Estresse salino e diferentes temperaturas alteram a fisiologia em sementes de Clitoria fairchildiana Howard

Danilson Correia da Silva, Edna Ursulino Alves, Sueli da Silva Santos-Moura, Marina Matias Uesulino, Luciana Rodrigues de Araújo

Resumo


Clitoria fairchildiana Howard, conhecida popularmente como sombreiro, é uma árvore nativa muito utilizada no paisagismo urbano devido ao rápido crescimento e beleza das flores, além disso, fornece excelente sombra e sua madeira é utilizada para diversas finalidades. Dessa forma, o trabalho foi realizado com o objetivo de determinar a tolerância das sementes de Clitoria fairchildiana Howard ao estresse salino na germinação em diferentes temperaturas. O experimento foi conduzido no Laboratório de Análise de Sementes do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba, em Areia - PB. Para simular o estresse salino utilizou-se como soluto o cloreto de sódio (NaCl) diluído em água destilada e deionizada para obtenção das concentrações de 0,0 (controle); 1,5; 3,0; 4,5; 6,0; 7,5; 9,0 e 10,5 dS m-1, nas temperaturas de 25 e 30°C constantes e 20-30°C alternada. Na avaliação dos efeitos dos tratamentos determinaram-se as seguintes características: porcentagem, primeira contagem e índice de velocidade de germinação (IVG), bem como comprimento e massa seca de plântulas (raiz e parte aérea). O delineamento experimental foi inteiramente ao acaso, com os tratamentos dispostos em esquema fatorial 3 x 8 (temperaturas e níveis de salinidade), em quatro repetições. A porcentagem de germinação e o vigor das sementes reduziram com o aumento dos níveis de salinidade, no entanto, para aquelas submetidas à temperatura constante de 25°C a porcentagem de germinação foi superior em relação às demais. O decréscimo nos níveis de potencial osmótico das soluções salinas (NaCl) no meio germinativo provoca redução na germinação e no vigor das sementes de Clitoria fairchildiana Howard, as quais são classificadas como glicófitas, com moderada tolerância ao sal NaCl.


Palavras-chave


Sombreiro; Qualidade fisiológica de sementes; Espécie florestal

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509813588

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