Por uma ética da acessibilidade na produção de conhecimento científico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1984686X93476

Palavras-chave:

Deficiência Intelectual, Educação, Anticapacitismo

Resumo

Este trabalho, que deriva de doutorado que investigou a dimensão educativa de coletivos de autodefensoria de jovens com deficiência intelectual, discute um dos conjuntos de resultados, qual seja, a produção de acessibilidade para garantir a participação dos jovens.. A pesquisa contou com realização de grupos focais com três coletivos. Buscamos contribuir para o desenvolvimento de métodos de pesquisa em ciências humanas, com base no modelo social da deficiência, cuja centralidade está no reconhecimento da deficiência como sistema de opressão e na produção de acessibilidade, sem prejuízo dos conteúdos e da complexidade da discussão. Ao longo de todo o processo de pesquisa, foram planejadas estratégias de acessibilidade que permitiram refletir sobre algumas categorias relacionadas à produção de acessibilidade: a dimensão temporal, a produção e o registro de coletivos de memórias e a comunicação multimodal.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luciana Stoppa dos Santos, Universidade de São Paulo

Psicóloga graduada pela Universidade Federal de São Carlos. Mestre em Educação Especial pelo Programa de Pós Graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos e Doutora pela Faculdade de Educação da USP (FE-USP) intitulada "Anticapacitismo e participação política de pessoas com deficiência intelectual: dimensão educativa de movimentos de autodefensoria.Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase no Atendimento Social e Comunitário à pessoas com deficiência e famílias.

Carla Biancha Angelucci, Universidade de São Paulo

É professora associada no Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação - EDF na Faculdade de Educação - FE da Universidade de São Paulo - USP. Na graduação, dedica-se à área de Educação Especial. Na Pós-Graduação, ministra disciplinas relacionadas aos Estudos da Deficiência em interlocução com os estudos sobre medicalização da educação e da vida, orienta mestrados e doutorados, bem como coordena a Área de Concentração Educação e Ciências Sociais - desigualdades e diferenças (2018-atual). Coordena o Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da USP (2021-atual). Supervisiona pós-doutorados. Coordena grupos de estudos. Participa do grupo de pesquisa de Políticas de Educação Especial, coordenando a linha Educação Especial - táticas de resistência à produção de um não lugar para as diferenças na escola. Possui graduação em Psicologia pela Universidade de São Paulo (1997); mestrado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (2002); doutorado em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (2009), livre-docência em Educação (2022). Dedica-se aos estudos sobre a garantia do direito de pessoas com deficiência à educação, a partir das contribuições dos Estudos Feministas da Deficiência, estudos sobre Medicalização e sobre Capacitismo.

Referências

ALBUQUERQUE, A. Capacidade Jurídica e Direitos Humanos. Rio de Janeiro: Lúmen Juris, 2018.

ARROYO, M. G. Conhecimento, ética, educação, pesquisa. Revista e-Curriculum. v. 2, n. 2, jun. 2007.

BOSI, E. Entre a opinião e o estereótipo. Novos Estudos. Nº 32 , 1992.

BRANDÃO, C. R. Repensando a pesquisa participante. São Paulo: Brasiliense, 1999.

BRASIL. Decreto n. 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. 2009. Disponível em: ttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm. Acesso em: 30 jan. 2015.

BRASIL. Lei n. 13.146, de 6 de julho de 2015. Dispõe sobre a inclusão da pessoa com deficiência. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm . Acesso em: 9 mar. 2016.

CAMPBELL, F. K. Contours of Ableism. The production of disability and abledness. Palgrave Macmillan, UK, 2009.

CORDEIRO, M. P. Nada sobre nós sem nós: os sentidos de vida independente para os militantes de um movimento de pessoas com deficiência. 2007. Dissertação [Mestrado]. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo. 2007.

CRESPO, A. M. M. Da invisibilidade à construção da própria cidadania: os obstáculos, as estratégias e as conquistas do movimento social de pessoas com deficiência no Brasil através da história de seus líderes. 2009. Tese [Doutorado] Programa de Pós-Graduação em História Social. Universidade de São Paulo. São Paulo, 2009.

DANTAS, T.C. Jovens com Deficiência como sujeitos de Direitos: o exercício da autoadvocacia como caminho para o empoderamento e a participação social. Dissertação [Mestrado]. Programa de Pós- Graduação em Educação. Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, 2011.

FENAPAE. Manual Nacional de Autogestão, Autodefensoria e Família. Federação Nacional das Apaes. 2015. Disponível em: https://www.ijc.org.br/pt-br/defesa-de-direitos/advocacy/autodefensoria/Documents/MANUAL_AUTOGESTAO.pdf Acesso em janeiro de 2021.

GARLAND-THOMSON, R. Integrating Disability, Transforming Feminist Theory. NWSA Journal, v. 14, n. 3, 2002.

GATTI, B. A. Grupo focal na pesquisa em ciências sociais e humanas. Brasília: Liber Livro, 2012.

Gesser, M, Block, P, Mello, A.G. Estudos da deficiência: interseccionalidade, anticapacitismo e emancipação social. In: M. Gesser; G.L.K. Böck; P.H. Lopes (organizadoras). Estudos da deficiência: anticapacitismo e emancipação social Curitiba: CRV, 2020.

KAFER, A. Feminist, queer, crip. Indiana university press, 2013.

KITTAY. E.F. The ethics of care, dependence, and disability. Ratio Juris. vl. 24, n.1, p. 49-58, 2011

LAROSSA, J. Experiência e alteridade em educação. Revista Reflexão e Ação, Santa Cruz do Sul, v.19, n2, p.04-27, jul./dez. 2011

MARQUES, P. M. P; GENRO, M. E. H. Por uma ética do cuidado: em busca de caminhos descoloniais para a pesquisa social com grupos subalternizados. Estudos sociológicos. v.21 n.41 p.323-339, 2016.

MARTINS, B. S. et al. A emancipação dos estudos da deficiência. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 98., p. 45-64, 2012.

MAZZONI, A. A. et al. Aspectos que interferem na construção da acessibilidade em bibliotecas universitárias. Ci. Inf., Brasília, maio/ago, v. 30, n. 2, p. 29-34. 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ci/a/xdprRdF8MLDJWR5pS57zsVj/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 01 ago. 2021.

MERHY, E; E. FRANCO, T. B. Por uma composição técnica do trabalho centrada nas tecnologias leves e no campo relacional. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, Ano XXVII, v. 27, n. 65, set./dez. 2003.

MELLO, A. G. Deficiência, incapacidade e vulnerabilidade: do capacitismo ou a preeminência capacitista e biomédica do Comitê de Ética em Pesquisa da UFSC. Ciência & Saúde Coletiva, v. 21, n. 10, p. 3265-3276, 2016.

MOVIMENTO DOWN. Guia Linguagem Simples: aprenda a comunicar de um jeito que todos entendam. Arquivo de PDF. Disponível em: http://www.movimentodown.org.br/wp-content/uploads/2020/07/Guia-para-linguagem-simples-.pdf. Acesso em 12 de janeiro de 2021.

ONU. Convenção mundial sobre os direitos das Pessoas com Deficiência. 2006. Disponível em: https://www.oab.org.br/arquivos/a-convencao-sobre-os-direitos-das-pessoas-com-deficiencia-comentada-812070948.pdf

SANTOS, B. S. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do Sul. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019.

SANTOS, L.S. Anticapacitismo e participação política de pessoas com deficiência intelectual: dimensão educativa de movimentos de autodefensoria. Tese [Doutorado]. Programa de Pós-Graduação em Educação. Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo. 2021.

SCHMIDT, M. L. S. Aspectos éticos na pesquisa qualitativa. In: GUERRIERO, I. C. Z.; SCHIMIDT, M. L. S.; ZICKER, F. (orgs). Ética nas pesquisas em Ciências Humanas e Sociais na saúde. São Paulo: Aderaldo & Rothschild, 2008, p. 47-52.

SKLIAR, C. A Invenção a exclusão da alteridade "deficiente" a partir dos significados da normalidade. Educação & Realidade, v. 24, n. 1, p. 15-32, 1999.

THIOLLENT, M. Notas para o debate sobre pesquisa-ação. In: BRANDÃO, C. R. (org). Repensando a pesquisa participante. São Paulo: Brasiliense, 1999, p. 82-103.

VIEIRA, J; SILVESTRE, C. Introdução à Multimodalidade: contribuições da gramática sistêmico-funcional, análise de discurso crítica, semiótica social. Brasília, DF: J. Antunes Vieira, 2015.

VIGOTSKI, L. S. Desarrollo de las funciones psíquicas superiores en la edad de transición. In L. S. Vigotski. Obras escogidas IV: psicología infantil (2Ş Ş ed., pp.117-203). Madrid: Visor y A. Machado Libros, 2006.

VIGOTSKI, L. S. A Função social da mente. O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. Tradução: José Cipolla Neto, Luis Silveira Menna Barreto, Solange Castro Afeche. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

VIGOTSKI, L.S. Sete aulas sobre os fundamentos da pedologia. Tradução e organização Zoia Prestes, Elisabeth Tunes. Rio de Janeiro: E-papers, 2018.

VIGOTSKI, L. S. Problemas de defectologia. São Paulo: Expressão popular, 2021.

WOLBRING, G. The Politics of Ableism. Development, June 2008.

Downloads

Publicado

2025-12-27

Como Citar

Santos, L. S. dos, & Angelucci, C. B. (2025). Por uma ética da acessibilidade na produção de conhecimento científico. Revista Educação Especial, 38(1), e101/01–26. https://doi.org/10.5902/1984686X93476

Edição

Seção

Dossiê – Acessibilidade: invenções a serviço da ética da inclusão