Diversidade e estrutura genética de populações de Podocarpus lambertii Klotzsch ex Endl. na floresta ombrófila mista em Santa Catarina

Ricardo Bittencourt, Felipe Steiner, Cristina Silva Sant'Anna, Tiago Montagna, Caio Darós Fernandes, Fernando André Loch Santos da Silva, Maurício Sedrez dos Reis

Resumo


Podocarpus lambertii (Podocarpaceae) é conhecido popularmente como pinheiro-bravo. Ocorre em várias formações florestais da Mata Atlântica, principalmente na Floresta Ombrófila Mista. Devido à intensa exploração madeireira sofrida pela espécie, ela está presente na categoria “Quase ameaçada” da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da IUCN. Diante disso, este estudo teve por objetivo caracterizar a diversidade e estrutura genética de 12 populações no Estado de Santa Catarina, a fim de gerar informações para fundamentar estratégias de conservação para a espécie. Foram coletadas folhas de 50 indivíduos adultos em cada população. Para acessar os níveis e a distribuição da diversidade genética, utilizaram-se 10 sistemas enzimáticos. As frequências alélicas, a porcentagem de locos polimórficos (P100%), as heterozigosidades observada (HO) e esperada (HE), o índice de fixação (f) e a divergência genética (FST) foram calculados com auxílio do programa FSTAT. Os 10 sistemas enzimáticos analisados revelaram 11 locos com um total de 32 alelos (A= 1,8). As populações de Podocarpus lambertii apresentaram baixa diversidade genética (P100% = 52,7; HO = 0,049; HE = 0,079). As frequências alélicas das populações apresentaram desvios significativos das esperadas em Equilíbrio de Hardy-Weinberg, evidenciando um deficit de heterozigotos (f = 0,374). A presença de alelos raros nas populações e uma divergência genética significativa (FST = 0,303) evidenciam um baixo fluxo gênico histórico e um grande risco de perda de diversidade. Os resultados obtidos indicam a necessidade de conservação in situ das várias populações de Podocarpus lambertii e de um aumento da conectividade entre as populações remanescentes.


Palavras-chave


Alozimas; Índice de fixação; Conservação in situ; Conífera

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050984449

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