o desenvolvimento da criança. Em geral, têm dificuldade em saber o que fazer para promover o desenvolvimento, não conhecem como ele ocorre, sabem pouco sobre opções de serviços e recursos disponíveis e registam pouca participação social. Globalmente as necessidades de informação são as mais valorizadas, assim como necessidades financeiras e a falta de acesso a serviços na comunidade. A falta de informação é especialmente impeditiva do seu envolvimento e empoderamento. Estes resultados apontam para a importância de conceber serviços e programas que respondam às necessidades das famílias e que possam ser efetivamente eficazes para as crianças. A identificação das necessidades e resultados esperados também permitirá avaliar posteriormente o impacto da intervenção e assim contribuir para o percurso escolar inclusivo das crianças.</p> Vitor Franco Jaylson Bandeira Fernandes de Castro Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial 2021-12-27 2021-12-27 e60/1 21 10.5902/1984686X67416 Prática de conflitos sociopedagógicos em sala de Recursos Multifuncional para Altas Habilidades/Superdotação https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67108 <p>Estudantes com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), são reconhecidos pelos comportamentos diferenciados relacionados à habilidade acima da média, criatividade e envolvimento com a tarefa. Considerando a necessidade de promover a interação social entre eles, o objetivo deste artigo é analisar uma prática de discussão de conflitos sociopedagógicos, realizada com estudantes que têm AH/SD, na sala de recursos multifuncional. Trata-se de uma pesquisa exploratória desenvolvida por meio de uma proposta de intervenção, baseada em conflitos sociopedagógicos, a partir da teoria piagetiana. As participantes foram duas estudantes com AH/SD, matriculadas na sala de recursos multifuncionais para Altas Habilidades/Superdotação dos anos finais do Ensino Fundamental. Os resultados demonstraram que a discussão de conflitos sociopedagógicos promoveu o envolvimento e a interação entre os estudantes. O estudo concluiu que é fundamental desenvolver práticas pedagógicas voltadas para a interação social dos estudantes por meio de ambientes cooperativos em que os estudantes com AH/SD possam ser agentes ativos, trazendo os seus conflitos para serem discutidos em sala de aula e construindo com eles interação social de qualidade. </p> Bernadete de Fatima Bastos Valentim Carla Luciane Blum Vestena Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e61/1 19 10.5902/1984686X67108 A educação escolar indígena e o desenvolvimento de talentos entre os Terena: desafios e perspectivas https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67478 <p>O desenvolvimento dos talentos em comunidades não tradicionais é pauta emergente na educação de superdotados em vários países. Apesar dos avanços na legislação brasileira, ainda são incipientes as pesquisas com esta temática e inexistente o atendimento de alunos talentosos em comunidades indígenas. Diante desse desafio, este estudo de caso teve o objetivo de descrever como o talento é percebido e desenvolvido entre os Terena a partir da percepção de um de seus reconhecidos líderes. A recolha dos dados foi realizada por meio de análise documental e entrevistas. Os resultados evidenciaram a persistência de barreiras como: o preconceito e desconhecimento das potencialidades e talentos indígenas, a lacuna na formação de professores, a escassez de recursos e de oportunidades adequadas à diversidade cultural indígena. Com base nos resultados evidenciados, recomenda-se para pesquisas futuras a elaboração de indicadores para a formalização de processos de identificação e a oferta de atendimento educacional especializado para crianças e jovens Terena talentosos.</p> Jane Farias Chagas-Ferreira Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e62/1 24 10.5902/1984686X67478 O atendimento educacional especializado na constituição do autoconceito de pessoa superdotada https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67141 <p>Este artigo é recorte de uma pesquisa e tem como objetivo traçar relações entre o atendimento educacional especializado e a construção de uma identidade de pessoa superdotada. Os participantes foram quatro superdotados, com idade entre 19 e 22 anos, dois rapazes e duas moças, dois alunos oriundos do ensino público e dois que cursaram a educação básica em instituições privadas. Todos realizaram processo investigativo de potencial cognitivo antes de finalizar a etapa dos anos iniciais do Ensino Fundamental. A coleta de dados se deu em modo remoto. Os instrumentos foram questionários e inventários, bem como relatórios de avaliação dos participantes, sendo que a entrevista semiestruturada forneceu os dados que basearam as análises presentes nesse artigo. Foi possível apurar a importância da participação no atendimento educacional especializado, no que diz respeito ao desenvolvimento de elementos tais como autoconceito, autorreferência e senso de pertencimento. Ainda foi possível verificar que o precoce senso de identidade do superdotado pode ser entendido como fator protetivo ao seu desenvolvimento socioemocional. O atendimento educacional especializado, entendido como suporte social, também pode ser colaborador no desenvolvimento das habilidades sociais. Por fim, compreendeu-se que, nos casos descritos, a superdotação pôde ser compreendida como um fator de proteção ao desenvolvimento das habilidades socioemocionais no jovem superdotado adulto.</p> Christianne Rocio Storrer Oliveira Maria de Fatima Joaquim Minetto Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e63/1 22 10.5902/1984686X67141 Planejamentos pedagógicos voltados para crianças com deficiência intelectual: experiências colaborativas a partir da ação do Atendimento Educacional Especializado https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67106 <p>Esse artigo abordou a temática de planejamentos pedagógicos para crianças com deficiência intelectual, numa perspectiva de articulação entre o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e a sala comum. O objetivo do estudo foi mapear as produções científicas que pudessem fornecer indicadores para auxiliar nesses planejamentos pedagógicos com perspectiva colaborativa. Tratou-se de uma revisão sistemática, com critérios e estratégias de busca que levaram em consideração a qualidade de uma revisão de literatura a partir da <em>Assessing the Methodological Quality of Systematic Reviews</em> (AMSTAR). Os resultados indicaram 459 trabalhos considerando os termos mais relevantes vinculados à prática pedagógica no Tesauros Brasileiro de Educação, quais sejam: formação de professores, recursos de ensino e currículo. Após aplicação dos filtros, foram analisados na íntegra 74 estudos, cujos principais indicadores foram: atividades pedagógicas individualizadas e diferenciadas com utilização de adaptações curriculares; formação de professores com ênfase para uma assunção da pessoa com deficiência como sujeito que aprende; mediação do conhecimento e ênfase em colaboração entre os professores de apoio e da sala comum; práticas pedagógicas que consideram características e maneiras diferentes de acesso ao conhecimento. Concluímos que os estudos problematizam questões vinculadas ao campo da didática, porém, alguns ainda desconsideram aspectos da ação docente desenvolvida com e para essas crianças, priorizando elementos que promovem a participação delas em atividades da sala comum.</p> Jáima Pinheiro de Oliveira Maria Almerinda de Souza Matos Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e64/1 26 10.5902/1984686X67106 Deficiência e interseccionalidade: culturas, políticas e práticas educacionais em debate https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/68899 <p>Editorial</p> Carlo Schmidt Eliana da Costa Pereira de Menezes Clenio Perlin Berni Mônica Pereira dos Santos Jacqueline de Souza Gomes Laura Ceretta Moreira Copyright (c) 2021 https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e65/1 6 10.5902/1984686X68899 Competências dos professores para a atenção da diversidade na sala de aula https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67482 <p>O objetivo deste artigo, é analisar a formação proporcionada pelas universidades do Consejo de Rectores de las Universidades Chilenas (CRUCH) aos futuros professores, dando especial atenção às competências com que se formam para atender à diversidade dos alunos presentes nas escolas nacionais. Diversidade que não se esgota apenas na atenção dos alunos com necesidades educativas especiales (NEE), ou em situação de deficiência, mas considera também outros grupos que exigem ser, igualmente, incluídos. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa se enquadra em uma abordagem qualitativo-descritiva com desenho de casos múltiplos atendendo à multiplicidade de unidades de análise composta pelas universidades do CRUCH que ensinam pedagogias. Do ponto de vista das técnicas de coleta de dados, privilegiou-se a análise de documentos da internet. O corpus documental foi constituído pelos itinerários formativos e perfis profissionais declarados nas respetivas páginas webs institucionais. Entre os principais achados, destaca-se a crescente preocupação das universidades com a educação inclusiva (EI). No entanto, ela tende a se concentrar na preparação de professores para atender estudantes com NEE, negligenciando tanto os outros grupos, incluindo indígenas e migrantes, quanto uma perspectiva intercultural, bem como outras questões relacionadas a gênero e inclusão de estudantes dissidentes que questionam os paradigmas patriarcais e heterossexistas. A título de conclusão, estabelece-se que o maior desafio para essas instituições é ampliar as noções e grupos beneficiários da EI, além de absorver a filosofia que lhe está subjacente.</p> Juan Cornejo-Espejo Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e66/1 21 10.5902/1984686X67482 A sobre-representação dos estudantes de minorias culturais e linguísticas nos percursos de educação especial: uma revisão da literatura na Europa https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67417 O objetivo deste artigo é rever a literatura europeia publicada entre 2000 e 2020, sobre a questão da sobrerepresentação dos estudantes de minorias culturais e linguísticas (MCL) que são diagnosticados e rotulados pelas administrações educacionais como estudantes com deficiências, ou com Necessidades Educacionais Especiais (NEE). As pesquisas, realizadas nas bases de dados ERIC, SCOPUS e Web of Science, incidiram nas abordagens teórico-metodológicas destes estudos. Nosso interesse está focado nas abordagens teóricas e metodológicas para esses estudos. Os artigos analisados foram categorizados em 4 tipos de contribuições: a) organização escolar e desempenho acadêmico dos estudantes; b) vieses profissionais; c) procedimentos de diagnóstico e rotulagem; e d) a relação entre as desigualdades estruturais e a super-representação. Uma das principais conclusões desse estudo indica que, embora em muitos casos tenha sido adotada uma perspectiva uniaxial como a chave para a compreensão do fenômeno, com enfoque em fatores individuais tais como o preconceito profissional, o desempenho escolar, a natureza dos testes de diagnóstico, nos últimos anos tem havido uma mudança na forma como a investigação sobre a sobrerepresentação está a abordar a questão. Maria Antonietta Chieppa Marta Sandoval Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e67/1 25 10.5902/1984686X67417 A natureza da interpelação de "Deficiência": Política e práticas emergentes https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67662 <p>O presente trabalho pretende apresentar uma reflexão teórica crítica que compreende dois momentos: o primeiro sobre o percurso dos modelos sobre a história da deficiência e as questões que daí decorrem, e o segundo, como proposta, para a realização de uma escovagem. da história para dar lugar à função de interpelação da "deficiência". A função política da "deficiência" é introduzida como possibilidade de transformar realidades em outras possíveis ao revelar, entre outras, algumas causas de discriminação e exclusão pelo efeito de arrombamento, abalando os alicerces de uma concepção de normalidade baseada numa perspectiva econômica, sistema político e social, e levantam a necessidade de transformá-lo a partir de várias dimensões, estabelecendo uma ética como responsabilidade e custódia da alteridade.</p> Blanca Estela Zardel Jacobo María Cristina Hernández Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial (UFSM) https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e68/1 18 10.5902/1984686X67662 Com deficiência, mulher e refugiada: uma tríade omnileticamente interseccional https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67656 <p class="CorpodoResumo">Sabe-se que dentre os grupos minoritários, o das pessoas com deficiência é o mais numeroso no mundo (ONU, 2016). Entre a população de refugiados, cerca de 7 a 10% são pessoas com deficiência (NOGUEIRA, 2017). No Brasil, a média de mulheres pleiteantes à condição de refugiadas é relativamente próxima à de homens: 44,75 e 55,23%, respectivamente (SILVA, G. J. et al, 2020). Estes dados garantem às pessoas com deficiência o status de um forte marcador identitário, assim como lhes conferem alto status de representatividade perante outras minorias, os quais, em si mesmos, seriam motivos suficientes para a garantia de políticas públicas favoráveis à inclusão de quaisquer pessoas cujo marcador se iniciasse pela deficiência em todos os níveis educacionais, inclusive o Superior. Contudo, não é assim que a realidade concreta se mostra. Estes números pioram quando as pessoas com deficiência a quem nos referimos são mulheres refugiadas. Com o objetivo de ampliar as discussões que envolvem as pessoas com deficiência para além do marcador “deficiência” em si, este artigo pretende discutir as temáticas cruzadas (interseccionadas) de mulheres refugiadas e com deficiência, revelando e desvelando o interjogo entre culturas, políticas e práticas dialética e complexamente presentes neste quadro interseccional. Trata-se de um estudo exploratório tendo por referencial analítico a perspectiva Omnilética de Santos (2013) e o conceito de interseccionalidade. As perguntas que nos inspiram são: Como a ciência tem tratado esses assuntos? Têm eles sido estudados interseccionalmente? Qual a produção científica já produzida neste sentido? Nossas conclusões apontam para a confirmação de nossas suspeitas no sentido da necessidade de investimento em produção de conhecimento em uma perspectiva interseccional acerca de mulheres refugiadas com deficiência, tendo em vista subsidiar o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas que lhes assegurem o direito de uma vida minimamente digna.</p> Mônica Pereira dos Santos Mylene Cristina Santiago Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial (UFSM) https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e69/1 17 10.5902/1984686X67656 O crescer bilíngue de Codas: memórias da infância na passagem pela escola https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67637 <p>O artigo tem como objetivo identificar as marcas identitárias de filhos ouvintes de pais surdos – Codas, como sujeitos bilíngues e biculturais, que se estabelecem na escola. Trata-se de um recorte dos enunciados produzidos em uma pesquisa de doutorado na área da Educação, no encontro do pesquisador com quatro Codas, de diferentes estados brasileiros. O método empregado na produção dos dados se ancora na concepção da metodologia biográfico-narrativa, sendo sua análise e discussão organizadas em núcleos de significação. A investigação evidenciou marcas identitárias que constituem a singularidade dos sujeitos pesquisados. À luz dos estudos bakhtinianos a materialidade da apreensão do objeto de análise perfila sobre a formação do ser Codas pela alteridade, na fronteira de duas línguas e culturas de prestígio social diferentes, em suas memórias da/na escola. Todavia os contornos identitários circunscrevem enunciados de um “mundo precoce adulto” que incide sobre a infância, fora dos muros escolares. Tais aspectos convocam os profissionais da educação a refletirem sentidos outros, no tempo e espaço das experiências dos que se reconhecerem ou não ouvintes, na visualidade da língua de sinais com seus pais surdos.</p> Ricardo Ernani Sander Sandra Eli Sartoreto Martins Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial (UFSM) https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e70/1 20 10.5902/1984686X67637 Deficiência, Reconhecimento e (In)Justiça: apontamentos sobre a situação de mulheres com deficiência encarceradas e encarceradas mães de pessoas com deficiência no Brasil https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67647 <p>Contradições e opressões <em>invisibilizadas</em> pulsam se atentamos à situação das mulheres, especialmente as com deficiência ou as mães de pessoas com deficiência, no sistema prisional brasileiro. O contexto prisional reproduz uma sociedade sexista, patriarcal e conservadora, excluindo as especificidades que compõem o universo das mulheres, seja em relação à orientação sexual, raça, idade, deficiência, maternagem, nacionalidade, etc. À luz da justiça como reconhecimento, utilizando-nos da pesquisa documental e bibliográfica, refletimos sobre como o negligenciamento da diversidade de experiências de reconhecimento violam identidades e negam direitos básicos às mulheres com deficiência encarceradas bem como às encarceradas mães de pessoas com deficiência. Nosso objetivo foi investigar se há ausência de reconhecimento destas mulheres expressa pela precariedade de dados, estudos e indicadores, a ocultar, por consequência, violações no acesso à direitos básicos destas e de sua prole. A argumentação está estruturada em dois eixos, a saber: a) análise crítica sobre a invisibilidade dos estudos sobre mulheres com deficiência e encarceradas mães de pessoas com deficiência no Brasil à luz da justiça como reconhecimento; b) estudo de caso sobre direitos (e violações) das mães de pessoas com deficiência encarceradas a partir do Habeas Corpus Coletivo 165.704, que sinaliza a substituição da prisão cautelar por domiciliar de mães de menores de 12 anos e de pessoas com deficiência. Enquadrar a situação destas mulheres em termos de justiça como reconhecimento reverbera o caráter relacional da justiça e, a partir daí, reforça esta necessária discussão sobre a estruturação do nosso <em>ethos</em> social, que nos faz capacitistas e legitimadores/as de uma sociedade que pune pessoas pelo que são, não pelo que fazem.</p> Jacqueline de Souza Gomes Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial (UFSM) https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e71/1 25 10.5902/1984686X67647 Perspectiva inclusiva no contexto do ensino de engenharia e tecnologia https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67646 <p id="docs-internal-guid-798c7543-7fff-789d-b92a-1e3b207e2cf8" dir="ltr" style="line-height: 1.2; text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;">Pesquisa de abordagem qualitativa, tendo como objeto de estudo os anais do Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE) dos últimos cinco anos. Este evento está relacionado à Associação Brasileira de Educação em Engenharia (ABENGE), ocorre desde 1973 com periodicidade anual e visa promover a melhoria do ensino de graduação e pós-graduação em engenharia e tecnologia no Brasil. A opção pela análise de um congresso de educação em engenharia fundamenta-se na literatura que aborda a inclusão para além do contexto da escola básica. O objetivo foi verificar quais as possíveis discussões sobre inclusão existiam na área da Engenharia, considerada, por alguns, como “ciência dura”. Foi utilizada a palavra inclusão como descritor e os resultados indicaram que o processo de inclusão, alvo de diversas pesquisas na área de Ciências Humanas, também está presente na área de Ciências Exatas, em uma associação relacionada ao ensino, destacando-se a inclusão de pessoas com deficiência e minorias, bem como a preocupação com a inclusão de mulheres, público este, até certa época na invisibilidade.</p> Eliana Marques Zanata Silvia Regina Vieira da Silva Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial (UFSM) https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e72/1 22 10.5902/1984686X67646 Crianças e adolescentes com deficiência em situação de violência: cruzamento de conectores sociais https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/67913 <p>O artigo objetiva discutir as vulnerabilidades e exclusões vivenciadas por crianças e adolescentes com deficiência, assim como analisar as condições dessa população no que se refere às situações de violência, sobretudo, a intrafamiliar. Sendo assim, deficiência e violência, e seus conectores sociais, são focos deste artigo. O estudo se apoia na abordagem qualitativa com perspectiva descritivo-analítica, recorrendo às fontes documentais constantes em sítios públicos, censos educacionais e relatórios institucionais das secretarias municipais de assistência social dos municípios em estudo; esses últimos dados, por sua vez, caracterizam-se como fontes primárias de pesquisa. O lócus de análise ocorreu em dois municípios paranaenses, pertencentes à região metropolitana de Curitiba/PR, entre os anos de 2015 e 2021. Os dados mapearam situações de agressões e maus-tratos, e permitiram a análise cruzada das categorias: situação econômica das famílias e gênero. Dentre os resultados encontrados, destacam-se: a relação entre as precárias condições socioeconômicas das famílias e a deficiência; o quanto as crianças e adolescentes com deficiência experimentam taxas mais altas de violência, se comparadas com seus pares sem deficiência; quanto à questão de gênero, o município A revelou que 79,66% da violência se deu para o gênero feminino, já o munícipio B observou-se que 75% dos casos de violência foram contra o gênero masculino. As conclusões apontam para a necessidade do adensamento de estudos sobre deficiência e violência com relação a outros conectores sociais; a importância da ampliação da rede de apoio às famílias e da formação qualificada de profissionais da saúde e da educação, enquanto política pública.</p> Laura Ceretta Moreira Fabíola Rodrigues Del Mouro Copyright (c) 2021 Revista Educação Especial (UFSM) https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ 2021-12-27 2021-12-27 e73/1 19 10.5902/1984686X67913