Biomassa e nutrientes no corte raso de um povoamento de Pinus taeda L. de 27 anos de idade em Cambará do Sul – RS

Mauro Valdir Schumacher, Rudi Witschoreck, Francine Neves Calil, Vicente Guilheme Lopes

Resumo


http://dx.doi.org/10.5902/198050989278

Este trabalho, realizado em um povoamento de Pinus taeda de 27 anos de idade no município de Cambará do Sul (RS) teve como objetivos: estimar a produção de biomassa, o estoque de nutrientes e avaliar o impacto nutricional de diferentes intensidades de remoção de biomassa com a colheita florestal. A biomassa foi estimada por meio do ajuste de equações de regressão, com coleta de 15 árvores distribuídas em 5 classes diamétricas. O estoque de nutrientes foi obtido pelo produto entre o conteúdo médio de nutrientes em cada componente da biomassa e o número de árvores por classe diamétrica por hectare. A biomassa de Pinus taeda, acima do solo, foi estimada em 266,08 Mg ha-1, sendo composta por: 69,1 % de madeira do tronco, 17,1 % de galhos vivos, 6,7 % de casca do tronco, 3,8 % de galhos secos e 3,4 % de acículas. O estoque de nutrientes na biomassa, em kg ha-1, foi estimado em: 511,96 de N; 44,39 de P; 174,27 de K; 310,77 de Ca; 103,80 de Mg; 115,36 de S; 2,94 de B; 0,62 de Cu; 17,34 de Fe; 36,70 de Mn e 4,46 de Zn. A distribuição relativa do estoque total de nutrientes nos componentes da biomassa de Pinus taeda apresentou a seguinte sequência: madeira do tronco (43,6 %), galhos vivos (24,8 %), acículas (19,0 %), casca do tronco (8,7 %) e galhos secos (3,9 %). A colheita de toda biomassa acima do solo, quando comparada com a retirada apenas da madeira do tronco, acarreta uma elevação na exportação de nutrientes que pode variar de 58,0 % a 127,4 %, dependendo do nutriente, enquanto a remoção de biomassa aumentou 40,8 %.


Palavras-chave


colheita florestal; produtividade; ciclagem de nutrientes; sustentabilidade

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DOI: https://doi.org/10.5902/198050989278

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