A ação avaliativa na área da deficiência intelectual: entre improvisos e incertezas

Anna Augusta Sampaio de Oliveira

Resumo


Este artigo trata da avaliação pedagógica do escolar com deficiência intelectual em uma perspectiva inclusiva, no contexto do Serviço Educacional Especializado (AEE). O objetivo é analisar como a avaliação nesta área é realizada considerando dois eixos: a identificação e encaminhamento para a sala de recursos multifuncional (SRM) e a avaliação pedagógica realizada pelo professor especializado para o acompanhamento da aprendizagem dos alunos. Busca identificar se existem indicadores ou referências que orientam a ação de avaliação e se elas orientam o trabalho pedagógico em SRM. Para a análise dos dados, utilizou-se o software Atlas Ti, que possibilitou a codificação e categorização das respostas, buscando as unidades de análise e, teoricamente, o estudo esteve baseado no método genético-causal de Vygotski (2001; 2004). Os principais resultados apontam para uma lacuna entre o que é proposto em lei e as condições para sua realização no cotidiano dos sistemas de ensino e a identificação da condição de deficiência intelectual por meio do diagnóstico médico em detrimento da avaliação do processo pedagógico. Os critérios de avaliação apresentam-se indefinidos, no sentido de qual seria o papel do SMR na área da deficiência intelectual em relação à escolaridade do aluno. Novamente, destaca-se o desequilíbrio entre avaliar as potencialidades ou avaliar se a condição apresentada se refere à deficiência intelectual.


Palavras-chave


sala de recursos multifuncionais; critérios de avaliação pedagógica; escolarização

Texto completo:

PDF

Referências


ANACHE, Alexandra Ayach.; RESENDE, Danielly Araújo Rosado. Caracterização da avaliação da aprendizagem nas salas de recursos multifuncionais para alunos com deficiência intelectual. Revista Brasileira de Educação, vol. 21, núm. 66, julio-septiembre, 2016, pp. 569-591

ANJOS, Hildete Pereira dos. Analisando um recorte local das Políticas Brasileiras para a Educação Inclusiva. In: MENDES, E.G.; CIA, F. (orgs.) Inclusão Escolar e o Atendimento Educacional Especializado. São Carlos: ABPEE, 2014, p.41-58.

ARANHA, Maria Salete Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência. Revista do Ministério Público do Trabalho, ano XI, mar.2001, p.160-173.

ARANHA, Maria Salete; ADAMS, David Michael. Organização dos Serviços de Educação Especial nos Estados Unidos: uma análise crítica. In: GIROTO, Claudia Regina Mosca. et.al. (orgs). Servicios de apoyo em Educación Especial: una mirada desde diferentes realidades. Alcalá de Henares (Espanha): Universidad de Alcalá, 2014, p.37-54.

BRANDÃO, Ida. La Educácion Especial em Portugal. In: GIROTO, Claudia Regina Mosca. et.al. (orgs). Servicios de apoyo em Educación Especial: una mirada desde diferentes realidades. Alcalá de Henares (Espanha): Universidad de Alcalá, 2014, p.79-104.

BRASIL. Ministério da Educação. Nota Técnica Nº 04, de 23 de janeiro de 2014. Orientação quanto a documentos comprobatórios de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação no Censo Escolar. Brasília, DF: MEC/SECADI/DPEE, 2014.

BRASIL. Ministério da Educação. Atendimento Educacional Especializado para o aluno com deficiência intelectual. Brasília: MEC;SEESP, 2010.

BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, janeiro de 2008.

BRIDI, Fabiane Romano de Souza. Avaliação inicial no atendimento educacional especializado: dilemas e consequências. Revista Educação Especial. v. 25, n. 44, p. 499-512, set./dez. 2012.

DAINÊZ, Débora. A inclusão escolar de crianças com deficiência mental: focalizando a noção de compensação na abordagem histórico-cultural. 2009, 148p. Dissertação (Mestrado). Programa de Pós Graduação em Educação, Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP. Piracicaba (SP), 2009.

DAINÊZ, Débora. A formação da criança com deficiência intelectual na condição da educação inclusiva: algumas considerações. In: MONTEIRO; FREITAS; CAMARGO (orgs.). Relações de ensino na perspectiva inclusiva: alunos e professores no contexto escolar. Araraquara, SP: Junqueira&Marin, 2014, p.59-83.

DENARI, Fátima Elisabeth. De classes especiais e atendimento educacional especializado: a elegibilidade de alunos como foco. Revista Diálogos e Perspectivas em Educação Especial , v. 1, n.1, p. 45-52, Jun.-Dez., 2014.

FERREIRA, Maria Cecília Cacareto. Prefácio. In: MONTEIRO, Maria Inês Bacellar.; FREITAS, Ana Paula de.; CAMARGO, Evani Andreatta Amaral (orgs.) Relações de Ensino na Perspectiva Inclusiva: alunos e professores no contexto escolar. Araraquara: Junqueira & Marin, 2014, p.13-21.

GALVÃO FILHO, Teófilo Alves. Tecnologia assistiva para uma escola inclusiva: apropriação, demanda e perspectivas. 2009. Fls346. Tese (doutorado) - Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2009.

HERADÃO, Júlia Gomes. Avaliação Pedagógica para decisão de atendimento em SR de DI: aspectos relevantes na perspectiva de professores especialistas. São Carlos/SP, 2014, 126p. Dissertação. Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal de São Carlos.

JESUS, Denise Meyrelles; AGUIAR, Ana Marta Biachi. O calcanhar de Aquiles: do mito grego ao desafio cotidiano da avaliação inicial nas salas de recursos multifuncionais. Revista Educação Especial. v. 25 . n. 44, p. 399-416, set./dez. 2012.

JESUS, Denise Meyrelle.; VIEIRA, Alexandro Braga; GONÇALVES, Agda Felipe Silva. Observatório Nacional de Educação Especial no Estado do Espírito Santo: compreendendo o funcionamento das Salas de Recursos Multifuncionais pela via da Formação Docente. In: MENDES, E.G.; CIA, F. (orgs.) Inclusão Escolar e o Atendimento Educacional Especializado. São Carlos: ABPEE, 2014, p. 91-106.

MALHEIRO, Cecília Lima; MENDES, Enicéia Gonçalves. Sala de Recursos Multifuncionais: formação, organização e avaliação. Jundiaí: Paco Editorial, 2017, 244p.

MENDES, Enicéia Gonçalves; MALHEIRO, Cecília Lima. Sala de recursos multifuncionais: é possível um serviço “tamanho único” de atendimento educacional especializado? In: MIRANDA, Terezinha Guimarães; GALVÃO FILHO, Teófilo Alves (orgs). O professor e a educação inclusiva: formação, práticas e lugares. Salvador: EDUFBA, 2012. P. 343-359.

MCGHIE-RICHMOND, Donna; SUNG, A.N. Applying Universal Design for Learning to Instructional Lesson Planning. Disponível em: file:///F:/SME%20-%20SP/EScrita%20documentos%20curriculo/[A]%20UDL%202.pdf. Acesso em 03/11/2017.

OLIVEIRA, Anna Augusta Sampaio de. Conhecimento Escolar e Deficiência Intelectual: dados da realidade. Curitiba, CRV, 2018, 168p.

OLIVEIRA, Anna Augusta Sampaio de. Atendimento Educacional Especializado: Nova Proposta? Velhos Problemas In:MENDES, Enicéia Gonçalves; ALMEIDA, Maria Amélia. (orgs.) Inclusão Escolar e Educação Especial no Brasil: Entre o Instituído e o Instituinte.1ª ed.Marília : ABPEE, 2016, v.I,378p.

OLIVEIRA, Anna Augusta Sampaio de. Um diálogo Esquecido: a vez e a voz de adolescentes com deficiência. Bauru: Práxis, 2007.

OLIVEIRA, Anna Augusta Sampaio de, LEITE, Lúcia Pereira. Construção de um sistema educacional inclusivo. Ensaio. Avaliação e Políticas Públicas em Educação. v.15, p.511 - 524, 2007.

OLIVEIRA, Cássia Carolina Braz; MANZINI, Eduardo José. Encaminhamento e Perfil do Público-Alvo da Educação Especial de uma Sala de Recursos Multifuncionais: Estudo de Caso. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 22, n. 4, p. 559-576, Out.-Dez., 2016.

PADILHA, Anna Maria Lunardi. Práticas Pedagógicas na Educação Especial: a capacidade de significar o mundo e a inserção cultural do deficiente mental. Campinas: Autores Associados, 2001.

PLETSCH, Márcia Denise; ROCHA, Maíra Gomes de Souza da; OLIVEIRA, Mariana Corrêa Pitanga de. Organização e oferta do Atendimento Educacional Especializado para alunos com deficiência intelectual e múltipla na Baixada Fluminense. Revista Linhas. Florianópolis, v. 17, n. 35, p. 102-121, set./dez. 2016.

PLETSCH, Márcia Denise. A escolarização de pessoas com deficiência intelectual no Brasil: da institucionalização às políticas de inclusão (1973-2013). Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, 22(81). Arizona State University. 2014. Acesso em 20 de maio de 2015. Disponível em: http://epaa.asu.edu/ojs/

PORTER, 1997, apud RODRIGUES, Luzia Lima, et.al. (orgs.). Percursos em Educação Inclusiva em Portugal: dez estudos de caso. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa, 2007,

SCAVONI, Mariana Paula Pereira.., OLIVEIRA, Anna Augusta Sampaio de. Formação de professores na escola inclusiva brasileira: o ponto de vista do profissional do Atendimento Educacional Especializado In: Pedagogia 2015. Encuentro Internacional por la unidad de los educadores.. Habana - Cuba: Ministerio de Educacion, 2015. p.1641 – 1662.

TARTUCCI, Dulcéria; CARDOSO, Camila Rocha; FLORES, Maria Marta Lopes. Salas de Recursos Multifuncionais em Góias: formação docente e organização do trabalho pedagógico. In: MENDES, E.G.; CIA, F. (orgs.) Inclusão Escolar e o Atendimento Educacional Especializado. São Carlos: ABPEE, 2014, 238 p.

VELTRONE, Aline Aparecida; MENDES, Enicéia Gonçalves. Caracterização dos profissionais responsáveis pela identificação da deficiência intelectual em escolares. Revista Educação Especial, vol. 24, núm. 39, enero-abril, 2011, pp. 61-75

VYGOTSKI, Lev Semenovich; LURIA, Alexander Romanovich. Estudos sobre a história do comportamento: o macaco, o primitivo e a criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996, 252p.

VYGOTSKI, Lev Semenovich. Fundamentos da Defectologia – Obras Completas – tomo cinco. Cuba: Editorial Pueblo y Educación, 1997. 391p.

VYGOTSKI, Lev Semenovich. A Construção do Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2001, 496 p.

VYGOTSKI, Lev Semenovich. Teoria e Método em Psicologia. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.




DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1984686X33065

CONTATO:

E-mail: revistaeducacaoespecial.ufsm@gmail.com

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
Centro de Educação - Lapedoc
Av. Roraima, 1000 - Cidade Universitária
97105-900 - Santa Maria - RS, Brasil.
Telefone: +55 55 3220 8795

Link: https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial

 

ISSN eletrônico: 1984-686X

DOI10.5902/1984686X

Qualis/Capes: Educação A2

 

 

Periodicidade – Trimestral

Primeiro trimestre, jan./mar., limite para publicar a edição 31 março.

Segundo trimestre, abr./jun., limite para publicar a edição 30 junho.

Terceiro trimestre, jul./set., limite para publicar a edição 30 setembro.

Quarto trimestre, out./dez., limite para publicar a edição 31 dezembro.

Os dizeres acima dizem respeito somente à data de publicação da edição e não ao envio de artigos.

O recebimento de artigos caracteriza-se por fluxo contínuo sem que seja possível prever a data de sua publicação.

 

 Creative Commons License

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0)

Contador de visitas
click counter
Contador de visitas

Acessos a partir de 30/11/2016

____________________________________________________