MÉTODOS PARA SUPERAÇÃO DA DORMÊNCIA EM SEMENTES DE Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) Zappi

Ana Patrícia Rocha, Valderez Pontes Matos, Lúcia Helena de Moura Sena, Mauro Vasconcelos Pacheco, Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira

Resumo


Garcinia gardneriana é uma espécie florestal nativa do Bioma Mata Atlântica, com potencial para aplicação industrial, medicinal, ornamental e madeireira, cujas sementes têm dificuldades para germinar. Assim, o objetivo do presente trabalho foi avaliar diferentes métodos para superar a dormência de sementes de Garcinia gardneriana de modo eficaz e com baixo custo para promover a germinação rápida e uniforme. Foram testados os seguintes tratamentos: testemunha - sementes intactas (T1); sementes sem tegumento (T2); sementes sem tegumento, seguido de imersão em solução de ácido giberélico (GA3) a 500 mg.L-1 por 24 horas (T3); sementes sem tegumento, seguido de imersão em solução de nitrato de potássio (KNO3) a 0,2% por 24 horas (T4); semente sem tegumento, seguido de estratificação a 10°C por 120 horas (T5); sementes com tegumento e imersas em solução de KNO3 a 0,2% por 24 horas (T6); sementes submetidas à estratificação a 10°C durante 120 horas (T7); sementes escarificadas com lixa para massa n°80 no lado oposto ao hilo (T8). Para a superação da dormência foram avaliadas as seguintes variáveis: emergência total, primeira contagem de emergência, índice de velocidade de emergência (IVE), tempo médio de emergência, comprimento da parte aérea e raiz primária e massa seca da parte aérea e do sistema radicular das plântulas. A retirada do tegumento favorece a emergência de plântulas mais vigorosas oriundas de sementes de Garcinia gardneriana, por isso, apresentam dormência tegumentar (exógena). A imersão das sementes em solução de ácido giberélico pode acelerar a velocidade de emergência, mas não influencia o tempo médio de emergência. Os tratamentos mais eficazes para superação da dormência das sementes de Garcinia gardneriana foram a remoção do tegumento, seguido de imersão em solução de ácido giberélico (GA3) a 500 mg.L-1 por 24 horas ou apenas a remoção do tegumento.

Palavras-chave


Clusiaceae; ácido giberélico; espécie nativa; tratamentos pré-germinativos.

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Falta referência: Rocha (2015)




DOI: https://doi.org/10.5902/1980509832031

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