RESISTÊNCIA À GEADA E CRESCIMENTO INICIAL DE Toona ciliata EM CULTIVOS CONSORCIADOS COM Eucalyptus grandis EM DIFERENTES ADUBAÇÕES

Clovis Orlando Da Ros, Edison Rogerio Perrando, Gizelli Moiano de Paula, Lucindo Somavilla, Daylien Mayane Sossmeier Albring Predige, Kauana Engel, Rodrigo Ferreira da Silva

Resumo


A restrição nutricional e a ocorrência de geadas no sul do Brasil frequentemente afetam o crescimento de cultivos florestais. Com o objetivo de quantificar o crescimento inicial e a resistência à geada das plantas de Toona ciliata em cultivos consorciados com Eucalyptus grandis, com diferentes adubações, foi conduzido um experimento na UFSM, campus de Frederico Westphalen. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso com três repetições, no arranjo fatorial 2 x 2 x 3: duas espécies florestais (Eucalyptus grandis Hill ex Maiden e Toona ciliata M. Roem var. australis), dois tipos de cultivos (solteiro e consorciado) e três tipos de adubação (NPK, NPK + Si e NP de liberação lenta + K + bioestimulante).  O crescimento em altura das plantas foi mensurado em datas diferenciadas até 346 dias após o plantio. No final deste período foi quantificado o diâmetro a altura do peito e a massa seca da parte aérea. A avaliação do nível de danos às plantas e o grau de resistência à geada foi feito com atribuição de notas com base nas plantas inteiras e nas copas das plantas. Os dados foram submetidos à análise de variância e, quando significativa (p ≤ 0,05), procedeu-se a comparação das médias dos tratamentos pelo teste de Tukey (p ≤ 0,05). As duas espécies florestais foram tolerantes à geada, mas com maior dano na área foliar nas plantas de Toona ciliata em relação a Eucalyptus grandis. O cultivo de Toona ciliata sob proteção de Eucalyptus grandis não diminuiu os danos da geada no primeiro ano de implantação no campo. O uso de fertilizante de liberação lenta, de Si e de bioestimulante não contribuíram para aumentar o crescimento e a resistência à geada das plantas das duas espécies florestais.


Palavras-chave


cedro-australiano; eucalipto; silício; bioestimulante

Texto completo:

PDF

Referências


ABDALLA, M. M. Beneficial effects of diatomite on growth, the biochemical contents and polymorphic DNA in Lupinus albus plants grown under water stress. Agriculture and Biology Journal of North America, Milford, v. 2, p. 207-220, 2011.

ALVARES, C. A. et al. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologiesche Zeitschrift, Stuttgart, v. 22, p. 711-728, 2013.

ÁVILA, M. et al. Bioregulator application, agronomic efficiency, and quality of soybean seeds. Scientia Agricola, Piracicaba, v. 65, p. 567- 691, 2008.

BOGNOLA, I. A. et al. Aplicação de silicatos de cálcio e de potássio e o crescimento de mudas de Eucalyptus grandis. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo, v. 31, n. 66, p. 83-92, 2011.

BONO, J. A. M. et al. Fonte nitrogenada de liberação lenta na cultura do milho em um Latossolo argiloso na região de Maracajú em Mato Grosso do Sul. Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde, Valinhos, v. 15, n. 2, p. 101-110, 2011.

BYGRAVE, F. L.; BYGRAVE, P. L. Growing australian red cedar and other meliaceae species in plantation. Canberra: School of Biochemistry and Molecular Biology Faculty of Science Australian National University; Rural Industries Research and Development Corporation, 2005. 60 p.

CARON, B. O. et al. Resistência inicial de quatro espécies arbóreas em diferentes espaçamentos após ocorrência de geada. Ciência Rural, Santa Maria, v. 41, n. 5, p. 817-822, 2011.

CARVALHO, R. et al. Absorção e translocação de silício em mudas de eucalipto cultivadas em Latossolo e Cambissolo. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 27, n. 3, p. 491-500, 2003.

COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO. Manual de calagem e adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 11. ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2016.

DAMATTA, F. M.; RENA, A. B. Ecofisiologia de cafezais sombreados e a pleno sol. In: ZAMBOLIM, L. O estado da arte de tecnologias na produção do café. Viçosa, MG: UFV, 2002. p. 93-135.

DELL, B. et al. Nutrient disorders in plantation eucalypts. Camberra: ACIAR, 2001. 188 p.

DOBNER JUNIOR, D. Efeito da cobertura de Pinus taeda L. na proteção contra geadas e no crescimento de plantas jovens de Eucalyptus dunnii Maiden. 2008. 83 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Florestal) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2008.

DORDEL, J.; SIMARD, S. Nurse-tree effects on Autralian Red Cedar (Toona ciliata): a comparison of there nurse species. In: NORTH AMERICAN FOREST ECOLOGY WORKSHOP, 6. Proocedings... [s. l.: s. n.], 2009.

DUARTE, I. N.; COELHO, L. Uso do silício no cultivo de mudas de eucalipto. Enciclopédia Biosfera, Goiânia, v. 7, n. 12, p. 1-10, 2011.

FERRARI, T. B. et al. Bioestimulante no crescimento de plântulas de maracujazeiro-doce. Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre, v. 5, supl 2, p. 342-344, 2007.

FILGUEIRAS, O. Silício na agricultura. Mineral é usado para controlar pragas, aumentar produtividade e qualidade de produtos agrícolas. Pesquisa Fapesp, São Paulo, n. 140, p. 72-74. 2007.

HIGA, A. R. et al. Geadas, prejuízos à atividade florestal. Silvicultura, São Paulo, v. 15, n. 58, p. 40-43, 1994.

HIGA, R. C. V. Avaliação e recuperação de Eucalyptus dunnii Maiden atingidos por geadas em Campo do Tenente, PR. Tese (Doutorado em Engenharia Florestal) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1998.

HIGA, R. C. V. et al. Comportamento de vinte espécies de Eucalyptus em área de ocorrência de geadas na região sul do Brasil. In: IUFRO CONFERENCE ON SILVICULTURE AND IMPROVEMENT OF EUCALYPTS, 1997, Salvador. Anais... Colombo: EMBRAPA, 1997. v. 1. p. 106-110.

HIGA, R. C. V. et al. Resistência e resiliência a geadas em Eucalyptus dunnii Maiden plantados em Campo do Tenente, PR. Boletim de Pesquisa Florestal, Colombo, n. 40, p. 67-76, 2000.

KLAHOLD, C. A. et al. Resposta da soja (Glycine max (L.) Merrill) à ação de bioestimulante. Acta Scientiarum Agronomy, Maringá, v. 28, n. 2, p. 179-185, 2006.

KORNDÖRFER, G. H. et al. Efeito do silicato de cálcio no teor de silício e na produção de grãos de arroz de sequeiro. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 23, p. 635-629, 1999.

KOZLOWSKI, T. T.; KRAMER, P. J.; PALLARDY, S. G. The physiological ecology of woody plants. San Diego: Academic press, 1991.

LEAL, A. C. Avaliação de espécies florestais para arborização de cafeeiros no norte do Paraná: efeitos na produtividade e na proteção contra geadas de radiação. 2004. 115 f. Tese (Doutorado em Engenharia Florestal) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2004.

LISBAO JÚNIOR, L.; STURION, J. A. O efeito do emprego de fertilizantes biológico e minerais no comportamento inicial de Mimosa scabrella Benth., quanto a sobrevivência resistência à geada e crescimento em altura. Boletim de Pesquisa Florestal, Colombo, n. 4, p. 61-73, jun. 1982.

LORENZI, H. et al. Árvores exóticas no Brasil: madeireiras, ornamentais e aromáticas. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2003. 385 p.

MARSCHNER H. Mineral nutrition of higher plants. 2nd ed. London: Academic Press, 1995. 889 p.

MELO, S. P. et al. Silicon accumulation and water deficit tolerance in Brachiaria grasses. Scientia Agrícola, Piracicaba, v. 60, n. 4, p. 755-759, 2003.

MONTEIRO, J. E. B. A. et al. Estimação da área foliar do algodoeiro por meio das dimensões e massa de folhas. Revista Bragantia, Campinas, v. 64, n. 1, p. 15-24, 2005.

MORETTI, B. S. et al. Crescimento e nutrição mineral de mudas de cedro australiano (Toona ciliata) sob omissão de nutrientes. Cerne, Lavras, v. 17, n. 4, p. 453-463, 2011.

MUNIZ, C. O. et al. Efeito de diferentes adubos NPK no processo de produção de mudas de eucalipto. Enciclopédia Biosfera, Goiânia, v. 9, n. 17, p. 1162-1168, 2013.

MURAKAMI, C. H. G. Cedro-australiano: valorização de espécies nobres. Boletim Florestal - Informativo Florestal do Norte Pioneiro, [s. l.], n. 7, p. 1-4, 2008.

OLIVEIRA, M. W. M.; CARIELO, P.; MOREIRA, A. L. Avaliação do efeito de estimulantes radiculares em mudas de Eucalyptus urograndis. Fórum Ambiental da Alta Paulista, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 141-149, 2013.

PAIVA, Y. G. et al. Zoneamento agroecológico de pequena escala para Toona ciliata, Eucalyptus grandis e Eucalyptus urophylla na Bacia Hidrográfica do Rio Itapemirim – ES, utilizando dados SRTM. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, 13., 2007, Florianópolis. Anais... [s. l.]: INPE, 2007. p. 1785-1792.

PEREIRA, A. R. et al. Agrometeorologia fundamentos e aplicações. Guaíba: Agropecuária, 2001. 480 p.

PIEREZAN, L.; SCALON, S. P. Q.; PEREIRA, Z. V. Emergência de plântulas e crescimento de mudas de jatobá com uso de bioestimulante e sombreamento. Cerne, Lavras, v. 18, n. 1, p. 127-133, 2012.

PINHEIRO, A. L.; LANI, L. L.; COUTO, L. Cultura do cedro australiano para produção de madeira serrada. Viçosa, MG: UFV, 2003. 42 p.

RICKEN, P. et al. Crescimento diamétrico de povoamento de Toona ciliata var. australis em Adrianópolis, PR. Colombo: Embrapa Floresta, 2011. (Comunicado Técnico, 285).

ROSSA, U. B. et al. Fertilizante de liberação lenta no desenvolvimento de mudas de Eucalyptus grandis. Floresta, Curitiba, v. 45, n. 1, p. 85-96, 2015.

SANTANA, D. L. Q. et al. Efeito da aplicação de silício na melhoria da tolerância do Eucalyptus grandis à ação da geada e ataque de insetos. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE SILÍCIO NA AGRICULTURA, 4., 2007, Botucatu. Anais... Botucatu: UNESP, 2007. p. 123-126.

SANTOS, H. G. et al. Sistema brasileiro de classificação de solos. 3. ed. Brasília: Embrapa, 2013a. 353 p.

SANTOS, V. M. et al. Uso de bioestimulantes no crescimento de plantas de Zea mays L. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas, v. 12, n. 3, p. 307-318, 2013b.

SAVANT, N. K. et al. Silicon nutrition and sugarcane production: a review. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 12, n. 22, p. 1853-1903, 1999.

SELLE, G. L.; VUADEN, E. Comunicação: efeitos da geada sobre plantações de Eucalypus grandis. Caderno de Pesquisa, Série Biologia, Santa Cruz do Sul, v. 20, n. 1, p. 36-45, 2007.

SILVA, D. R. G. et al. Productivity and efficiency of nitrogen fertilization in maize under different levels of urea and NBPT-treated urea. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 35, n. 3, p. 516-523, 2011.

SILVA, F. C. Manual de análises químicas de solos, plantas e fertilizantes. 2. ed. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2009. 627 p.

SILVA, J. G.; SENTELHAS, P. C. Diferença entre temperatura mínima do ar medida no abrigo e na relva e probabilidade de sua ocorrência em eventos de geadas no Estado de Santa Catarina. Revista Brasileira de Agrometeorologia, Santa Maria, v. 9, n. 1, p. 9-15, 2001.

VIEIRA, A. R. R.; FEISTAUER, D.; SILVA, V. P. Adaptação de espécies arbóreas nativas em um sistema agrossilvipastoril, submetidas a extremos climáticos de geada na região de Florianópolis. Revista Árvore, Viçosa, MG, v. 27, n. 5, p. 627-634, 2003.

VIERA, M.; SCHUMACHER, M. V.; LIBERALESSO, E. Crescimento e produtividade de povoamentos monoespecíficos e mistos de eucalipto e acácia-negra. Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v. 41, n. 3, p. 415-421, 2011.

VILELA, E. S.; STEHLING, E. C. Recomendações de plantio para cedro australiano. Versão 1.2. Campo Belo: Bela Vista Florestal, 2012. 23 p.

WINK, S. et al. Parâmetros da copa e a sua relação com o diâmetro e altura das árvores de eucalipto em diferentes idades. Scientia Forestalis, Piracicaba, v. 40, n. 93, p. 57-67, 2012.




DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509832092

Licença Creative Commons