“Temos AEE, sim”: da oferta de serviços à produção de saberes nas práticas colaborativas em Educação Especial
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984644495803Palavras-chave:
Educação Especial, Práticas Colaborativas, Atendimento Educacional EspecializadoResumo
Este artigo problematiza a escola inclusiva como espaço contraditório, simultaneamente atravessado por dispositivos de normalização e aberto à emergência de práticas capazes de produzir deslocamentos nos modos de compreender a diferença. Ancoradas em uma perspectiva histórico-discursiva e nos estudos foucaultianos em educação, analisamos uma experiência de práticas colaborativas em Educação Especial desenvolvida em uma escola pública regular, na qual a professora regente e a professora de Educação Especial atuaram conjuntamente na turma do 5º ano. A partir da entrada sistemática da Educação Especial na sala comum, da realização de aulas dirigidas a todos os estudantes e da produção de um episódio de podcast sobre deficiência, capacitismo e inclusão, investigamos os efeitos culturais e discursivos dessa experiência. O enunciado “Temos AEE, sim”, proferido por um estudante, é tomado como acontecimento analítico que tensiona a centralidade do Atendimento Educacional Especializado como serviço individualizado e o reinscreve como produção coletiva de saber. Argumentamos que práticas colaborativas em Educação Especial constituem condição fundamental para que a inclusão não se reduza à captura da diferença em novos formatos normalizadores, permitindo a afirmação da diferença como potência humana no interior da escola moderna.
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