As fontes da teoria da sublimação de Freud na filosofia de Schopenhauer

Renato Nunes Bittencourt

Resumo


De acordo com a visão de mundo de Schopenhauer, o ser humano se caracteriza por ser dominado por uma carência essencial, motivada pela eterna insatisfação dos seus desejos e inclinações. Essa situação motiva na personalidade humana o desgosto pela existência, o desenvolvimento de sentimentos terríveis e violentos, brevemente apaziguados quando o homem consegue suprir essa carência existencial, os quais, após uma feliz paz de espírito, afloram novamente na vida humana com máxima intensidade. Schopenhauer elabora a referida teoria da contemplação estética, considerando que o indivíduo que se dedica à criação artística e mesmo ao ato de filosofar, torna-se efetivamente capaz de apaziguar por momentos preciosos o abrasamento de sua infelicidade. Tal perspectiva influencia Freud quando este desenvolve a teoria da sublimação, sendo que esta se caracteriza por superar em alguns passos a perspectiva de Schopenhauer, pelo fato de que Freud considera que não apenas na criação artística e na Filosofia, mas em qualquer outra atividade, de caráter intelectual ou até mesmo de labor, o ser humano canalizaria os seus voluptuosos impulsos sexuais (que na teoria de Schopenhauer seria mais uma das expressões do desejo imposto pela vontade humana) através da realização de empreendimentos, de ações que, transformando essa energia vital dispersa através do ato sexual, em um impulso produtivo concreto.


Palavras-chave


Arte; Contemplação Estética; Genialidade; Sublimação

Texto completo:

PDF

Referências


FREUD, Sigmund. “Moral sexual ‘civilizada’ e doença nervosa moderna”. In: Vol. IX da Edição Standard das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Trad. de Maria Aparecida Moraes Rego. Rio de Janeiro: Imago, 1996, pp. 165-186.

HOBBES, Thomas. Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil. In: Vol. Hobbes, Col. Os Pensadores. Trad. de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz N. da Silva. São Paulo: Nova Cultural, 1997.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. de Paulo Quintela. Lisboa: Edições 70, 2001.

SCHOPENHAUER, Arthur. Metafísica do belo. Trad. de Jair Barboza. São Paulo: Unesp, 2003.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Trad. de Jair Barboza. São Paulo: Ed. UNESP, 2005.

SCHOPENHAUER, Arthur. Sobre o fundamento da moral. Trad. de Maria Lúcia Mello e Oliveira Cacciola. São Paulo: Martins Fontes, 2001.




DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2179378633808

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2015 Voluntas: Revista Internacional de Filosofia

Licença Creative Commons

Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Compartilha Igual 4.0 Internacional.