Estimativa da idade de segregação do lenho juvenil a adulto de Carya illinoinensis (Wangenh) K. Koch por meio de parâmetros anatômicos da madeira

Darci Alberto Gatto, Clovis Roberto Haselein, Ediane Andréia Buligon, Leandro Calegari, Diego Martins Stangerlin, Rafael Rodolfo de Melo, Rômulo Trevisan, Elio José Santini

Resumo


Esse estudo teve como objetivo delimitar a idade de maturação do lenho utilizando-se de características anatômicas da madeira de Carya illinoinensis (Wangenh) K. Koch (nogueira-pecã) por meio da segregação dos lenhos juvenil e adulto. Para a tecnologia da madeira, aliada ao manejo florestal, é imprescindível o conhecimento da delimitação do lenho juvenil e adulto. Os desbastes, na grande maioria dos casos, devem levar em consideração esse parâmetro, já que o lenho juvenil possui características inferiores a do lenho adulto, e diferentes proporções de cada tipo de lenho vão interferir na qualidade e no uso da madeira. Para a realização do presente estudo, foram eleitas três árvores adultas, de fuste reto e cilíndrico, com DAP superior a 30 cm, localizadas na Encosta Superior do Nordeste do estado do Rio Grande do Sul. Foi retirado um disco por árvore, com aproximadamente 2 cm de espessura a 0,10 m de altura do tronco. De cada disco, retirou-se, com auxilio de uma serra-de-fita, uma bagueta central de 2,0 cm de largura, bem orientada no sentido radial, incluindo a medula no centro, dividiu-se então a bagueta em duas amostras "A" e "B". Dessas, sorteou-se uma, e separou-se apenas o lenho inicial de cada anel de crescimento para a maceração (método de Jeffrey) conforme descrito por Burger e Richter (1991). Mediram-se, primeiramente, com auxílio de um microscópio ótico com régua micrométrica, o comprimento, largura e diâmetro do lume individual de cem fibras no primeiro anel de crescimento (próximo à casca), e, posteriormente, definiram-se trinta fibras, por anel de crescimento, como estatisticamente suficiente para o ensaio. A espessura das paredes das fibras foi obtida pela metade da diferença do diâmetro da fibra e do lume. A segregação dos dois tipos de lenho foi definida pela variação radial (medula-casca) das características anatômicas (comprimento, diâmetro, largura do lume e espessura da parede das fibras) por meio de duas regressões lineares simples. Os resultados indicaram que o comprimento de fibra é a melhor característica para a definição do ano de segregação. Utilizando-se essa variável, determinou-se o ano de segregação dos lenhos juvenil-adulto em 16 anos. Por sua vez, os parâmetros anatômicos, diâmetro das fibras, largura do lume e espessura da parede das fibras mostraram-se inadequados, para a estimativa da idade de segregação, em conseqüência dos baixos coeficientes de determinação (R²), altos erros de estimativa (Sxy) e baixos valores para Razão F, observados nos modelos estatísticos.


Palavras-chave


qualidade da madeira; variação radial; características anatômicas

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050982426

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