A produção de roteiros de áudio-descrição de vídeos feita por iniciantes: dificuldades comuns e sugestões para evitá-las

Paulo Augusto Almeida Seemann

Resumo


O ensino das técnicas de áudio-descrição (A-D), como modalidade de tradução visual e recurso de acessibilidade, está cada vez mais presente em diversos tipos de cursos: cursos livres, como componente curricular de cursos universitários, cursos de extensão e pós-graduação. É provável que muitos estudantes iniciantes, ao produzir o primeiro roteiro de A-D para vídeos ou filmes, apresentem dificuldades similares. Neste estudo, o objetivo foi detectar dificuldades semelhantes dos alunos principiantes ao produzir o primeiro roteiro de A-D de vídeos, para então oferecer sugestões aos professores de A-D. Foram analisados 49 roteiros do curso Princípios e Técnicas da Audiodescrição: Aplicabilidade em Contextos Culturais Educacionais, promovido pelo Núcleo de Educação a Distância da UNESP e realizado em 2016. Entre as dificuldades mais encontradas, destacam-se: ausência de descrição onde poderia haver; tempo de leitura do texto áudio-descritivo maior do que o tempo disponível no vídeo; uso indevido dos artigos definidos no lugar dos indefinidos e/ou omissão dos indefinidos; interpretações pessoais; uso dos possessivos seu(s), sua(s) e uso desnecessário de linguagem técnica/fílmica. Percebeu-se que grande parte das dificuldades apresentadas pelos estudantes se deve ao fato de eles não terem tido contato suficiente com modelos profissionais de roteiros áudio-descritivos antes de produzirem o primeiro roteiro. A detecção de algumas das dificuldades mais comuns em roteiros de iniciantes em A-D possibilita que futuros cursos e professores, cientes dessas dificuldades, possam trabalhá-las de maneira que elas já não ocorram desde o primeiro roteiro produzido pelos estudantes.

Palavras-chave


Áudio-descrição; Acessibilidade; Inclusão

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