A trajetória da natureza na geografia escolar brasileira: permanências e mudanças

Dayane Galdino Brito

Resumo


A partir da perspectiva teórica da história das disciplinas escolares, buscou-se compreender o percurso histórico do ensino da natureza, enquanto uma dimensão do espaço geográfico, na Geografia Escolar brasileira. A metodologia utilizada foi à revisão bibliográfica. Identificou-se que os conteúdos relacionados à natureza sempre estiveram presentes na Geografia Escolar, assumindo diferentes concepções em cada período: nomenclaturas de “acidentes geográficos”; base para sobreposição das atividades humanas; reduzida a recursos naturais; como primeira e segunda natureza. Estas concepções, por vezes, coexistem no contexto atual, por meio da prática pedagógica do professor e nos materiais didáticos. Na atualidade, as discussões acadêmicas do ensino de Geografia e as políticas curriculares (BNCC), concebem que o ensino dos componentes físico-naturais do espaço geográfico deve estar vinculado à relevância social e à compreensão dos problemas ambientais resultantes da interação entre a indissociabilidade dos elementos formadores do Planeta e o atual estágio intervenção técnica da sociedade, a partir da realidade local dos alunos. Portanto, constitui um desafio à formação do professor de Geografia a superação das permanências no ensino dos componentes físico-naturais como a fragmentação do conhecimento, definições prontas, desarticulados das questões sociais e da vivência dos alunos, dentre outras, que inviabilizam a formação para a cidadania.

 


Palavras-chave


Ensino; Geografia Acadêmica; Geografia Escolar; Natureza

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DOI: https://doi.org/10.5902/2236499441837

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