Ciência Florestal https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal <p style="text-align: justify;">O periódico <strong>Ciência Florestal</strong> (ISSN:1980-5098) foi criado em 1991, passando a ser publicado somente na versão on-line em 2016, com o objetivo de ser um veículo para a divulgação de trabalhos científicos, notas técnicas e revisões de literatura relacionados à área de ciências florestais.</p> <p style="text-align: justify;">Possui tiragem trimestral e são aceitos textos redigidos em português, inglês ou espanhol.</p> <p style="text-align: justify;">Atualmente possui classificação B1 no Qualis/CAPES (2013-2016) e está indexada nas mais importantes bases de dados nacionais e internacionais.</p> Universidade Federal de Santa Maria pt-BR Ciência Florestal 0103-9954 <p>A CIÊNCIA FLORESTAL se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da lingua, respeitando, porém, o estilo dos autores.<br />As <strong>provas finais </strong>poderão ou não ser enviadas ao autor.<br />Os <strong>trabalhos publicados passam a ser propriedade da revista CIÊNCIA FLORESTAL</strong>, sendo permitida a reprodução parcial ou total dos trabalhos, desde que a fonte seja citada. <strong>Os originais não serão devolvidos aos autores.</strong><br /><strong>As opiniões emitidas pelos autores dos trabalhos são de sua exclusiva responsabilidade</strong>.<br /><br /></p> Influência do clima na produtividade e resposta à seca do eucalipto e uma proposta de maximização da produtividade de madeira em função dos atributos do solo no Brasil https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/32690 <p>Os ganhos genéticos dos programas de melhoramento do eucalipto diminuíram em comparação com as décadas anteriores, enquanto a produtividade reduziu nos últimos anos. Essa queda é atribuída principalmente às mudanças climáticas, que, segundo estudos, têm limitado a produtividade e alterado a adaptação das espécies florestais. Além disso, considera-se que o solo é um dos componentes-chave da produção florestal e que atua diretamente na dinâmica da água e dos nutrientes para as árvores. Pretende-se avaliar, neste trabalho, os atributos dos solos que maximizam a produtividade da madeira para auxiliar as empresas silvicultoras na indicação de solos com melhor capacidade produtiva para produção de madeira. Assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar a influência dos atributos do clima e do solo na produtividade da floresta de eucalipto e na resposta à seca no Brasil (tropical e subtropical) em locais com três tipos de clima: Subúmido, Úmido e Superúmido. Além disso, buscou-se calcular uma proposta de valores ótimos de atributos estáveis ​​do solo ao longo de um ciclo/rotação da floresta para maximizar a produtividade do eucalipto. Para isso, foram instalados no Brasil 24 experimentos com 4 clones comuns em todos os experimentos para obter fortes contrastes edafoclimáticos, e, assim, medir a produtividade e a resposta à seca e descrever sua relação com os atributos dos solos. Três grupos climáticos foram avaliados: Subúmido (taxa de precipitação: evapotranspiração entre 0,5 e 1,0, Úmido (taxa de precipitação: evapotranspiração entre 1,0 e 2,5), Superúmido (taxa de precipitação: evapotranspiração entre 2,5 e 5,0). A produtividade de madeira variou entre os clones, com uma média de 1,86 sendo a faixa de variação. A interação genótipo <em>versus</em> ambiente (G X A) foi fortemente observada, e foi constatado que alguns clones são mais afetados pelo clima em relação a outros. Silte, CEC, MO para maximizar a produtividade da madeira foram: 54,68 %, 18,94%, 7,02%, 31,49 mmol<sub>c</sub> / dm³, 27,17 g / cm³.</p> Vinicius Evangelista Silva Salatier Buzzetti Rafael Montanari Alan Rodrigo Panosso Sharlles Christian Dias Moreira João Flávio da Silva Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 523 547 10.5902/1980509832690 Palha de café carbonizada em substratos renováveis para produção de mudas de <i>Eucalyptus urophylla</i> e <i>Anadenanthera macrocarpa</i> https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/37069 <p>Um dos principais componentes orgânicos utilizados em mudas é a casca de arroz, entretanto, não é encontrada com facilidade, principalmente no sul de Minas Gerais, enquanto que a palha de café é um dos principais resíduos gerados nesta região. Sendo assim, objetivou-se avaliar a viabilidade técnica da utilização de substratos à base de palha de café carbonizada (PCC) em detrimento da utilização de casca de arroz carbonizada (CAC), em formulação com fibra de coco (FC), para a produção de mudas de <em>Eucalyptus urophylla</em> e <em>Anadenanthera macrocarpa</em>. Foram testados quatro substratos, com cinco repetições e 20 mudas por parcela, utilizando delineamento em blocos casualizados. As proporções das misturas foram S1 (60% FC e 40% CAC), S2 (80% FC e 20% CAC), S3 (60% FC e 40% PCC) e S4 (80% FC e 20% PCC). Foram mensurados, aos quatro meses, a altura das mudas (H), o diâmetro de coleto (DC), a massa seca da parte aérea (MSPA), a massa seca do sistema radicular (MSSR) e calculados o índice de robustez (H/DC), a densidade de raízes (DR) e o Índice de Qualidade de Dickson (IQD). Também foram feitas avaliações de facilidade de retirada das mudas do tubete e agregação das raízes ao substrato. Para o <em>Eucalyptus urophylla</em>, todos os parâmetros avaliados estiveram dentro do recomendando para expedição das mudas, contudo, os substratos à base de palha de café carbonizada obtiveram melhores resultados. Para a <em>Anadenanthera macrocarpa</em>, os parâmetros altura, diâmetro de coleto, índice de robustez e índice de qualidade de Dickson apresentaram-se dentro do exigido para expedição das mudas, em relação à formação do torrão, o tratamento empregando 60% de Fibra de coco e 40% de casca de arroz carbonizada apresentou maior média. Sendo assim, indica-se a utilização de palha de café carbonizada em detrimento da CAC para produção de mudas das duas espécies.</p> Fernanda Leite Cunha Oclizio Medeiros das Chagas Silva Vinicius Correia de Araujo Nelson Venturin Lucas Amaral de Melo Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-27 2022-06-27 32 2 548 572 10.5902/1980509837069 Ciclos de produção de <i>Pinus taeda</i> L. com mais de 30 anos: uma alternativa para obtenção de madeira para usos sólidos e estruturais https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/42430 <p>Plantios de <em>Pinus </em>spp. são a base de uma importante atividade econômica na região do planalto sul do Brasil, onde são cultivados em ciclos de produção com cerca de 15 anos de duração. O objetivo do estudo foi avaliar as características físico-mecânicas e anatômicas da madeira de <em>Pinus taeda</em> L. obtida em povoamentos com idades superiores a 30 anos, em comparação com aquela atualmente disponível no mercado, com idade próxima a 15 anos, visando avaliar seu potencial para produção de madeira de alta qualidade para usos sólidos e estruturais. Além disso, avaliaram-se também aspectos produtivos e econômicos de plantios de <em>Pinus taeda </em>com mais de 30 anos de idade. Para isso, foram utilizadas árvores de <em>Pinus taeda</em> provenientes de dois plantios, com idades de 15 e 43 anos e, deste último, amostrada apenas a madeira produzida a partir dos 30 anos, de forma a caracterizar a madeira juvenil e adulta, respectivamente. Concluiu-se que a madeira adulta, obtida de árvores com &gt;30 anos, apresenta valores superiores de densidade, dimensões de traqueídes, coeficiente de retratibilidade volumétrica (porém com menor coeficiente de anisotropia), módulo de elasticidade e módulo de ruptura à flexão estática, em comparação à madeira juvenil, obtida em árvores com 15 anos. Levando-se em consideração a habilidade frente ao ensaio de flexão estática, a madeira com &gt;30 anos pode ser indicada para usos que explorem seu maior desempenho mecânico e estrutural, compatível com <em>Araucaria angustifolia</em> de idades entre 25 e 58 anos<em>. </em>Ciclos de produção com duração superior a 30 anos são viáveis economicamente e podem ser uma opção de manejo interessante, visando acessar mercados específicos nos quais a qualidade da madeira para usos sólidos e estruturais poderia ser ainda mais bem remunerada.</p> Magnos Alan Vivian Mario Dobner Júnior Karina Soares Modes Ugo Leandro Belini Douglas Rufino Vaz Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-29 2022-06-29 32 2 573 596 10.5902/1980509842430 Riscos ambientais e segurança do coletor no extrativismo do fruto de açaízeiro na Amazônia Oriental https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/42790 <p>O extrativismo de produtos florestais não madeireiros na Amazônia é uma atividade que expõe o trabalhador a riscos ambientais que podem afetar sua saúde e sua segurança no trabalho. O objetivo deste estudo foi identificar os riscos ambientais e os impactos psicofisiológicos e físicos da coleta do fruto do açaizeiro no trabalhador da Amazônia Oriental. O Estudo foi realizado pela aplicação de questionários semiabertos e entrevistas estruturadas baseadas a partir de protocolos do software Ergolândia versão 6.0 a 33 coletores na Ilha do Combú, Belém/PA. Os riscos físicos identificados foram: radiação ultravioleta (12 h de sol), umidade relativa média anual de 71,9% e calor com IBUTG de 24,4ºC. O medo da queda do açaizeiro, animais peçonhentos, altura e o alto esforço físico requerido para escalar a palmeira foram as principais dificuldades apontadas pelos extrativistas. Foram identificados os riscos de acidentes: cobra, maribondo, escorpião, aranha, queda do açaizeiro, cortes, arranhões e torção muscular. A carga de 30 quilos, transportada pelos coletores, atende ao estabelecido pela legislação vigente. As partes do corpo que os extrativistas sentem dores com frequência durante e após a atividade foram: a parte inferior das costas, pés e dedos, mãos e dedos, membros superiores, ombro, punho, trapézio, cabeça e peito, pescoço, antebraço, cotovelo, panturrilha, tornozelo e joelho. O protocolo de Moore e Garg classificou a atividade como de alto risco para o desenvolvimento de doenças ocupacionais com Strain Index de 13,5 e 10,12 na safra e entressafra, respectivamente, e o protocolo de Lehmann como um trabalho fatigante. A OWAS indicou a categoria de ação 4 com adoção de correções imediatas na postura da coluna, membros superiores e pernas dos extrativistas.</p> Vandeilson Belfort Moura Vivian Dielly da Silva Farias Denis de Pinho Sousa Hildo Giuseppe Garcia Caldas Nunes Paulo Jorge de Oliveira Ponte de Souza Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 597 616 10.5902/1980509842790 Viabilidade técnica do uso de <i>Swietenia macrophylla</i> e <i>Theobroma grandiflorum</i> em sistema agroflorestal https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/43268 <p>Uma das principais dificuldades na implantação dos sistemas agroflorestais está na escolha das espécies componentes. Esta pesquisa objetivou verificar a viabilidade de utilização de duas espécies amazônicas em sistema agroflorestal, quantificando a possível interferência da espécie dominante (mogno-brasileiro) sobre a espécie do dossel inferior (cupuaçuzeiro). O experimento foi conduzido por 14 anos, em uma propriedade comercial em Tomé-Açu, PA. Foram estabelecidos quatro níveis de espaçamento entre as árvores de cupuaçuzeiro e mogno: Nível 1 = 2,3 m; Nível 2 = 5,5 m; Nível 3 = 7,3 m; Nível 4 = 8,8 m. Avaliaram-se o desenvolvimento vegetativo inicial do cupuaçuzeiro, a produção durante 12 safras e a taxa de mortalidade. Para o mogno, mensurou-se o vigor das plantas e realizaram-se estimativas de produção de madeira. Ademais, estimaram-se alguns parâmetros morfométricos para verificar a adaptação do mogno ao ambiente de SAF e sua influência sobre o cupuaçuzeiro. Os resultados demonstraram que o cupuaçuzeiro teve um bom desenvolvimento vegetativo, mostrando não ter sido prejudicado pela competição com as árvores de mogno. A produção de frutos também não foi afetada pelo consórcio, assim como não houve diferenças nas taxas de mortalidade nos diferentes níveis de proximidade das espécies. O mogno teve crescimento vigoroso, beneficiado pelos tratos culturais dispensados, normalmente, em pomares de cupuaçuzeiro, como adubação anual e aporte hídrico. Pelas evidências obtidas, conclui-se que o SAF constituído por mogno-brasileiro e cupuaçuzeiro, nos espaçamentos aqui utilizados, oferece condições apropriadas ao desenvolvimento de ambas as espécies, e poderá ser uma alternativa aos sistemas de produção convencionais na Amazônia, bem como para incrementar a restauração de áreas antropizadas com espécies nativas.</p> Rafael Moysés Alves Saulo Fabrício da Silva Chaves Leticia Maria Viana Negrão Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 617 636 10.5902/1980509843268 Qualidade dos resíduos madeireiros de mogno-africano e eucalipto para briquetagem https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/43299 <p>Os resíduos oriundos do processamento da madeira constituem uma oportunidade para o aproveitamento energético, sendo a briquetagem um processo eficiente para concentrar a energia disponível da biomassa florestal. Nesse sentido, este trabalho teve por objetivo avaliar diferentes composições de resíduos das madeiras de mogno-africano (<em>Khaya </em><em>ivorensis</em> e <em>Khaya senegalensis</em>) e eucalipto (<em>Eucalyptus grandis</em> x <em>Eucalyptus urophylla</em>) para produção de briquetes. Para isso, cinco composições foram testadas com diferentes proporções de resíduos (100% eucalipto, 75% eucalipto + 25% mogno-africano, 50% eucalipto + 50% mogno-africano, 25% eucalipto + 75% mogno-africano e 100% mogno-africano) e submetidas às análises químicas e físicas (extrativos totais, ligninas totais, teor de cinzas, teor de umidade, poder calorífico e densidade a granel). Os briquetes foram produzidos à temperatura de 120°C, pressão de 100 kgf cm<sup>-2</sup> e tempos de compactação e resfriamento de 5 e 7 minutos, respectivamente, sendo submetidos a ensaios físico-mecânicos (densidade relativa aparente e resistência à compressão axial). As composições com maiores porcentagens de mogno-africano tiveram maior teor de extrativos e cinzas, e maior poder calorífico superior. Para os briquetes oriundos das composições com maiores porcentagens de eucalipto, verificou-se menor densidade relativa aparente e menor resistência à compressão axial. Apesar disso, os resíduos dessas espécies possuem potencial para a geração de energia, sendo os briquetes produzidos com maior porcentagem de mogno-africano, os que apresentaram maior potencial energético e resistência mecânica.</p> Camilla de Oliveira Souza Marina Donária Chaves Arantes Joyce de Almeida Pinto João Gabriel Missia da Silva Márcia Fernanda Carneiro Ana Carla Bezerra de Lima Renato Ribeiro Passos Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 637 652 10.5902/1980509843299 Fenologia de <i>Sideroxylon obtusifolium</i> (Roem. & Schult.) T.D.Penn. em área de Caatinga, Boa Vista – PB https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/44038 <p><em>Sideroxylon obtusifolium</em> (Roem. &amp; Schult.) T.D.Penn., da família Sapotaceae, é uma das mais importantes espécies de ocorrência na Caatinga. O conhecimento do seu ciclo reprodutivo por meio do estudo fenológico é importante porque possibilita a elaboração de estratégias para sua conservação e seu uso sustentável. O objetivo nesta pesquisa foi avaliar as fenofases de <em>Sideroxylon</em><em> obtusifolium </em>e a sua relação com as condições ambientais locais. O estudo foi realizado na fazenda Santa Rosa do Espólio, localizada no município de Boa Vista, estado da Paraíba (PB), em 26 indivíduos da espécie, avaliados a cada quinze dias durante 30 meses. A partir do percentual de intensidade de Fournier e do índice de atividade, foram registradas a presença e ausência das fenofases brotamento, botão floral, floração, frutificação e senescência foliar. Pela correlação de Spearman, não houve efeito significativo entre os caracteres fenológicos avaliados e as variáveis ambientais de temperatura e umidade relativa do ar, com forte oscilação na intensidade e no índice de atividade nos 30 meses de avaliações. A análise de correlação indicou efeito significativo entre a intensidade de brotamento com a precipitação pluviométrica. A senescência foi registrada em todos os indivíduos de <em>Sideroxylon obtusifolium</em> durante todo o período de avaliação, com a máxima intensidade (88%) registrada nos meses de janeiro e fevereiro de 2017. As fases de botão floral, floração (flor em antese) e frutificação tiveram um padrão de ocorrência mais uniforme de agosto de 2014 até agosto de 2016, entretanto com intensidades e índices de atividades decrescentes. Os eventos fenológicos da <em>Sideroxylon obtusifolium</em> apresentaram irregularidade, o que pode ter sido influenciado pelo baixo índice pluviométrico registrado na área de estudo durante o período de avaliação.</p> Flávio Ricardo da Silva Cruz Rosemere dos Santos Silva Edna Ursulino Alves Caroline Marques Rodrigues Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 653 672 Chuva de sementes em uma região ecotonal entre Cerrado e Caatinga no Piauí, Brasil https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/46859 <p>A investigação da chuva de sementes pode fornecer informações úteis sobre a distribuição espacial, densidade e riqueza das espécies. O objetivo deste trabalho foi amostrar a chuva de sementes em Capões com presença e ausência de <em>Copernicia prunifera</em> (Carnaúba), caracterizar as sementes quanto à síndrome de dispersão e forma de vida, explorar a relação entre os totais pluviométricos mensais com a densidade e número de espécies da chuva de sementes e a estacionalidade na deposição de sementes. O estudo foi realizado em 20 Capões, sendo 10 com presença e 10 com ausência de Carnaúba. Cada Capão recebeu três coletores com área de 0,50 m<sup>2</sup>. Foram coletados 1.666 diásporos (55,5 sementes/m<sup>2</sup>) pertencentes a 17 famílias e 32 espécies. Houve relação negativa entre pluviosidade e número de sementes (r = -0,73 e p&lt;0,05) e, entre pluviosidade e número de espécies da chuva de sementes (r = -0,78 e p&lt;0,01). Houve aumento no número de espécies da chuva de sementes com o aumento de sementes da chuva de sementes (r = 0,74 e p&lt; 0,001). Foram levantadas 908 sementes zoocóricas distribuídas em 12 espécies, anemocoria 502 sementes e 12 espécies e autocórica 256 sementes e sete espécies. As espécies arbóreas tiveram 895 sementes distribuídas em 12 espécies, os arbustos 574 sementes e 10 espécies, as Lianas 133 sementes e sete espécies e palmeiras com 61 sementes e duas espécies. As síndromes de dispersão anemocórica e zoocórica foram predominantes no período seco e zoocoria em todos os meses. Foi observada diferença na composição de espécies da chuva de sementes entre os Capões com presença e ausência de Carnaúba. A distância entre os Capões não influenciou na composição da chuva de sementes (Mantel r = -0,11e p = 0,74). Não houve relação entre áreas dos Capões com o número de sementes da chuva de sementes (R<sup>2 </sup>= 0,013 e p = 0,95).</p> Rodrigo Ferreira de Morais Maria Thamiris de Sousa Macedo Macedo Ronaldo de Araújo Ibiapina Luiz Carlos Santiago Junior Jefferson da Silva Teixeira Fernando Ferreira de Morais José Ribamar Sousa Júnior Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 673 697 10.5902/1980509846859 Banco de sementes do solo após 25 anos do plantio de leguminosas arbóreas em área de empréstimo – Seropédica, RJ https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/47031 <p>Em áreas degradadas pela remoção de horizontes superficiais do solo, como as áreas de empréstimo, poucas são as espécies vegetais capazes de se desenvolver sem a aplicação de elevadas doses de fertilizantes. As plantas da família Leguminosae, fixadoras de nitrogênio, estão entre essas poucas, visto que possibilitam rápida cobertura do solo e a estruturação do ambiente para um avanço sucessional. Em 1989, no campo experimental da Embrapa Agrobiologia, Seropédica – RJ, realizou-se a revegetação de uma área de empréstimo de argila, com espécies dessa família, noduladas e micorrizadas. Após 25 anos do plantio, avaliaram-se a fertilidade, o estoque de serrapilheira e o banco de sementes do solo, com ênfase nas espécies não arbóreas. O uso de leguminosas arbóreas mostrou-se eficaz, depositando elevada quantidade de serrapilheira e assim melhorando a fertilidade do solo, o que acarretou a ativação dos mecanismos de sucessão natural. Foram identificados no banco de sementes do solo 37 espécies/morfotipos de 16 famílias. Desse total, 25 eram não arbóreas, sendo 16 nativas e 9 naturalizadas. O estudo leva a uma reflexão sobre a necessidade de se dar mais importância a outras guildas da floresta, em projetos de restauração, mesmo considerando o sucesso das leguminosas arbóreas na catálise do processo de sucessão ecológica.</p> Estefânia Maria Justo Arêas Pedro Miguel Justo Arêas Eduardo Francia Carneiro Campello Alexander Silva de Resende Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 698 714 10.5902/1980509847031 Danos causados por bovinos em clones de eucalipto em sistema silvipastoril na região amazônica https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/47224 <p>O objetivo deste trabalho foi avaliar os danos causados por bovinos a clones de eucalipto em sistema silvipastoril, nove meses após o plantio. O experimento foi conduzido em arranjo espacial de faixas, o delineamento foi inteiramente casualizado com seis repetições e quatro tratamentos: a) Clone VM01 com acesso do gado aos nove meses (TR1); b) Clone I144 com acesso do gado aos nove meses (TR2); c) Clone VM01 sem acesso do gado (TR3); e d) Clone I144 sem acesso do gado (TR4). Foram introduzidos seis bovinos mestiços anelorados em cada tratamento, com peso de 300 kg no pasto de <em>Brachiaria brizantha</em> cv. <em>Xaraés </em>(MG-5) e mantido por três períodos de aproximadamente 14 dias. Os danos nas árvores foram avaliados aos 300, 332 e 360 dias após o plantio em função das partes danificadas (incidência) e uma escala de classes e notas foi estabelecida. A entrada de bovinos no sistema silvipastoril aos nove meses após o plantio afetou negativamente (P≤0,05) o crescimento inicial do povoamento florestal. Foram identificados danos de baixa intensidade, como quebra de galhos, alta intensidade, como quebra do tronco e de extrema intensidade, como tombamento, variando conforme o clone. Não se recomenda o acesso dos animais aos nove meses após o plantio florestal, devendo ser realizado em idades mais avançadas dos clones, tendo estes, maiores dimensões em altura total e diâmetro à altura do peito.</p> Raquel Talita Chagas Finco Gonçalves Felippe Coelho de Souza Roberto de Jesus Fabbrocini Gonçalves Nei Sebastião Braga Gomes Caio Gabriel Santos da Cruz Elsilene Thaynara Melo Sales Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 715 734 10.5902/1980509847224 Efeito da idade, sortimento e tempo de estocagem na densidade verde da madeira de <i>Pinus taeda</i> L. https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/48083 <p>O conhecimento da densidade verde é fundamental no processo de comercialização e abastecimento industrial, possibilitando a conversão entre unidades de volume e massa da madeira. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi avaliar a influência da idade da madeira, sortimentos e tempo de estocagem sobre a variação da densidade verde de toras de <em>Pinus taeda</em> L. Para isso, foram estudadas toras com diâmetros na ponta fina entre 8-18 cm (S1) e 18-24 cm (S2), com idade de 9 anos. Além desses dois sortimentos (S1 e S2), outros dois também foram analisados para toras com 21 anos de idade, 24-35 cm (S3) e acima de 35 cm (S4). A densidade verde da madeira foi determinada por meio da cubagem rigorosa e pesagem das toras no momento da colheita das árvores e em outras seis ocasiões, aos 7, 14, 21, 28, 60 e 90 dias de estocagem a campo. O efeito dos fatores idade, sortimento e tempo de estocagem foram verificados pelo modelo linear geral (p&lt;0,05). Posteriormente, equações para estimativa da densidade verde foram ajustadas em função da densidade básica e diâmetro médio das toras. Os resultados demonstraram que todos os fatores considerados tiveram efeito significativo sobre a densidade verde da madeira. A madeira mais velha apresentou maiores valores para essa variável e, dentro de cada idade, a densidade verde da madeira aumentou à medida que o diâmetro das toras diminuiu. O tempo de estocagem exerceu influência apenas sobre a densidade verde dos S1 e S2 em ambas idades. As equações ajustadas mostraram resultados satisfatórios para a predição da densidade verde da madeira. Assim, conclui-se que os fatores estudados devem ser considerados em amostragens para a determinação da densidade verde da madeira e que é possível utilizar variáveis de fácil obtenção, como o diâmetro médio das toras, para a estimativa dessa variável com precisão satisfatória.</p> Marcelo Bonazza Jean Alberto Sampietro Magnos Alan Vivian Raul Silvestre Karina Soares Modes Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 735 756 10.5902/1980509848083 Estrutura, composição florística e relações ambientais da regeneração natural em uma floresta estacional semidecidual https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/48183 <p>O objetivo deste estudo foi descrever a florística e estrutura da regeneração natural do estrato arbustivo-arbóreo em um fragmento florestal no sul do estado do Espírito Santo, bem como verificar a interação da vegetação com algumas variáveis ambientais selecionadas. Foi desenvolvido na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cafundó, em doze subparcelas de 1 x 20 m, onde foram delimitadas três classes de tamanho - classe 1 (plantas entre 0,1 e 1 m de altura), classe 2 (1,1 e 3 m de altura) e classe 3 (altura maior que 3 m e menor que 5 cm DAP). A RPPN possui uma área de 517 ha, onde 358 ha foram utilizados para alocação das unidades experimentais. Os indivíduos foram classificados quanto ao grupo ecológico e síndrome de dispersão. Foi calculado o índice de diversidade, equabilidade, densidade e frequência das espécies e a similaridade de Sorensen entre o estrato regenerante e adulto. A interação do estrato regenerante com variáveis ambientais foi realizada através da Análise de Correspondência Canônica. Foram amostrados 678 indivíduos, distribuídos em 73 espécies/morfoespécies, sendo <em>Actinostemon klotzschii</em> e <em>Goniorrhachis marginata</em> as mais abundantes. A similaridade entre regeneração e estrato arbóreo foi 29%. O grupo ecológico e a dispersão predominante, respectivamente, foram secundária tardia e zoocoria. A diversidade de Shannon (H’) foi 3,13 e equabilidade de 0,72. As espécies <em>Goniorrhachis marginata</em>, <em>Actinostemon klotzschii</em> e <em>Psychotria carthagenensis</em> tiveram correlação com carbono (C), fósforo (P), declividade e cobertura de dossel. Concluiu-se que a regeneração natural na área estudada possui elevada riqueza e densidade de indivíduos quando comparado a estudos desenvolvidos na mesma fitofisionomia. As variáveis ambientais estudadas parecem ter pouca influência na distribuição das espécies da regeneração natural, uma vez que apenas o carbono, o fósforo, a declividade e a cobertura do dossel explicaram parte da distribuição das espécies no fragmento.</p> Andrêssa Mota Rios Barreto Lhoraynne Pereira Gomes Sustanis Horn Kunz Henrique Machado Dias Karla Maria Pedra de Abreu Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 757 775 10.5902/1980509848183 Caracterização morfofisiológica de fungos entomopatogênicos para o controle biológico de <i>Oncideres impluviata</i> https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/49227 <p>O controle biológico é uma importante ferramenta para o controle de insetos-praga pelas inúmeras vantagens apresentadas e por diminuir os riscos ambientais provocados pelas técnicas de controle químico. No entanto, são escassos estudos referentes à morfofisiologia de microrganismos utilizados nesse método de controle, principalmente no que se refere ao <em>Oncideres impluviata</em>, principal inseto-praga da acácia-negra. Assim, o objetivo do presente estudo foi realizar a caracterização morfofisiológica de isolados de <em>Beauveria bassiana </em>e <em>Metarhizium anisopliae, </em>como uma potencial alternativa para o controle biológico do anelador-da-acácia-negra. Para tanto, foram utilizados cinco isolados de fungos entomopatogênicos (três isolados de <em>Beauveria bassiana</em> e dois de <em>Metarhizium anisopliae</em>) e avaliados o crescimento micelial, esporulação, coloração e caracterização dimensional dos conídios em diferentes meios de cultura (BDA, V8CaCO<sub>3</sub> e meio completo). Os isolados de <em>Beauveria bassiana</em> apresentaram melhor crescimento micelial no meio V8CaCO<sub>3</sub> e maior esporulação no meio de cultura completo; o micélio aéreo se apresentou de cor branca em todos os isolados. Em relação aos isolados de <em>Metarhizium anisopliae</em>, o maior crescimento micelial e esporulação ocorreram no meio de cultura completo e a coloração do micélio aéreo variou entre tons de cinza e verde-oliva. Esses resultados vêm a gerar informações preliminares a respeito do uso de fungos entomopatogênicos para o controle do anelador-da-acácia-negra.</p> Mateus Alves Saldanha Clair Walker Alexsandra Cezimbra Quevedo Leandra Pedron Marlove Fátima Brião Muniz Ervandil Corrêa Costa Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 776 792 10.5902/1980509849227 Microtopografias e condicionadores de solo no crescimento e nutrição de <i>Eucalyptus saligna</i> em área agrícola abandonada https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/53136 <p>A reabilitação de campos agrícolas abandonados é uma tarefa multidisciplinar, que busca o desenvolvimento de sistemas produtivos sustentáveis. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da técnica de microtopografia e condicionadores de solo na sobrevivência, crescimento e nutrição de <em>Eucalyptus saligna </em>de uma área agrícola abandonada. Parcelas de microtopografia e parcelas planas foram estabelecidas em um campo agrícola abandonado (27º 12.08' S e 49º 07.60' W). Dentro das parcelas, subparcelas com plantas foram estabelecidas e receberam a aplicação de condicionadores de solo, que incluíram fonolito (100 g), inoculante micorrízico (200 cm<sup>3</sup>), lodo de celulose e casca de arroz carbonizada (200 cm<sup>3</sup>), fonolito (100 g) e inoculante micorrízico (200 cm<sup>3</sup>) e controle. O experimento foi monitorado entre novembro de 2013 e outubro de 2014 e parâmetros de crescimento foram mensurados após 30, 90, 150, 210, 270 e 330 dias do início do experimento. De cada planta, foram mensuradas altura, diâmetro do caule e área da copa. Ao final do experimento, 50 folhas de cada planta foram coletadas para determinar a concentração de fósforo e potássio. A comunidade micorrízica nativa foi caracterizada por um bioensaio e as espécies identificadas a partir de esporos coletados em campo. Taxas de sobrevivência de <em>Eucalyptus saligna</em> tenderam a ser mais altas em parcelas de microtopografia. Altura da planta, diâmetro do caule, área da copa e concentração de P e K na biomassa foram significativamente maiores em plantas em parcelas de microtopografia. Condicionadores do solo influenciaram significativamente a concentração de K na biomassa. A aplicação da técnica de microtopografia melhora a sobrevivência, crescimento e nutrição de <em>Eucalyptus saligna</em> e representa uma importante estratégia para reabilitar áreas agrícolas abandonadas.</p> Chaiane Schoen Juarês José Aumond Sidney Luiz Stürmer Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 793 811 10.5902/1980509853136 Dinâmica da regeneração natural em um fragmento de Floresta Ombrófila Mista na região do planalto de Santa Catarina, Brasil https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/53272 <p>Este estudo teve como objetivo analisar as alterações temporais na composição florística e estrutura da regeneração em um remanescente de Floresta Ombrófila Mista sem intervenções há décadas, nos anos de 2012 e 2017. A área experimental foi composta por 20 parcelas circulares de 2,5 m de raio, onde foi realizada a quantificação dos regenerantes; a medição das alturas individuais das árvores e a identificação do grupo ecológico ao qual cada espécie pesquisada pertencia. Todos os indivíduos com altura mínima de 0,50 m e circunferência a altura do peito menor do que 15 cm foram medidos. Aproximadamente 12.382 ind ha<sup>-1 </sup>foram encontrados em 2012 e 11.185 ind ha<sup>-1</sup> em 2017. Somente as seguintes espécies tiveram aumento de densidade em 2017 em comparação com o ano 2012: <em>Dalbergia frutescens</em> (280,3 ind ha<sup>-1</sup>), <em>Myrsine coriacea</em> (178,3 ind ha<sup>-1</sup>), <em>Allophylus guaraniticus</em> (76,4 ind ha<sup>-1</sup>), <em>Bernadia pulchella</em> (51,0 ind ha<sup>-1</sup>), <em>Casearia obliqua</em> (50,9 ind ha<sup>-1</sup>), <em>Casearia decandra</em> (25,5 ind ha<sup>-1</sup>) e <em>Luehea divaricata</em> (25,5 ind ha<sup>-1</sup>). As demais espécies tiveram um saldo negativo ou desapareceram da área. A análise dos grupos ecológicos indicou gradual substituição de espécies clímax tolerantes à sombra por espécies pioneiras e clímax exigentes de luz. As espécies mais representativas identificadas em ambas ocasiões não sofreram grandes alterações, indicando que são mais propensas a permanecer na área estudada. Os resultados indicaram que o remanescente estudado se encontra em fase avançada de sucessão; no entanto, apresenta alterações pontuais que refletem sua dinâmica florística e ecológica.</p> Sâmila De Nazaré Corrêa Gonçalves Lauri Amândio Schorn Kristiana Fiorentin dos Santos Pedro Higuchi Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 812 828 10.5902/1980509853272 Influência de sistemas de cultivo sobre a comunidade da fauna edáfica no nordeste do Brasil https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/55320 <p>As características bióticas e abióticas dos solos variam substancialmente em função dos sistemas de cultivo empregados em ambientes semiáridos. Sistemas de cultivo que favoreçam a manutenção dos teores de carbono orgânico no solo (e.g., provisão de habitat) podem influenciar positivamente a diversidade da comunidade da fauna edáfica e a qualidade do solo. Objetivou-se neste estudo avaliar o efeito de diferentes sistemas de cultivo (e.g., plantio direto vs. integração lavoura-pecuária-floresta) sobre as propriedades químicas do solo, a composição da fauna edáfica e a qualidade de um Planossolo Nátrico em condições semiáridas do Nordeste do Brasil. Usando métodos combinados de coleta de amostras de solo para caracterização química com a extração de indivíduos da fauna edáfica e sua identificação taxonômica foi observado que ambos sistemas de plantio avaliados neste estudo promoveram incrementos nos teores de carbono orgânico no solo e fósforo disponível em relação ao controle. Foram observadas 11 ordens e mais 3 grupos de larvas (Larvas de Coleoptera, Diptera e Lepidoptera) da fauna edáfica, contudo, apenas Araneae, Coleoptera, Diptera e Hymenoptera foram influenciadas de forma significativa (<em>p</em> &lt; 0,01) pelos sistemas de cultivo. Além disso, os índices de qualidade do solo em todos os sistemas de cultivo foram superiores em comparação ao controle, o que reforça a hipótese de que sistemas de plantio que consideram a manutenção de habitat e energia para fauna do solo contribuem para o estabelecimento de uma teia trófica diversificada e provisão de serviços ecossistêmicos favorecendo a ciclagem de nutrientes. Por fim, o estudo demonstra a importância de considerar sistemas de cultivo que promovam a manutenção dos teores de carbono orgânico no solo e a provisão de condições ideais no ecossistema solo para sustentar uma comunidade da fauna edáfica e funcional em condições semiáridas.</p> Samuel Inocêncio Alves da Silva Tancredo Souza Edjane Oliveira de Lucena Lídia Klestadt Laurindo Djail Santos Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 829 855 10.5902/1980509855320 Riqueza, diversidade e composição arbórea nas praças de Palmas, Tocantins https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/61429 <p>Nos centros urbanos, o planejamento da arborização urbana é fundamental para garantir a qualidade de vida dos cidadãos, sendo que as praças são locais estratégicos para promover a interação entre as pessoas, conforto térmico e a conservação da biodiversidade urbana. Diferente de muitas cidades brasileiras, Palmas, capital do Tocantins, desde sua concepção buscou incorporar em seu planejamento urbanístico a delimitação de áreas verdes e praças com o objetivo de assegurar o conforto térmico, lazer e qualidade de vida à população. O presente estudo objetivou avaliar a arborização das praças das quadras urbanizadas do Plano Diretor de Palmas - TO, caracterizando e quantificando a arborização das praças implantadas em diferentes períodos e praças ainda sem infraestrutura, comparando a sua riqueza, diversidade e composição arbórea. Registrou-se a presença de 2.350 árvores de 35 famílias botânicas e 111 espécies nas praças de 12 quadras de Palmas - TO. As espécies nativas do Cerrado foram as mais frequentes em todos os tipos de praça. As análises de diversidade Alfa e Beta determinaram as praças não desmatadas como as mais diversas e dotadas de comunidades mais similares, padrões positivos que diferem dos descritos para a arborização da maioria das praças brasileiras, um modelo diferenciado que deve ser preservado e propagado pelo poder público local.</p> Renato Torres Pinheiro Dianes Gomes Marcelino Dieyson Rodrigues de Moura Camila Rocha Bittencourt Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 856 879 10.5902/1980509861429 Efeito da profundidade, estacionalidade e luminosidade no banco de sementes do solo de campo rupestre https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/63100 <p>A composição florística dos campos rupestres compreende um mosaico de espécies com adaptações distintas, exibindo alta diversidade e endemismo. Entretanto, as plantas dos campos rupestres possuem dependência às condições específicas do local e sua reprodução quase sempre é limitada, tornando difícil a regeneração natural após perturbações. O banco de sementes do solo representa um fator potencial para a regeneração deste ambiente. Objetivou-se avaliar o banco de sementes do solo de diferentes profundidades de uma área de campo rupestre, coletado em duas estações climáticas e submetido a duas condições de luminosidade. Foram coletadas amostras compostas de serapilheira e de solo (0-5 cm) em 13 parcelas de 100 m<sup>2</sup>, em uma área de campo rupestre na Serra do Cipó (Minas Gerais), nas estações seca e chuvosa. As amostras foram submetidas às condições de luminosidade pleno sol e sombreamento. No total, emergiram 185 plântulas pertencentes a 31 espécies e a nove famílias botânicas. As famílias com maior riqueza foram Cyperaceae, Poaceae e Asteraceae. Houve variação de riqueza, abundância e composição florística entre as profundidades do solo, mas não foi observada variação em relação à estacionalidade e às condições de luminosidade. As amostras de solo apresentaram valores superiores dos parâmetros avaliados em relação àquelas da serapilheira, mostrando que o banco de sementes é mais representativo no solo. Esses resultados demonstram que existe potencial de regeneração do campo rupestre por meio do banco de sementes do solo.</p> Cristina Pereira de Jesus Veloso João Carlos Gomes Figueiredo Nayara Mesquita Mota Giovana Rodrigues Luz Islaine Franciely Pinheiro Azevedo Geraldo Wilson Fernandes Yule Roberta Ferreira Nunes Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 880 901 10.5902/1980509863100 Estratégias de projeção da estrutura diamétrica em Floresta Ombrófila Mista https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/63311 <p>Para que as florestas possam ser usadas de forma sustentável, é importante conhecer sua estrutura no futuro, que pode ser estimada por meio da prognose da distribuição diamétrica. Como essas projeções podem auxiliar na tomada de decisão para manejo e preservação, é preciso desenvolver estratégias visando melhorias das estimativas. Com isso, este estudo teve como objetivo avaliar o efeito da estratificação na prognose da distribuição diamétrica de uma Floresta Ombrófila Mista. Para isso, foram analisados os dados provenientes de 26 parcelas permanentes (1 ha) na Floresta Nacional de Três Barras, no estado de Santa Catarina. Cada unidade primária foi dividida em 20 unidades secundárias de 0,05 ha, mensuradas em 2004, 2009 e 2016. Por meio da estatística multivariada de análise de agrupamento, foi realizada a estratificação das unidades secundárias usando como atributos o incremento periódico anual médio em diâmetro, área basal e o número de fustes de cada unidade secundária. Por meio da Razão de Movimento, foi projetada a distribuição diamétrica da floresta para o ano de 2016. Usando como base os dados dos inventários de 2004 e 2009, a projeção foi realizada para a floresta como um todo. No entanto, a projeção para a floresta estratificada foi realizada com base no inventário apenas do ano de 2009. A consistência das projeções foi avaliada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov e pelo Índice de Reynolds. A análise de agrupamento resultou em três estratos, e a projeção realizada para a floresta estratificada apresentou o melhor desempenho, tanto no número total de fustes quanto nas primeiras classes diamétricas, onde geralmente ocorrem as maiores variações entre a frequência observada e estimada. A estratificação da floresta melhora as estimativas e proporciona resultados mais precisos na projeção da estrutura diamétrica, sendo uma ferramenta importante para ser usada em áreas extensas e heterogêneas.</p> Marina da Silveira Gomes Andrea Nogueira Dias Afonso Figueiredo Filho Fabiane Aparecida de Souza Retslaff Luciano Rodrigo Lanssanova Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 902 922 10.5902/1980509863311 Crescimento e metabolismo de mudas de <i>Pityrocarpa moniliformis</i> Benth. sob deficit hídrico https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/63444 <p><em>Pityrocarpa moniliformis </em>Benth. possui propriedades medicinais, potencial forrageiro, além de apresentar rusticidade e rápido crescimento, o que lhe confere potencialidade de uso para recuperação de áreas degradadas<em>.</em> Nesse contexto, objetivou-se avaliar o crescimento e os componentes bioquímicos de mudas de <em>Pityrocarpa moniliformis </em>em condições de <em>deficit</em> hídrico. O delineamento foi em blocos casualizados, com cinco tratamentos e quatro repetições, sendo a parcela experimental composta por vinte plantas. Os tratamentos foram caracterizados por diferentes períodos de <em>deficit</em> hídrico (0; 4; 8; 12 e 16 dias sem irrigação). Aos 44 dias após a semeadura (DAS), quando as mudas apresentaram dois pares de folhas verdadeiras totalmente formadas, iniciou-se a aplicação dos tratamentos. O desenvolvimento das mudas foi avaliado até os 60 DAS, período em que ocorreu a coleta destas para as análises biométricas e bioquímicas. As variáveis analisadas foram: altura da parte aérea; diâmetro do colo; número de folhas; massa seca de parte aérea e raiz; relação entre raiz e parte aérea; e índice de qualidade de Dickson. Também foram determinados nas folhas os teores de clorofilas totais, <em>a</em> e <em>b</em>; aminoácidos livres totais; teor de açúcares solúveis totais; e teor de prolina. O tratamento mais afetado pela falta de irrigação foi o de 16 dias, o qual acarretou a morte de 38,8% das mudas. Essa condição ocasionou a diminuição no comprimento da parte aérea das mudas, com redução de aproximadamente 29,2%, quando comparado ao tratamento-controle. Houve também redução da emissão de novas folhas a partir do oitavo dia após a diferenciação dos tratamentos. Mudas de <em>Pityrocarpa</em> <em>moniliformis</em> conseguem se desenvolver em condição de <em>deficit</em> hídrico por até 8 dias, mesmo ocorrendo a degradação de clorofilas devido ao estresse. A manutenção do desenvolvimento vegetativo de <em>Pityrocarpa</em> <em>moniliformis</em> ocorre devido à realização de ajustamento osmótico pelo acúmulo de biomoléculas (açúcares, prolina e aminoácidos).</p> Bruno Silva Guirra Jackson Araújo Silva Caio Cesar Pereira Leal Salvador Barros Torres José Eduardo Santos Barboza da Silva Keylan Silva Guirra Kleane Targino Oliveira Pereira Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 923 938 10.5902/1980509863444 Efeito da carga alcalina nos parâmetros de polpação da madeira de <i>Cryptomeria japonica</i> https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/63579 <p>A <em>Cryptomeria japonica</em> é uma conífera, de origem japonesa, com potencial para produção de polpa celulósica, porém pouco se conhece sobre o seu comportamento quando submetida a diferentes cargas de reagentes. Dessa forma, o objetivo do estudo foi avaliar o efeito da carga alcalina nos parâmetros de polpação kraft da madeira de <em>Cryptomeria japonica</em>, visando entender a sua demanda química para obtenção de diferentes níveis de deslignificação. Para isso, utilizou-se a madeira de árvores com 13 anos de idade, que foi caracterizada quanto à densidade básica, composição química e morfologia dos traqueídeos e submetida a curvas de cozimento com diferentes níveis de álcali, variando de 14 a 28%. Após os cozimentos, a polpa e o licor negro obtidos foram avaliados com intuito de entender o efeito da carga alcalina sobre os mesmos. Com base nos resultados obtidos conclui-se que a madeira de <em>Cryptomeria japonica</em> é mais indicada para produção de polpa celulósica de fibra longa não branqueada. Isso devido a sua madeira apresentar alto teor de lignina, que dificulta o processo de deslignificação e baixa densidade básica, que resulta em baixo rendimento. Assim, para otimizar o uso da espécie, é mais indicado trabalhar com polpa celulósica com alto número kappa, a qual é possível aliar um bom rendimento em polpa.</p> Magnos Alan Vivian Manoela Magnani Fogliatto Eraldo Antonio Bonfatti Júnior Karina Soares Modes Cristiane Pedrazzi Ronan Corrêa Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 939 958 10.5902/1980509863579 Fisiologia, sanidade e controle de fitopatógenos em sementes florestais da Reserva Extrativista Quilombo do Frechal em Mirinzal - MA https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/64510 <p>O objetivo deste trabalho foi traçar o perfil fisiológico, sanitário e o controle de fitopatógenos em quatro espécies de sementes florestais. Antes dos testes, as sementes de juçara (<em>Euterpe oleracea</em> Mart.), jenipapo (<em>Genipa americana</em> L.), urucum (<em>Bixa orellana</em> L.) e cuia (<em>Crescentia cujete</em> L.) foram desinfestadas com álcool 70%, hipoclorito de sódio a 5% e água destilada. Os testes de germinação, emergência e sanidade foram realizados conforme a RAS. No manejo alternativo, foram testados o isolado de <em>Bacillus methylotrophicus</em> e o óleo de nim, sendo realizado por meio de dois experimentos independentes em delineamento inteiramente casualizado (DIC), com quatro tratamentos e oito repetições. O experimento “um” foi realizado através da microbiolização das sementes com <em>B. methylotrophicus</em> e, no experimento “dois”, as sementes foram pulverizadas com óleo de nim a 15% com auxílio de pulverizador manual. As sementes de juçara, jenipapo, urucum e cuia obtiveram 9,0; 67,00; 17,50 e 63,5% de germinação; 0,5; 7,00; 0,5 e 63;5% de emergência; 22,81; 12,15; 15,66 e 8,73% de teor de água, respectivamente. Os fungos fitopatogênicos de maior incidência foram <em>Penicillium </em>sp<em>., Aspergillus </em>sp.<em>, </em><em>Fusarium</em> sp., nas sementes florestais de cuia, jenipapo, juçara e urucum, respectivamente. As sementes tratadas com óleo de nim e as microbiolizadas com <em>B. methylotrophicus</em> obtiveram controle significativo para <em>Aspergillus</em> sp.;<em> Penicillium </em>sp<em>.</em>, em sementes de jenipapo; <em>Lasiodiplodia </em>sp. e <em>Fusarium </em>sp. em sementes de urucum. Portanto, o uso de <em>B. methylotrophicus</em> e óleo de nim pode ser considerado alternativa viável na redução de patógenos de sementes florestais. </p> Wildinson Carvalho do Rosário Antônia Alice Costa Rodrigues Anna Christina Sanazário de Oliveira Claudio Belmino Maia Bruno Rafael Marques Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 959 978 10.5902/1980509864510 Método para abertura dos frutos, biometria e descrição anatômica do desenvolvimento embriogênico em sementes de pau-branco (<i>Cordia oncocalyx</i> Allemão) https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/25216 <p>A exploração do pau-branco (<em>Cordia oncocalyx</em> Allemão), espécie de grande potencial madeireiro, é feita por extrativismo, sendo depredatória e sem garantia de oferta de matéria-prima suficiente e constante aos setores demandantes. A propagação da espécie em viveiros a partir de frutos e sementes poderia oferecer uma solução para esse problema. Os frutos obtidos de plantas nativas apresentam, no entanto, tamanhos diferentes e distintos graus de maturação, dificultando a germinação e o sucesso da propagação. Para estabelecer-se um protocolo de propagação para o pau-branco, partindo de um resgate com sucesso de sementes com embrião zigótico maduro, o conhecimento da anatomia da embriogênese zigótica final (na fase do fruto) é de grande importância. O presente trabalho objetivou determinar um método de abertura do fruto e estudar aspectos relacionados à microestrutura e anatomia do embrião da semente de pau-branco, inéditos até então, com o intuito de se determinar em qual fase de desenvolvimento torna-se apropriado o resgate de sementes para cultivo visando à obtenção de mudas. Frutos maduros e em diferentes estádios de desenvolvimento de pau-branco foram coletados para serem submetidos à investigação microscópica ou para a determinação da biometria. Para a descrição anatômica dos frutos e das sementes, seções transversais e longitudinais foram obtidas e processadas para microscopia óptica e eletrônica de varredura. Constatou-se que o fruto possui exocarpo e o mesocarpo, sendo este, dividido em mesocarpo sub-exocárpico e mesocarpo esclerenquimático, sendo esse último, o que confere dureza e rigidez ao fruto. O embrião torna-se visível em frutos com comprimento em torno de 1,5 cm, encontrando-se totalmente desenvolvido somente a partir de 2,0 cm, sendo este tamanho o recomendado para realizar sua excisão. A prensa hidráulica constitui-se em um método eficaz de abertura dos frutos. Conclui-se ainda que o embrião da semente de pau-branco apresenta reserva protéica.</p> Celli Rodrigues Muniz Diva Correia Arlete Aparecida Soares Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 979 995 10.5902/1980509825216 Germinação in vitro de <i>Dipteryx alata</i> Vogel (Fabaceae) e proliferação de brotos sob sistema de ventilação convencional e natural https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/41400 <p><em>Dipteryx alata</em> Vogel é uma espécie nativa do domínio Cerrado, a qual possui potencial econômico de uso madeireiro e alimentício. Objetivou-se estabelecer um protocolo de germinação e proliferação de brotos in vitro desta espécie, visando futuros estudos de enraizamento e aclimatização. Frutos foram coletados em outubro de 2013. Para assepsia e germinação, as sementes foram divididas em dois grupos: no primeiro, o tegumento foi retirado, e no segundo este foi mantido. Os dois grupos foram submetidos à assepsia com detergente e álcool 70%, e em seguida a distintas concentrações de hipoclorito de sódio (NaClO) (2,5% de cloro ativo) (v/v): 00%; 10%; 50%; e 100%. Para proliferação de brotos in vitro, dois experimentos foram conduzidos: tampas convencionais ou ventilação natural. Segmentos nodais oriundos de plantas germinadas in vitro (dois meses de idade) foram inoculados em diferentes concentrações de 6-Benzilaminopurina (BAP) (0,00 µM; 4,44 µM; e 11,10 µM) combinadas a ácido naftaleno-acético (ANA) (0,00 µM; 2,69 µM; e 5,37 µM). A descontaminação de sementes foi realizada com sucesso, observando-se superioridade de sementes com presença de tegumento e 50% de NaClO. Alta proliferação de brotos foi observada em ventilação natural, com 4,44 µM de BAP (média de 4,03 brotos), um aumento de 101,50% em relação ao controle e 43,93% em relação ao melhor tratamento do sistema convencional. Por outro lado, este último sistema propiciou brotos com maiores alturas em 2,69 e 5,37 µM de ANA (média de 19,42 e 18,18 mm respectivamente), assim como em 2,69 µM de ANA combinado a 4,44 µM de BAP (média de 18,46 mm). Por outro lado, o sistema de ventilação natural mostrou brotos mais altos em 5,37 µM de ANA combinado a 11,10 µM de BAP (média de 12,81 mm).</p> Andreia Alves da Costa Silveira Lívia Cristina da Silva Sérgio Tadeu Sibov Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 996 1010 10.5902/1980509841400 Ocorrência de <i>Naupactus optatus</i> (Coleoptera: Curculionidae) em mogno-africano no Brasil https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/43120 <p>A expansão do cultivo de mogno-africano no Brasil, assim como outras espécies exóticas, implica sua exposição a variadas condições climáticas e ambientais, remetendo ao surgimento de pragas e doenças até então não relatadas na literatura. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi registrar a primeira ocorrência de <em>Naupactus optatus</em> (Herbst, 1797) (Coleoptera: Curculionidae) em mogno-africano no Brasil. Amostras suspeitas foram coletadas infestando raízes, folhas, ramos e hastes de plantas de mogno-africano em uma fazenda no município de Cantá, Roraima, Brasil. O material amostrado continha besouros curculionídeos, em todas as fases de desenvolvimento, ovos, larvas e adultos, machos e fêmeas, os quais foram identificados como <em>Naupactus optatus </em>(Herbst, 1797) (Coleoptera: Curculionidae). As folhas atacadas apresentavam, nos seus bordos e/ou entre as nervuras, recortes semicirculares, deixando-as com aspecto serrilhado e/ou com o aspecto de meia lua. As plantas ficaram totalmente desfolhadas, fazendo surgir excesso de brotações laterais no tronco e ao longo do caule. Este é o primeiro registro de <em>Naupactus optatus </em>(Coleoptera: Curculionidae) em mogno-africano no Brasil.</p> Edgley Soares Silva Maurício Lourenzoni Augusti Roberto Dantas de Medeiros Antônio Cesar Silva Lima José de Anchieta Alves de Albuquerque Bruna Rufino Santos Estefany Carvalho Portela Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 1011 1023 10.5902/1980509843120 Análise multitemporal da cobertura vegetal no plano diretor urbano de Palmas, Tocantins https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/43524 <p>A análise e caracterização da cobertura e uso da terra em áreas urbanas e suas mudanças ao longo do tempo são de grande relevância para o planejamento e gestão ambiental urbana. A partir de 1970, o processo de urbanização se intensificou no centro do país, havendo intensas mudanças sociais e ambientais devido à rápida e desordenada expansão urbana, promovendo intensas transformações do uso do solo no Cerrado Brasileiro. Desde então, o Cerrado tem se tornado um dos domínios mais ameaçados do mundo em função da expansão da agropecuária e da urbanização. A construção de Palmas, capital do Tocantins, ocorreu a partir de 1989 e apesar de ter sido planejada dentro de uma perspectiva socioambiental, as transformações foram intensas com retirada da cobertura vegetal nativa e acelerada implantação de infraestrutura urbana. Visando avaliar a dimensão dessas mudanças na composição e configuração do uso e cobertura da terra no Plano Diretor de Palmas, realizou-se uma análise multitemporal da paisagem urbana desde o início de sua construção até os dias atuais, mapeando e quantificando as alterações na cobertura vegetal e áreas urbanizadas, de maneira a compreender a relação entre a perda de cobertura vegetal e suas potenciais consequências para a conservação da biodiversidade local e o conforto térmico no meio urbano. Foram obtidos sete mapas temáticos mostrando que nos últimos 30 anos mais de 60% da área do Plano Diretor de Palmas já foi modificada pela ação humana. Atualmente, restam pouco mais de 37% de cobertura vegetal original, sendo 6% correspondente ao Cerrado Florestal e 31,7% ao Cerrado Típico, acarretando uma série de problemas socioambientais para a cidade, como perda de biodiversidade e formação de ilhas de calor.</p> Renato Torres Pinheiro Nilton Gabriel Regis Ribeiro Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 1024 1046 10.5902/1980509843524 Volume, biomassa, estoque de carbono e eficiência do uso da água em eucalipto irrigado https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/47949 <p>Como o eucalipto é uma planta de crescimento rápido, oferece vantagens em comparação com outras espécies florestais, e o uso de sistemas de irrigação localizados pode aumentar o rendimento e reduzir o tempo de corte. O objetivo deste estudo foi avaliar o crescimento de dois híbridos de eucalipto, em condição de cultura: terra irrigada e seca, durante o primeiro ano de desenvolvimento da cultura. O experimento foi realizado em abril de 2011 na área experimental de irrigação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, no município de Aquidauana, MS, Brasil. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com quatro blocos e duas repetições em cada bloco. As parcelas foram compostas pelos tratamentos de irrigação (gotejamento, microaspersão e sem irrigação), e as subparcelas foram compostas por dois híbridos de eucalipto (Grancam e Urograndis). As avaliações ocorreram aos 60, 120, 180, 240, 300 e 360 dias após o transplante (DAT), medindo a altura das plantas e o diâmetro do tronco; e, assim, foram estimados o volume, a biomassa, o estoque de carbono e a eficiência no uso da água em todos os períodos avaliados. Os dados foram submetidos à análise de variância e comparados pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Conclui-se que, a 360 DAT, as irrigações por gotejamento e microaspersão levaram a ganhos de biomassa e estoque de carbono de cerca de 190% em comparação com o eucalipto sem irrigação.</p> Adriano da Silva Lopes Marcos Vinicius Folegatti Eder Duarte Fanaya Junior Gabriel Queiroz de Oliveira Jean Carlos Lopes de Oliveira Kelvin Melgar Rosalvo Brito Norton Hayd Rego Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 1047 1060 10.5902/1980509847949 Predação de sementes de <i>Aniba rosaeodora</i> Ducke por meio de análise de imagens https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/48117 <p><em>Aniba rosaeodora</em> Ducke é uma espécie de alta relevância na indústria da perfumaria. A exploração excessiva, frutificação irregular e altos índices de predação de frutos, principalmente por insetos, situam a <em>Aniba rosaeodora</em> na lista de espécies ameaçadas de extinção. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficiência da análise de imagens radiográficas em sementes predadas por <em>Heilipus odoratus</em> e a influência dos danos no processo de germinação e formação de plântulas. As sementes cotiledonares foram submetidas ao teste de raios X na intensidade de 35 kV por 10 segundos e a predação foi analisada por meio das imagens radiográficas com o <em>software</em> Imagej2®, estabelecendo-se as categorias: danos pequenos (≤ 25%); danos moderados (&gt; 25% - ≤ 50%) e danos severos (&gt; 50%). O teste de raios X permitiu detectar que sementes com orifícios não necessariamente estavam sendo predadas no seu interior. Apesar de perdas na reserva cotiledonar pela predação, as sementes ainda conseguem emitir raízes se o eixo embrionário não for atingido, porém, as possibilidades de emitir a parte aérea se reduzem drasticamente conforme o aumento dos danos. Concluiu-se que o teste de raios X foi eficiente para confirmar a predação sem afetar o processo de germinação e que a análise de imagens é uma ferramenta adequada para mensurar os danos provocados por <em>Heilipus odoratus</em>.</p> Adrian Arturo Arispe Torrez Angela Maria Imakawa Ariel Dotto Blind Paulo de Tarso Barbosa Sampaio Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 1061 1077 10.5902/1980509848117 Bioeficácia de produtos à base de nim (<i>Azadirachta indica</i> A. Juss.) no manejo de <i>Oligonychus punicae</i> (Acari: Tetranychidae) em eucalipto https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/55272 <p>Produtos naturais têm apresentado potencial no controle de artrópodes-praga, bem como para ácaros do gênero <em>Oligonychus</em>. Este estudo teve como objetivo avaliar a toxicidade, repelência e efeito ovicida de diferentes formulações comerciais à base de nim (<em>Azadirachta indica</em> A. Juss.) no controle do <em>Oligonychus punicae </em>(Hirst, 1926) em minijardim clonal de eucalipto. Os produtos testados foram Natural Neem<sup>®</sup>, Off-Neem<sup>®</sup>, Nim-I-GO<sup>®</sup> e Azamax<sup>®</sup>. Para avaliar a toxicidade sobre fêmeas adultas de <em>Oligonychus punicae</em>, foram utilizados discos foliares de eucalipto, pulverizados com diferentes concentrações de cada produto, definidas a partir de testes preliminares. A mortalidade foi avaliada 48 h após aplicação dos produtos e calculadas as concentrações letais (CL<sub>50</sub> e CL<sub>95</sub>) para cada um. O efeito repelente foi verificado através de teste com chance de escolha, utilizando-se discos foliares tratados com os produtos e água destilada. A concentração utilizada foi a CL<sub>50 </sub>dos produtos calculada no teste de toxicidade. O efeito ovicida foi determinado a partir da aplicação das soluções preparadas com as CL<sub>95 </sub>de cada produto sobre ovos de <em>Oligonychus punicae </em>em discos foliares de eucalipto. As CL<sub>50</sub> variaram entre 0,10 a 0,56% para Off-Neem<sup>® </sup>e Azamax<sup>®</sup>, respectivamente, e as CL<sub>95</sub> de 0,71 a 1,78% para Off-Neem<sup>® </sup>e Natural Neem<sup>®</sup>. Os inseticidas Off-Neem<sup>® </sup>e Natural Neem<sup>® </sup>reduziram significativamente o número de fêmeas de <em>Oligonychus punicae</em>, entretanto, Azamax<sup>® </sup>e Nim-I-GO<sup>®</sup> não apresentaram uma redução significativa, embora todos tenham sido classificados como repelentes. Os ovos de <em>Oligonychus punicae </em>tratados com as CL<sub>95</sub> dos produtos foram inviabilizados, não havendo eclosão. Portanto, conclui-se que os produtos naturais testados apresentaram potencial para o controle de <em>Oligonychus punicae</em> em virtude da significativa toxicidade sobre ovos e fêmeas adultas. </p> Mayara Fernandes dos Santos Paulo Roberto Ramalho Silva Matheus Pinheiro Amaranes José Cláudio Barros Ferraz Marcus Eugênio Oliveira Briozo Solange Maria de França Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 1078 1094 10.5902/1980509855272 Ocorrência de <i>Phomopsis</i> sp. em mudas de <i>Carya illinoinensis</i> (Wangenh) K. Koch https://periodicos.ufsm.br/cienciaflorestal/article/view/67140 <p>A produção de mudas de nogueira-pecan tem ganhado força nas últimas décadas, principalmente na região sul do Brasil, e esse aumento na demanda, consequentemente, intensifica os estudos sobre problemas fitossanitários presentes na cultura nessa região. A qualidade sanitária é um fator importante na produção de mudas florestais, tendo em vista a ocorrência de doenças em todas as etapas do processo produtivo. Em abril de 2021, foram observadas manchas foliares escuras e irregulares em mudas de nogueira-pecan em condições de viveiro. A evolução dos sintomas causava queda dos folíolos e comprometimento no desenvolvimento das plantas, devido à redução da sua área fotossintética. Verificou-se que se tratava do efeito causal de um fungo, que foi isolado em meio batata-dextrose-ágar (BDA), tendo, posteriormente, sua patogenicidade constatada em folíolos destacados de nogueira-pecan. Discos de 4 mm da cultura pura do isolado de <em>Phomopsis</em> sp. foram dispostos na superfície de folíolos sadios, previamente feridos com agulha histológica esterilizada. Após a inoculação, os folíolos foram acondicionados em caixas gerbox forradas com duas folhas de papel-filtro esterilizadas e umedecidas com água destilada esterilizada e mantidas em câmara de incubação durante sete dias a 25 ± 2ºC e fotoperíodo de 12 h. Foram utilizados oito folíolos sadios como testemunha, os quais foram submetidos às mesmas condições, utilizando apenas discos de meio de cultura BDA. O isolado mostrou-se patogênico, com os primeiros sintomas após 6 dias da inoculação. As lesões, inicialmente circulares e necróticas, foram coalescendo e aos 10 dias atingiram 16 mm. Foi realizado o reisolamento assim que as estruturas reprodutivas do fungo apareceram, essas foram transferidas para placas de Petri com meio de cultura BDA. O fungo causador dos sintomas foi identificado como <em>Phomopsis</em> sp., e este trabalho apresenta o primeiro relato da ocorrência de mancha foliar de <em>Phomopsis</em> sp. em <em>Carya</em> <em>illinoinensis </em>em condições de viveiro no Brasil.</p> Caciara Gonzatto Maciel Isabele Simões Silveira Marília Lazarotto Claudimar Sidnei Fior Marcio Alberto Hilgert Copyright (c) 2022 Ciência Florestal http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-06-24 2022-06-24 32 2 1095 1105 10.5902/1980509867140