GERMINAÇÃO DE SEMENTES E EMERGÊNCIA DE PLÂNTULAS DE Luehea divaricata Mart. et. Zucc. EM DIFERENTES SUBSTRATOS

Adriana Falcão Dutra, Maristela Machado Araujo, Daniele Guarienti Rorato, Patricia Mieth

Resumo


O presente trabalho teve como objetivo avaliar diferentes substratos na germinação de sementes e emergência de plântulas de Luehea divaricata. O estudo foi realizado no Viveiro Florestal, DCFL, Universidade Federal de Santa Maria - RS. Os frutos foram coletados de oito árvores matrizes, no Morro do Cerrito, Santa Maria, em julho de 2008. Após o beneficiamento, as sementes permaneceram armazenadas em câmara fria, dentro de sacos de papel, por 4 meses, para o estudo de emergência de plântulas, e por 7 meses para a avaliação da germinação de sementes. Foram avaliados cinco substratos para germinação (T1: Rolo de papel; T2: Sobre papel mata-borrão; T3: Entre papel mata-borrão; T4: Sobre areia; T5: Sobre vermiculita) com quatro repetições, e quatro tratamentos para emergência (T1: 100% turfa; T2: 80% turfa e 20% casca de arroz carbonizada; T3: 60% turfa e 40% casca de arroz carbonizada; T4: 40% turfa e 60% casca de arroz carbonizada) com cinco repetições. Foi utilizado delineamento experimental inteiramente casualizado. Foram analisadas as variáveis germinação (G), índice de velocidade de germinação (IVG) e tempo médio de germinação (TMG) em laboratório e, para emergência, foi analisado o percentual de emergência (E), índice de velocidade de emergência (IVE) e tempo médio de emergência (TME) em viveiro. O início da germinação ocorreu no 6° dia, podendo a primeira contagem ser realizada aos 18 dias e as avaliações serem encerradas aos 35 dias após a instalação do experimento. Além disso, o substrato sobre vermiculita (T5) apresentou os percentuais mais altos de G e IVG, correspondendo a 42% e 0,678, respectivamente, enquanto que o T2 apresentou o menor TMG (14,80 dias). A emergência de plântulas teve início aos 21 dias após a semeadura, sendo finalizada aos 70 dias. Os tratamentos T1 e T2 apresentaram os maiores valores de E, 84,37%, 91,87%, respectivamente, diferindo estatisticamente de T3 e T4. Além disso, o tratamento T2 também apresentou os melhores valores de IVE (0,98) e TME (33,54 dias). Portanto, para germinação de sementes é indicado o substrato sobre vermiculita, e para emergência de plântulas, o substrato composto pela mistura de 80% turfa e 20% casca de arroz carbonizada.


Palavras-chave


açoita-cavalo; espécie nativa; sementes florestais; viveiro florestal.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509822744

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