n. 57: (Dez. 2018) - Literatura(s) contemporânea(s): a dinâmica do afeto

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O dossiê propõe uma reflexão sobre as potencialidades afetivas da literatura contemporânea. A discussão sobre os afetos encontrou terreno fértil nas ciências humanas e sociais no início deste milênio, impulsionando a denominada virada afetiva, cujo desafio teórico é o de pensar as transversalidades do afeto situadas entre as ações e as paixões (CLOUGH, 2007). Deleuze e Guattari (1991), em Qu'est-ce que la philosophie?,  entendem o afeto como um devir sensível, não humano, como um “ato pelo qual algo ou alguém não para de devir-outro (continuando a ser o que é)” (1992, p. 229). Segundo essa perspectiva, o potencial mobilizador do afeto projeta-se para além das corporalidades e das experiências individuais e pode ser pensado não apenas em relação às diversas formas de “pertencimento”, mas também relacionado à ideia de comunidade e às discussões referentes à ampliação dos regimes estéticos. Nesse sentido, o afeto é uma potência, um caminho para o(s) outro(s), uma forma de produção, ou ainda, uma estratégia capaz de renovar atuações e comprometimentos, sejam eles artísticos, culturais, sociais e/ou políticos. O afeto não só participa de experiências estéticas pungentes, mas também mobiliza a formulação de laços de solidariedade, os quais contribuem para a construção de comunidades – mesmo que provisórias.     

Publicado: 2018-11-28

Apresentação

  • Apresentação - Letras n. 57

    Renata de Felippe, Luciene Azevedo
    7-10
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148535823

Artigos

  • Por uma ética dos afetos: "Os anões", de Veronica Stigger

    Wanderlan da Silva Alves
    11-28
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148531868
  • "Fotogramas do medo" na literatura portuguesa moderna e contemporânea

    Leonardo de Barros Sasaki
    29-48
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148532725
  • “Curadoria”, autoria e fraternidades transcontinentais: a produção de Joca Reiners Terron

    Renata Farias de Felippe
    49-62
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148530753
  • O diário de luto de Martim: uma leitura de "A noite da espera", de Milton Hatoum

    Davi Andrade Pimentel
    63-80
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148531597
  • Objetos domésticos e sua dinâmica afetiva em narrativas portuguesas contemporâneas

    Denis Leandro Francisco
    81-96
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148531646
  • A escrita de si através do corpo: "O corpo em que nasci", de Guadalupe Nettel

    Mônica Saldanha Dalcol, Anselmo Peres Alós
    97-120
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148530834
  • A edição e a diagramação da trilogia cuiabana como álbum de recortes: um exercício relacional da memória

    Vinicius Carvalho Pereira
    121-136
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148529979
  • Representações da afetividade na literatura afro-brasileira de autoria feminina contemporânea

    Rodrigo da Rosa Pereira
    137-154
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148531669
  • Escrever (sobre) os afetos: a escrita íntima de Annie Ernaux

    Leila de Aguiar Costa
    155-172
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148531546
  • Afeto pós-humano na ficção científica de Margaret Atwood Oryx & Crake

    Davi Silva Gonçalves, Luciana Wrege Rassier
    173-204
    DOI: https://doi.org/10.5902/2176148529424