Manejo da biomassa e sustentabilidade nutricional em povoamentos de Eucalyptus spp. em pequenas propriedades rurais

Mauro Valdir Schumacher, Rudi Witschoreck, Vicente Guilherme Lopes, Francine Neves Calil

Resumo


O estudo foi realizado com o objetivo de subsidiar práticas de manejo nutricional de povoamentos de Eucalyptus spp. em pequenas propriedades rurais no estado do Rio Grande do Sul. Foram avaliados povoamentos de 2, 4, 6 e 8 anos de idade, com amostragem de 24 árvores e determinação da biomassa e nutrientes nos componentes: folha, galho vivo, galho morto, madeira e casca do tronco e raiz. Também foi estimada a biomassa e o conteúdo de nutrientes no sub-bosque e na serapilheira. A biomassa e o estoque de nutrientes no eucalipto foram estimados por meio do produto dos valores médios por componente, classe diamétrica e número de árvores por hectare, e no sub-bosque e serapilheira, por extrapolação com base na área das unidades amostrais. A eficiência de utilização dos nutrientes no eucalipto foi estimada através do coeficiente de utilização biológico (CUB). Considerando-se o estoque total de nutrientes no eucalipto, em média, a partição, por nutriente, obedeceu a seguinte ordem: Ca (40,0%), N (25,6%), K (22,6%), Mg (5,9%), S (3,1%), P (2,8%); e por componente: casca do tronco (27,5%), folha (25,1%), madeira do tronco (22,5%), galho vivo (14,4%), raiz (9,4%) e galho morto (1,1%). A serapilheira e o sub-bosque desempenham importante função na manutenção dos nutrientes no ecossistema florestal, e acumularam em média, em relação ao estoque total no eucalipto, para N, P, K, Ca, Mg e S, respectivamente, 47,1%, 34,0%, 33,6%, 32,8%, 35,3% e 36,6%. A colheita florestal realizada em povoamentos jovens acarreta perda no rendimento de madeira do tronco e maior exportação relativa de nutrientes (menor CUB). A colheita total da biomassa de eucalipto acima do solo, quando comparada com a colheita apenas da madeira do tronco, aumentou a exportação de N, P, K, Ca, Mg e S, respectivamente, em 83%, 152%, 193%, 445%, 305% e 49%, ao passo que a remoção de biomassa aumentou apenas 20%.


Palavras-chave


Nutrientes; Produtividade florestal; Recursos bioenergéticos

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DOI: https://doi.org/10.5902/198050985135

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