Nutrição e crescimento da erva-mate submetida à calagem

Delmar Santin, Eliziane Luiza Benedetti, Jéssica Fernandes Kaseker, Marília Camotti Bastos, Carlos Bruno Reissmann, Ivar Wendling, Nairam Félix de Barros

Resumo


http://dx.doi.org/10.5902/198050988439

A erva-mate ocorre naturalmente em solos ácidos, mas é comumente cultivada em consórcio com culturas anuais que requerem correção da acidez. Contudo, pouco se conhece sobre seu comportamento frente à calagem. O objetivo desse estudo foi verificar a influência do calcário no crescimento e estado nutricional de plantas jovens de erva-mate. Para isso, incubou-se o solo com 0,0, 0,7, 1,8, 2,5, 3,4, 4,3 e 5,2 g dm-3 de calcário. Após 21 dias de incubação, mudas de erva-mate foram transplantadas para vasos com 3 dm3 de solo. Após 210 dias determinou-se o crescimento em altura e diâmetro, posteriormente separou-se as plantas em folha, caule e raiz para determinação da área foliar, comprimento e volume de raízes, produção de matéria seca e teor de N, P, K, Ca, Mg, Fe, Cu, Zn, Mn e Al, além da eficiência de utilização de Ca e Mg pela planta. O solo foi analisado quimicamente. O calcário elevou os teores de Ca, Mg e K do solo e estimulou um pequeno aumento no crescimento da parte aérea das plantas, o que não ocorreu para o sistema radicular. O máximo crescimento e produção de matéria seca da parte aérea da erva-mate ocorreu em pequenas doses de calcário, quando o teor de Ca e Mg no solo se situava, respectivamente, na faixa de 3,3 a 3,4 e 1,1 a 1,4 cmolc dm-3. Nas maiores doses de calcário os teores foliares de Cu, Zn, Mn e Fe e o crescimento das plantas foram fortemente reduzidos. A eficiência de utilização de Ca e Mg pela planta reduziu com o aumento da disponibilidade dos mesmos no solo. A erva-mate mostrou ser pouco responsiva à calagem e muito tolerante ao Al. Desta forma, a aplicação de calcário deve visar o suprimento de Ca e Mg para as plantas e não a correção da acidez do solo no intuito de neutralizar o Al trocável.

Palavras-chave


calcário; Ilex paraguariensis; nutrição mineral

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050988439

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