Composição e eficiência da utilização biológica de nutrientes em fragmento de Mata Atlântica em Pernambuco.

Silvana Andreoli Espig, Fernando José Freire, Luiz Carlos Marangon, Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira, Maria Betânia Galvão dos Santos Freire, Darci Bacelar Espig

Resumo


A maioria dos estudos sobre teores de nutrientes em matas naturais se concentra na serapilheira. No Brasil, em Mata Atlântica, foram realizadas pesquisas na Mata de Dois Irmãos/PE, na Floresta da Tijuca/RJ e na Mata Salão Dourado/MG. Neste trabalho, a área em estudo constitui um remanescente de Mata Atlântica, enquadrando-se como Floresta Estacional Semidecidual. O trabalho objetivou determinar, por meio da fitossociologia, as dez espécies de maior valor de importância (VI), avaliar os teores dos nutrientes Ca, Mg, P, K e N nas folhas dessas espécies, estimar sua biomassa foliar e determinar a eficiência de utilização biológica desses nutrientes, ampliando assim, o conhecimento sobre os remanescentes de Mata Atlântica no Brasil. Metodologicamente, depois de definidas as dez espécies de maior VI, amostraram-se os indivíduos de maior circunferência a 1,30 m do solo (CAP) de cada espécie, e coletaram-se as folhas da parte intermediária da copa, formando uma amostra composta em que foram determinados os teores de Ca, Mg, P, K e N. Neste estudo, estimou-se a biomassa foliar em cada espécie e para transformar essa biomassa em kg/ha, somaram-se as biomassas foliares dos indivíduos da espécie encontrados na área. O conteúdo de nutrientes na biomassa foliar das espécies (kg/ha) foi obtido multiplicando-se o teor (g/kg) pela biomassa foliar (kg/ha) de cada espécie. A eficiência de utilização biológica foi calculada pela razão entre a biomassa foliar e o conteúdo de nutrientes das espécies. Os teores dos nutrientes, nas folhas, apresentaram a seguinte ordem decrescente N>Ca>K>Mg>P, porém em algumas espécies o teor de K foi maior do que o de Ca. A biomassa foliar das dez espécies de maior VI foi de 3,3 t ha-1, e representaram 24,5% da biomassa foliar total (13,4 t ha-1) do fragmento. A espécie Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire, Steyerm & Frodin foi responsável pelo maior aporte via foliar de Ca e Mg e Helicostylis tomentosa (Poepp. & Endl.) J.F., Macbr. pelo de P, K e N no fragmento. A eficiência de utilização de nutrientes apresentou a seguinte ordem P>Mg>K>Ca>N.


Palavras-chave


floresta nativa; biomassa foliar; teor de nutrientes.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/19805098441

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