Fenologia e morfologia de Diatenopteryx sorbifolia Radlk.

Marciele Felippi, Solon Jonas Longhi, Maristela Machado Araujo, Braulio Caron

Resumo


http://dx.doi.org/10.5902/198050989280

O presente estudo procurou elucidar a época de ocorrência de flores e frutos e os aspectos morfológicos externos e internos da flor, fruto e semente, e externos da plântula e da muda de Diatenopteryx sorbifolia Radlk (Sapindaceae). A coleta do material botânico e as observações fenológicas foram realizadas em árvores matrizes, localizadas em remanescentes, no Município de Frederico Westphalen, RS, entre março de 2007 a março de 2010. O trabalho foi conduzido no Laboratório de Sementes do Departamento de Ciências Florestais, Universidade Federal de Santa Maria, RS. A espécie floresceu de setembro a outubro. A frutificação anual ocorreu de novembro a janeiro, tendo dispersão anemocórica. Houve irregularidade na produção de frutos conforme os anos, não havendo sincronismo entre matrizes durante as fenofases. A espécie possui inflorescência do tipo tirso, pleiotirso, com pequenas flores de coloração branca, hermafroditas com ovário súpero, sincárpico, bicarpelar e uniovular, como também flores unissexuais masculinas. O fruto simples, seco e indeiscente, de coloração castanha, é do tipo esquisocarpáceo, constituído por dois samarídeos contendo de uma a duas sementes, de formato ovoide, coloração castanha, exalbuminosas, com embrião axial e cotilédones carnosos. O processo germinativo iniciou a partir do 2° dia após a semeadura, sendo a germinação do tipo epígea. Após 18 dias, a plântula fanerocotiledonar está formada. A muda, nas condições de estudo, está formada três meses após a semeadura. A caracterização fenológica, assim como a morfológica, se constitui informação relevante para a identificação da espécie a campo, coleta e análise de sementes, como também, a produção de mudas.


Palavras-chave


semente; plântula; Sapindaceae

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050989280

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