O uso de sistemas agroflorestais diversificados na restauração florestal na Mata Atlântica

Eline Matos Martins, Eliane Ribeiro da Silva, Eduardo Francia Carneiro Campello, Alexander Silva de Resende, Sandra Santana de Lima, Camila Pinheiro Nobre, Maria Elizabeth Fernandes Correia

Resumo


Com a nova legislação ambiental brasileira vislumbra-se a possibilidade do uso de sistemas agroflorestais diversificados para recompor áreas de preservação permanente e reserva legal, principalmente em pequenas propriedades rurais. Uma pergunta que surge, diz respeito a capacidade desses sistemas em reduzir custos na restauração florestal e ao mesmo tempo apresentar eficiência ecológica similar aos plantios em que se faz uso exclusivo de espécies nativas do bioma em questão. Buscando a resposta avaliou-se nesse estudo um sistema agroflorestal implantado em 2005, em Seropédica, RJ, que tinha o objetivo de interligar dois fragmentos florestais ali existentes. Desde então foram feitas uma série de avaliações sobre a eficácia ecológica desse “corredor agroflorestal” na interligação desses fragmentos. Os resultados indicaram que a quantidade e a qualidade da fauna do solo e fungos micorrízicos foram favorecidos pelo sistema agroflorestal em comparação à matriz de pastagem, mas ainda se encontram em níveis inferiores aos fragmentos florestais interligados. A pastagem próxima ao sistema agroflorestal vem se beneficiando da melhoria ambiental ali existente, criando um “efeito de borda positivo”, situação bem distinta da pastagem que se encontrava mais distante da área de influência do corredor agroflorestal. Para os indicadores utilizados, o sistema agroflorestal foi eficiente. 


Palavras-chave


Corredor agroflorestal; Fragmentação; Indicadores ecológicos

Texto completo:

PDF

Referências


ANGELINI, G. A. R. et al. Colonização micorrízica, densidade de esporos e diversidade de fungos micorrízicos arbusculares em solo de Cerrado sob plantio direto e convencional. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 33, n. 1, p. 115-130, jan./mar. 2012.

BARETTA, D. et al. Fauna edáfca e qualidade do solo. Tópicos de Ciência do Solo, [s. l.], v. 7, p. 119-170, 2011

BARROS, E. et al. Development of the soil macrofauna community under silvopastoral and agrosilvicultural systems in Amazonia. Pedobiologia, 47: 273-280, 2003.

BONFIM, J.A. et al. Fungos micorrízicos arbusculares (FMA) e aspectos fisiológicos em cafeeiros cultivados em sistema agroflorestal e a pleno sol. Bragantia, 69(1): 201-206, 2010

CARDOSO, I. M. et al. Distribution of mycorrhizal fungal spores in soils under agroforestry and monocultural coffee systems in Brazil. Agroforestry Systems, 58: 33-43, 2003.

COSTA, P. Fauna do solo em plantios experimentais de Eucalyptus grandis Maiden, Pseudosamanea guachapele Dugand e Acacia mangium Willd. 2002. 93 p. Dissertação (Mestrado) Seropédica, UFRRJ, Instituto de Agronomia.

DANTAS, J.O. et al. Levantamento da entomofauna associada em sistema agroflorestal. Scientia Plena 8, 9(14): 01-08, 2012.

DEHARVENG, L.; D‟HAESE, C.; BEDOS, A. Global diversity of springtails Collembola; Hexapoda) in freshwater. Hydrobiologia, 595: 329-338, 2008.

DIAS, P. F. et al. Árvores fixadoras de nitrogênio e macrofauna do solo em pastagem de híbrido de Digitaria. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 41(6): 1015-1021, 2006.

EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa em Solos. Manual de métodos de análise de solo 2. ed. rev. atual. Rio de Janeiro, 1997. 212 p.

GERDMANN, J.; W, NICOLSON, T. H. Spores of mycorrhizal endogone species extracted from soil by wet sieving and decanting. Transactions of the British Mycological Society, 46: 235-244, 1963.

GUADARRAMA, P.; ÁLVAREZ-SÂNCHEZ, F. J. Abundance of arbuscular mycorrhizal fungi spores in different environments in a tropical rain forest. Mycorrhiza, 8: 267-270, 1999.

HESS. G. R.; FISCHER, R. A. Communicating clearly about conservation corridors. Landscape and Urban Planning, 55:195-208, 2001.

JENKINS, W.R. A rapid centrifugal-flotation technique for separating nematodes from soil. Plant Disease Report. 48: 692, 1964.

LELES, P. S. S.; OLIVEIRA NETO, S. N.; ALONSO, J. M. Restauração florestal em diferentes espaçamentos. In: LELES, P. S. S.; OLIVEIRA

NETO, S. N. (Ed.). Restauração Florestal e a Bacia do Rio Guandu. Seropédica: Editora Rural, p. 120-156, 2015.

LIMA, S.S. et al. Relação entre macrofauna edáfica e atributos químicos do solo em diferentes agroecossistemas. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 45(3): 322-33, 2010.

MARAUN, M. et al. Adding to “to enigma of soil animal diversity‟: fungal feeders and saprophagous soil invertebrates prefer similar food substrates. European Journal of Soil Biology, 39: 85-95, 2003.

MIRANDA, P.B. et al. Distribuição de inóculo de fungos micorrízicos arbusculares para sistemas agroflorestais na agricultura familiar. Agroecossistemas, 3(1), 45-51, 2011.

MOLDENKE, A.R. Arthropods. IN: Soil Science Society of America. Methods of Soil Analysis, Part 2. Microbiological and Biochemical Properties - SSSA Book Series, nº 5, 1994.

MOURA, A. P.; VIEIRA, A.L.M.; RESENDE, A.S. de. CAMPELLO, E.F.C. de. Florística e estrutura de dois fragmentos de Mata Atlântica secundária interligada por um corredor agroflorestal em Seropédica – RJ. In: Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais, Campos dos Goytacazes, RJ. 6., 2006. Anais de congresso, CD Rom, 2006.

ODUM, E. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.

OEHL, F. et al. Advances in Glomeromycota taxonomy and classification.IMA Fungus, 2 (2):191-199, 2011.

ORGANIZACIÓN PARA ESTUDIOS TROPICAIS (OTS); CENTRO AGRONÓMICO TROPICAL DE INVESTIGACIÓN Y ENSIÑANSA (CATIE). Sistemas Agroflorestais: principios y aplicaciones en los tropicos. San José, Trejos Hnos. Sucs, S.A., San José, 1986. 818 p.

PICONE, C. Diversity and abundance of arbuscular mycorrhizal fungus spores in tropical forest and pasture. Biotropica, 32: 734-750, 2000.

PIMENTEL, M. S. et al. Atributos biológicos do solo sob manejo orgânico de cafeeiro, pastagem e floresta em região do Médio Paraíba Fluminense-RJ. Coffee Science, 1(2): 85-93, 2006.

RESENDE, A.S. et al. Artropodes do solo durante o processo de decomposição da matéria orgânica Agronomía Colombiana 31(1): 89-94, 2013.

SCORIZA, R. N. et al. Efeito de herbicidas sobre a biota de invertebrados do solo em área de restauração florestal. R. Bras. Ci. Solo, 39:1576-1584, 2015.

SILVA, C. F. da. Indicadores da qualidade de solo em áreas de agricultura tradicional no entorno do Parque Estadual da Serra do Mar em Ubatuba (SP). 2005. 80f. Dissertação (Mestrado em Ciências do Solo) - Instituto de Agronomia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica.

SILVA, M.S.C.; SILVA, E.M.R.; PEREIRA, M.G.; SILVA, C.F. Estoque de serrapilheira e atividade microbiana em solo sob sistemas agroflorestais. Floresta e Ambiente, 19(4): 431-441, 2012.

SOUSA, C.S. et al. Arbuscular mycorrhizal fungi in successional stages of Caatinga in the semi-arid region of Brazil. Ciência Florestal, 24 (1): 137-148, 2014.

STÜRMER, S. L.; SIQUEIRA, J. O. Diversity of Arbuscular Mycorrhizal Fungi in Brazilian Ecosystems. In: MOREIRA, F. M. S.; SIQUEIRA, J. O.; BRUSSAARD, L. (eds.) Soil Biodiversity in Amazonian and Other Brazilian Ecosystems. London: CABI Publishing, London, 2005, 280p.

VIEIRA, A. L. M. Potencial econômico-ecológico de sistemas agroflorestais para conexão de fragmentos da Mata Atlântica. 2007. 70p. Monografia (graduação em Engenharia Florestal). UFRRJ, Seropédica, RJ.




DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509829050