DINÂMICA DA CHUVA DE SEMENTES EM REMANESCENTE DE FLORESTA ESTACIONAL SUBTROPICAL

Marta Silvana Volpato Sccoti, Maristela Machado Araujo, Thaíse da Silva Tonetto, Solon Jonas Longhi

Resumo


O presente estudo teve por objetivo avaliar a dinâmica da chuva de sementes em dois agrupamentos florísticos formados em um remanescente de Floresta Estacional Subtropical. Os agrupamentos foram caracterizados pelo estágio sucessional da floresta, denominados de grupo I (Floresta Secundária em Estágio Médio - FSEM), com predomínio de espécies secundárias iniciais; e o grupo II (Floresta Secundária em Estágio Avançado - FSEA), com predomínio de espécies secundárias tardias. A chuva de sementes (CS) foi avaliada em 70 coletores de 1 m², distribuídos de forma aleatória nos dois agrupamentos, sendo que no grupo I foram instalados 15 coletores e no grupo II, por apresentar maior área, 55 coletores. O material depositado foi coletado mensalmente, no período de outubro de 2008 a outubro de 2010. A dinâmica da CS foi avaliada pela densidade de sementes de cada espécie, síndrome de dispersão e sazonalidade da produção. Utilizou-se o teste não paramétrico da Soma das Ordens de Wilcoxon (W) para verificar diferenças estatísticas nas médias de densidade de sementes em cada ano de avaliação para cada trecho de floresta. A chuva de sementes do remanescente estudado, durante os três anos de estudo, foi representada por 114 espécies e a maior produção de sementes ocorreu em 2008 (1632 sem.m-² no grupo I e 1270 sem.m-² no grupo II), principalmente devido à ocorrência da alta produção de Chusquea ramosissima Lindm., Dasyphyllum spinescens (Less.) Cabrera, Vernonanthura discolor (Spreng.) H.Rob. Somente no segundo ano (2009) observaram-se diferenças estatísticas nas médias de densidade entre os dois grupos analisados (FSEM=565,6 sem.m-2 e FSEA=274 sem.m-2; Z tabelado =1,96 e W FSEM x FSEA = 2,248). As espécies zoocóricas predominaram na área de estudo, e os períodos de maior produção de sementes foram o inverno e a primavera. A CS mostrou-se importante mecanismo de regeneração natural para o remanescente de floresta, sendo afetado pelas condições climáticas e estágio sucessional da floresta.

Palavras-chave


sucessão florestal; síndrome de dispersão; sazonalidade de produção

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509825109

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