Uso do biochar e de bioestimulante na produção e qualidade de mudas de <i>Sapindus saponaria</i> L.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1980509828677

Palavras-chave:

Espécies nativas, Fitorregulador, Substrato

Resumo

O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos do biochar adicionado ao substrato e de bioestimulante na produção e qualidade de mudas de Sapindus saponaria L. O experimento foi conduzido em casa de vegetação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Chapadão do Sul - MS, com delineamento em blocos casualizados, em esquema fatorial 5x2, com cinco proporções de biochar (0%, 7,5%, 15%, 22,5% e 30%), e presença ou ausência de bioestimulante, com quatro repetições. Foram avaliados a altura total da muda (HT), diâmetro do colo (DC), volume de raiz (VR), comprimento de raiz (CR), massa seca da raiz (MSR), massa seca da parte aérea (MSPA), massa seca total (MST), área foliar (AF), relação altura total/diâmetro do colo (RHDC), relação altura total/parte aérea (RHPA), relação parte aérea/raiz (RPAR) e índice de qualidade de Dickson (IQD). Os valores de HT, DC, VR e CR decresceram à medida que se aumentou a proporção do biochar adicionado ao substrato, com maiores valores obtidos quando não houve a adição do composto e na ausência do bioestimulante, 19,22 cm e 4,99 mm, 6,36 mL e 14,1 cm, respectivamente. A produção de massa seca (g), na presença ou ausência de bioestimulante, tanto para parte aérea (MSPA), raiz (MSR) e total (MST), também reduziram à medida que se aumentou a proporção de biochar. Para AF, o maior valor proporcionado foi de 172,23 cm² sem biochar e sem o estimulante vegetal. A menor relação entre a altura e o diâmetro do colo (3,6) é obtida na presença do bioestimulante, na proporção de 8,3% de biochar no substrato. Para a RHPA, tanto na presença quanto na ausência do estimulante vegetal, os melhores resultados ocorrem sem uso do biochar. Na ausência do bioestimulante, o melhor resultado para MPAR foi proporcionado pela composição de 21,7% de biochar. O maior IQD (0,71) foi obtido na ausência do bioestimulante e sem adição do biochar. O uso do bioestimulante no tratamento das sementes e do biochar na composição do substrato não proporcionou incremento nas características de crescimento de Sapindus saponaria. Para o índice de qualidade RHDC, a combinação dos dois fatores manteve um equilíbrio na distribuição de biomassa nas mudas.

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Biografia do Autor

Deanna Carla Oliveira Soares, Pesquisadora Autônoma, São Gabriel do Oeste, MS

Engenheira Florestal, Pesquisadora Autônoma, Rua Fortunato Quintino Zanetti, 1003, CEP 79490-000, São Gabriel do Oeste (MS), Brasil.

Sebastião Ferreira Lima, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Chapadão do Sul, MS

Engenheiro Agrônomo, Dr., Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus de Chapadão do Sul, Rod. MS 306, km 105, CEP 79560-000, Chapadão do Sul (MS), Brasil.

Ana Paula Leite Lima, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Chapadão do Sul, MS

Engenheira Florestal, Dra., Professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus de Chapadão do Sul, Rod. MS 306, km 105, CEP 79560-000, Chapadão do Sul (MS), Brasil.

Jessica Aparecida Ferreira Paula, Pesquisadora Autônoma, Maracaju, MS

Engenheira Florestal, Pesquisadora Autônoma, Rua Almirante Barroso, 350, CEP 79150-000, Maracaju (MS), Brasil.

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Publicado

15-03-2021

Como Citar

Soares, D. C. O., Lima, S. F., Lima, A. P. L., & Paula, J. A. F. (2021). Uso do biochar e de bioestimulante na produção e qualidade de mudas de <i>Sapindus saponaria</i> L. Ciência Florestal, 31(1), 106–122. https://doi.org/10.5902/1980509828677

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Seção

Artigos