Padrão e processo sucessionais em florestas secundárias de diferentes idades na amazônia oriental.

Maristela Machado Araújo, Joanna Marie Tucker, Steel Silva Vasconcelos, Daniel Jacob Zarin, Wilson Oliveira, Patrícia Delamônica Sampaio, Lívia Gabrig Rangel-Vasconcelos, Francisco de Assis Oliveira, Roberta de Fatima Rodrigues Coelho, Débora Veiga Aragão, Izildinha Miranda

Resumo


A maioria dos estudos de sucessão em florestas secundárias na Amazônia avalia sítios de diferentes idades, que representam uma cronoseqüência sucessional, em vez de monitorar um único sítio por vários anos pelo inventário contínuo. Este estudo comparou a composição e estrutura florísticas de espécies arbóreas com diâmetro a 1,3 m de altura (DAP) ≥ 1 cm, em sítios com 4 e 12 anos na Amazônia Oriental, e avaliou a mortalidade e o recrutamento em ambos os sítios baseados em dados de inventário contínuo durante 4 anos de estudo. As áreas de estudo foram abandonadas após múltiplos ciclos de uso agrícola de 7 a 10 anos, desde ~1940. Ambos os sítios são dominados pelas espécies arbóreas Lacistema pubescens e Vismia guianensis, com densidade de indivíduos, diâmetro, altura, área basal e riqueza de espécies significativamente maiores no sítio de 12 anos. A densidade de indivíduos, ao longo do tempo, foi crescente no sítio de 4 anos e decrescente no de 12 anos; o diâmetro, a altura e a área basal aumentaram nos dois sítios. No sítio de 4 anos, foi constatada uma taxa de recrutamento líquido crescente entre 2000-2001 e 2001-2002, que diminuiu entre 2002-2003, indicando redução gradual na colonização. No sítio de 12 anos, foi observada alta mortalidade líquida (13 e 11%), sobretudo nas duas primeiras avaliações, indicando o processo de autodesbaste. A combinação dos métodos de cronoseqüência e inventário contínuo aumenta substancialmente o entendimento do desenvolvimento sucessional.


Palavras-chave


Amazônia; cronoseqüência; sucessão florestal; floresta secundária

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050981872

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