Mecanismos de regeneração natural em remanescente de Floresta Estacional Decidual

Marta Silvana Volpato Sccoti, Maristela Machado Araujo, Cristiane Friedrich Wendler, Solon Jonas Longhi

Resumo


Diante da perda da biodiversidade e do habitat natural decorrentes da fragmentação das florestas, surge a necessidade de alternativas que possibilitem a recuperação desses ambientes. Assim, este estudo objetivou obter informações sobre o potencial dos mecanismos de regeneração natural (chuva de sementes, banco de sementes do solo, banco de plântulas e regeneração natural estabelecida) em um remanescente de Floresta Estacional Decidual, visando à conservação e recuperação destes ecossistemas. O estudo foi realizado de forma sistemática, a partir da demarcação de 14 unidades amostrais de 2.000 m², dentro das quais foram selecionadas, aleatoriamente, 70 subparcelas onde foram avaliados os mecanismos de regeneração. A chuva de sementes foi avaliada durante um ano, com base no material obtido mensalmente a partir de coletores. Para o estudo do banco de sementes foram tomadas amostras de solo, com uso de um gabarito de ferro com 25x25x5 cm de dimensões, monitoradas durante 7 meses mediante germinação das sementes. A regeneração natural foi avaliada em duas classes: banco de plântulas e regeneração natural estabelecida, onde foram identificados e medidos indivíduos com h≥30 cm e DAP<5 cm. A chuva de sementes apresentou densidade média de 1350 sementes.m-² na área, dentre as quais se observou 73 espécies, predominantemente, arbóreas. No banco de sementes do solo, foram observadas 108 espécies, sendo 74% herbáceas. No banco de plântulas foram encontradas 48 espécies, sendo estas esciófilas e heliófilas, já na regeneração estabelecida foram encontradas 37 espécies, em sua maioria esciófilas. Concluiu-se que as espécies com maior potencial para perpetuar na área estudada foram Gymnanthes concolor, Sorocea bonplandii, Eugenia rostrifolia, Trichilia claussenii, Trichilia elegans e Dasyphyllum spinescens, sendo as mesmas indicadas para enriquecimento. Já as espécies Myrocarpus frondosus, Cupania vernalis, Nectandra megapotamica e Syagrus rommanzoffian apresentam certa restrição, dependendo de tratamentos silviculturais na floresta para garantir sua perpetuação na área.


Palavras-chave


chuva de sementes; banco de sementes do solo; banco de plântulas; regeneração natural estabelecida

Texto completo:

PDF

Referências


ALMEIDA, C. M.et al. Análise fitossociológica em remanescente de Floresta Estacional Decidual.Ciência Florestal, Santa Maria, 2009 (prelo).

ALMEIDA-CORTEZ, J. S. Dispersão e banco de sementes. In: FERREIRA, A. G.; BORGHETTI, F. (Org.) Germinação: do básico ao aplicado, Porto Alegre: Artmed, 2004, p. 225-235.

ARAUJO, M. M. Vegetação e mecanismos de regeneração em fragmento de Floresta Estacional Decidual Ripária, Cachoeira do Sul, RS, Brasil. 2002. 154 f. Tese (Doutorado em Engenharia Florestal)-Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2002.

ARAUJO, M. M. et al. Caracterização da chuva de sementes, banco de sementes do solo e banco de plântulas em Floresta Estacional Decidual Ripária Cachoeira do Sul, RS, Brasil. Scientia Forestalis, Piracicaba, n. 66, p. 128-141, dez./2004.

BACKES, P.; IRGANG, B. Árvores do Sul: guia de identificação e reconhecimento ecológico. Porto Alegre: Pallotti, 2002. 325 p.

BAKER, H. G. Some aspects of the natural history of seed banks. In: LECK, M. A.; PARKER, V. T.; SIMPSON, R. L. (Eds) Ecology of soil seed banks. San Diego: Academic Press, 1989. p. 9-21.

BUDOWISK, G. Distribuição of tropical American rain forest species in the light of sucession process. Turrialba, San Domingos, v. 15, p. 40-42, 1965.

CARGNELUTTI FILHO, A. C. et al. Testes não paramétricos para pesquisas agrícolas. Santa Maria: UFSM/CCR/ Departamento de fitotecnia, 2001. 87 p.

CHAMI, L. B. Estudo da vegetação e mecanismos e regeneração em diferentes ambientes da Floresta Ombrófila Mista na FLONA de São Francisco de Paula, RS. 2008. 86 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Florestal)–Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2008.

CROUZET, Y. Bambus. Roma: Evergreen, 1998.126 p.

FARIAS, J. A. C., et al. Estrutura fitossociológica de uma Floresta Estacional Decidual na região de Santa Maria, RS. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 1, n. 4, p. 109-128. 1994.

FELFILI, J. M.; VENTUROLI, F. Tópicos em análise da vegetação. Brasilia: Universidade de Brasilia, 2000. 34 p.

FENNER, M; THOMPSON, K. The ecology of seeds. Cambridge: University Press, 2005. 249 p.

GARWOOD, N. C. Tropical soil seed banks: a review. In: LECK M. A.; PARKER, V. T.; SIMPSON, R. L. (Eds.) Ecology of soil seed banks. San Diego: Academic Press, 1989. p. 149-209.

LARKER, W. Ecofisiologia vegetal. São Carlos: RIMA, 2000. 531 p.

LEMOS, R. C.; AZOLIN, M. D.; ABRÃO, P. R. Levantamento de reconhecimento dos solos do estado do Rio Grande do Sul. Recife: Ministério da Agricultura, Departamento Nacional de Pesquisas Agropecuárias, Divisão de Pesquisas Pedagógicas, 1973. 431 p.

LORENZI, H. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas e tóxicas. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 1991. 140 p.

LORENZI, H. Árvores Brasileiras: Manual de identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2002. 381 p. vol. 1.

MARTINEZ-RAMOS, M.; SOTO-CASTRO, A. Seed rain and advanced regeneration in a tropical rain forest. In: FLEMING; ESTRADA, A. (Eds). Frugivory and seed dispersal: Ecological and evolutionary Aspects. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 1993. p. 299-318.

MELO, F. P. L. de Recrutamento e estabelecimento de Plântulas. In: FERREIRA, A. G.; BORGHETTI, F. (Org.) Germinação: do básico ao aplicado. Porto Alegre: Artmed, 2004. p 238-250.

PIZO, M., A. Padrão de deposição e sobrevivência de sementes e plântulas de duas espécies de Myrtaceae na Mata Atlântica. Revista brasileira de Botânica, São Paulo, v. 26, n. 3, p. 371-377, jul./set. 2003.

REITZ, P.; KLEIN, R. M.; REIS, A. Projeto Madeira do Rio Grande do Sul. Itajaí: Herbário Bárbara Rodrigues, 1988.525 p. Sellowia, Itajaí, n. 34-35, p. 525, 1988.

RIO GRANDE DO SUL. Governo do Estado. Inventário Florestal Contínuo do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: FATEC/SEMA, 2002. Disponível em: (www.ufsm.br/ifcrs)> Acesso em: 17 de julho de 2008.

RIO GRANDE DO SUL. Secretária Estadual do Meio Ambiente. Departamento de Florestas e Áreas Protegidas. Diretrizes ambientais para restauração de matas ciliares. Porto Alegre: SEMA, 2007. 33 p.

ROIZMAN, L. G. Fitossociologia e dinâmica do banco de sementes do solo de populações arbóreas de floresta secundária em São Paulo, SP. 1993. 156 f. Dissertação (Mestrado em Ecologia) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993.

RUDGE, A. de C. Contribuição da chuva de sementes na recuperação de áreas e do uso de poleiros como técnica catalisadora da sucessão natural. 2008. 113 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais e Florestais)-Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

SILVA, W. C., et al. Estudo da regeneração natural de espécies arbóreas em fragmento de Floresta Ombrófila Densa, Mata das Galinhas, no município de Catende, Zona da Mata Sul de Pernambuco. Ciência florestal, Santa Maria, v.17, n. 4, p. 321-331, out./dez. 2007.

SIMPSON, R. L. et al. Seed banks: general concepts and a methodological issues. In: LECK, M. A.; PARKER, T. V.; SIMPSON, R. L. (Eds) Ecology of soil seed banks. New York: Academic Press, 1989, p. 3-8.

STRECK, E. D. et al. Solos do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EMATER/RS-ASCAR, 2008. 222 p.

VIEIRA, I. C. G. Florest succession after shifting cultivation in eastern Amazonia. 1996. 205 f. Thesis (Doctor of Philosophy)-University of Stirling, Scotland, 1996.




DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050983803

Licença Creative Commons