Nutrientes na serapilheira em um fragmento de Floresta Estacional Decidual, Itaara, RS

Márcio Viera, Silvana L. Caldato, Suzana Ferreira da Rosa, Maria Raquel Kanieski, Dane Block Araldi, Sidinei Rodrigues dos Santos, Mauro Valdir Schumacher

Resumo


O presente estudo teve por objetivo quantificar a massa e o estoque de nutrientes da serapilheira sobre o solo em um fragmento de Floresta Estacional Decidual no município de Itaara, RS. Para a quantificação da serapilheira, a amostragem foi realizada conforme frações estabelecidas em metodologias: uma para folhas e galhos com diâmetro menor a 1 cm (S0) e outra para material lenhoso com diâmetro de 1 cm a 3 cm (S1), 3,1 cm a 6 cm (S2) e maior que 6 cm (S3). Para a avaliação da fração S0, foram coletadas aleatoriamente cinquenta amostras com moldura metálica de 25 cm x 25 cm, já para a avaliação das frações S1, S2 e S3, foram distribuídas aleatoriamente dez parcelas de 3 m x 2 m na área de estudo. O material amostrado foi acondicionado e levado ao Laboratório de Ecologia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria onde foram secas, pesadas, moídas e analisadas quanto aos teores de macro e micronutrientes. Cerca de 45% da serapilheira depositada sobre o solo é formada por materiais lenhosos senescentes (galhos e troncos). As frações da serapilheira diferiram significativamente (p < 0,05), quanto aos teores de nutrientes, com exceção de Mg e Cu; geralmente a fração S0 apresentou teores mais altos de nutrientes. As frações S1, S2 e S3 apresentaram um acúmulo de nutrientes variando de 53,3% para o K a 8,7% para o Fe em relação ao total da serapilheira, demonstrando a importância da quantificação desses componentes durante a avaliação do estoque de nutrientes contidos na serapilheira de ecossistema florestal.


Palavras-chave


fracionamento da serapilheira; floresta nativa; ciclagem de nutrientes

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DOI: https://doi.org/10.5902/198050982419

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