A formação humana entre barbárie e irracionalidade - espanto e práxis dialógica
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984644489294Palavras-chave:
Formação humana, Barbárie, Práxis dialógicaResumo
O objetivo deste artigo é, a partir de uma pesquisa bibliográfica de cunho hermenêutico, pautar a postura formativa da práxis dialógica como possibilidade de trazer à luz e enfrentar as formas contemporâneas de barbárie. Tal pesquisa nasce de um duplo espanto: do persistente retorno da barbárie disfarçada de civilização e da perda da capacidade do assombro diante disso. Na introdução, contextualiza-se e problematiza-se o tema, cuja abordagem se desdobra em três pontos: no primeiro, atenta-se para o fato de a barbárie se apresentar irracionalmente como civilização e pela incapacidade da humanidade reagir diante disso; no segundo, a partir do desvelamento de algumas falsas noções de espanto, que não somente permitem que a barbárie se mantenha, senão também que ela seja questionada, propõe-se um resgate do sentido originário grego do thaumázein, a partir do qual o espanto alcança também um significativo potencial formativo; no último ponto, apresenta-se a possibilidade de uma postura formativa, que possa dar conta de um novo despertar antropológico e civilizatório, a saber, a práxis dialógica gadameriana. Resulta desta pesquisa que a barbárie é uma possibilidade sempre latente e presente na civilização. A práxis dialógica, por sua vez, se mostra como postura e caminho capaz de agir formativamente no interior da própria ambiguidade humana e evitar a barbárie. Conclui-se que a barbárie não pode ser superada, mas pode ser enfrentada. E tal é uma das tarefas da educação como formação humana, que tem na práxis dialógica uma das melhores possibilidades para tanto.
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