SUCESSÃO EM FRAGMENTOS FLORESTAIS ALTOMONTANOS NO SUL DO BRASIL: UMA ABORDAGEM FLORÍSTICO-ESTRUTURAL E FILOGENÉTICA

Edilaine Duarte, Ana Carolina da Silva, Pedro Higuchi, Janaina Gabriela Larsen, Danielle Cristina Ortiz, Aline Gross, Eliana Turmina, Jéssica Thalheimer Aguiar, Manoela Bez Vefago, Chaiane Rodrigues Schneider, Silvane de Fátima Siqueira, Angela Camila Lemos, Lirio Ribeiro

Resumo


Objetivou-se caracterizar a organização florístico-estrutural, a riqueza e a estrutura filogenética de comunidades arbóreas de fragmentos florestais altomontanos em diferentes estágios sucessionais, situados no Parque Nacional de São Joaquim em Urubici, Santa Catarina. Foram selecionados três fragmentos, dois em avançado estágio sucessional e um em estágio inicial, sendo cada um avaliado por meio de 20 parcelas de 10 x 10 m, distribuídas na forma de transecção de 20 x 100 m. Foram identificados e medidos todos os indivíduos arbóreos com DAP ≥ 5 cm. Os dados foram analisados por meio de rarefação, ordenação multivariada, análise de espécies indicadoras e métricas de estruturação filogenética. A riqueza encontrada em cada fragmento não apresentou relação com o estágio sucessional, uma vez que as áreas não difeririam quanto a este aspecto. A organização florístico-estrutural foi influenciada pela interação entre o estágio sucessional e as diferenças ambientais entre os locais. Na área em início de sucessão, foi observado o agrupamento filogenético das espécies, e nas áreas tardias, o padrão foi aleatório. Assim, os resultados evidenciaram variações na riqueza independentemente do estágio sucessional e que a sucessão florestal influenciou a composição florístico-estrutural e a estrutura filogenética das áreas.


Palavras-chave


ecologia florestal; filogenia; Floresta Ombrófila Mista Alto-Montana.

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DOI: https://doi.org/10.5902/1980509833349

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