Biomassa e nutrientes em um povoamento de Hovenia dulcis Thunb., plantado na Fepagro florestas, Santa Maria, RS.

Mauro Valdir Schumacher, Eleandro José Brun, Vinícius Borges Illana, Stéfano Ilha Dissiuta, Tiago Leal Agne

Resumo


O presente estudo objetivou estimar a produção da biomassa acima do solo, a distribuição percentual de seus componentes e a quantidade de nutrientes em um povoamento de Hovenia dulcis Thumb. aos 18 anos de idade, plantado em área da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (FEPAGRO Florestas), Santa Maria, RS, visando a fornecer indicações de manejo da floresta, com base em critério de exportação mínima de nutrientes. Partindo de uma amostragem baseada em quatro parcelas aleatoriamente distribuídas, distribuiu-se as árvores em quatro classes de diâmetro, com intervalo de 5,75 cm, de forma a abranger a amplitude dos dados levantados. Nessas classes, foram abatidas a árvore do limite inferior, superior e a árvore média da classe, para o povoamento. Pelo modelo lny = b0+b1.ln DAP+b2.ln h, utilizando-se as 12 árvores abatidas, estimou-se a biomassa dos diferentes componentes das árvores. A biomassa estimada alcançou 181,6 Mg ha-1, estando distribuída na seguinte ordem: madeira 68,6%, galhos (vivos e mortos) 15,5%, cascas 11,2% e folhas 4,7%. Essa última fração apresentou os maiores teores de N, Ca e Mg (23,0; 29,7 e 5,4 g kg-1 respectivamente), e a madeira os menores (2,0; 1,3 e 0,6 g kg-1 respectivamente). A casca (0,5 e 3,6 g kg-1) atingiu os maiores teores de P e K e as folhas (0,18 e 0,70 g kg-1 respectivamente) os menores. As quantidades de N, P, K e Mg foram maiores na madeira, em função da grande biomassa dessa fração. A casca apresentou a maior quantidade de Ca, 500,8 kg ha-1. Em função disso, a extração somente da madeira deve ser priorizada, com as demais frações ficando no sistema e ciclando seus nutrientes para as rotações posteriores.


Palavras-chave


ciclagem de nutrientes; reflorestamento; sustentabilidade.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/19805098519

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