A NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO E OS LIMITES DE UMA TEORIA LIBERAL DA JUSTIÇA

Ernane Salles da Costa Junior

Resumo


O presente artigo busca apresentar, à luz das reflexões de Honneth, as críticas e os limites de uma teoria da justiça liberal. Seu objetivo geral é o de demonstrar que a textura da justiça não é uma dedução de ordem abstrata, mas, ao contrário, está ancorada em relações sociais intersubjetivamente reconhecidas que são constituídas de práticas perpassadas de conteúdo moral. Para tanto, são analisados, primeiro, os componentes de uma teoria liberal da justiça a partir do pensamento de John Rawls. Feito isso, os pilares do liberalismo são submetidos a um exame crítico. Em seguida, o percurso de Honneth é apresentado a fim de traçar respostas às limitações e insuficiências da matriz liberal. A conclusão é no sentido de repensar a justiça para além da dimensão abstrata de modo a evidenciar a necessidade de reconstrução crítica dos fragmentos de normas e princípios morais e políticos já inscritos, ainda que parcialmente, na própria realidade social como processo de aprendizado social ético-normativo de longo prazo. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa se sustenta com base na teoria crítica e é basicamente bibliográfica.


Palavras-chave


Axel Honneth. John Rawls. Liberalismo. Reconhecimento. Teoria da justiça.

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DOI: https://doi.org/10.5902/1981369432105

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