CRIMINOLOGIA MIDIÁTICA: UM ESTUDO SOBRE O PROGRAMA “CIDADE ALERTA” (REDE RECORD DE TELEVISÃO)

Augusto Jobim do Amaral, Tatiana das Neves Swatek

Resumo


O artigo tem como escopo a análise, através da criminologia midiática, das violações de direitos operadas por programas de larga audiência televisiva, com intuito de observar a dramaturgia midiática dirigida por discursos de opinião veiculados por seus “empresários morais”. Em televisão aberta, a hipótese que se cumpre afirmar é a notória implicação das práticas de controle penal via uma sociedade da informação. Assim, propõe-se, por meio do exame de telejornal de referência – “Cidade Alerta” (Rede Record de Televisão) -, observar quais as formas de construção de uma realidade social em matéria criminal forjada pela plataforma visual, bem como a grande quantidade de violação de direitos que atingem suspeitos de crimes mediados por este meio de comunicação de massa. Em termos especiais e inéditos, o trabalho verifica empiricamente os impactos da construção social da realidade através da análise pormenorizada de quatro meses do programa (período compreendido entre dezembro de 2017 até março de 2018), tendo como base a classificação de violações midiáticas da plataforma “Mídia sem violações de direitos” do Coletivo “Intervozes”. Portanto, ao fim, cruzam-se as informações acerca dos crimes veiculados pelo programa neste intervalo apanhado e as correspondentes violações de direitos cometidas por seus agentes midiáticos.


Palavras-chave


Criminologia midiática; Empresários morais; Mídia; Violação de direitos.

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DOI: https://doi.org/10.5902/1981369439072

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