INFLUÊNCIA DA TOPOGRAFIA E DA ABERTURA DO DOSSEL NA ESTRUTURA DO COMPONENTE HERBÁCEO-ARBUSTIVO EM DOIS FRAGMENTOS FLORESTAIS NA PLANÍCIE DE INUNDAÇÃO DO ALTO RIO PARANÁ

Marcos Paulo da Cruz, João Batista Campos, José Marcelo Domingues Torezan

Resumo


As florestas secundárias têm se expandido significativamente nos últimos anos. Dada a importância que as mesmas têm assumido nos planos de restauração e conservação, um entendimento mais abrangente sobre sua organização e funcionamento, levando em consideração as diferentes formas de vida, torna-se necessário. A fim de comparar a composição e estrutura do componente herbáceo-arbustivo entre dois fragmentos florestais com diferentes idades (RFID- remanescente florestal e FLT- floresta de 57 anos), bem como a influência relativa da topografia e abertura do dossel na organização da comunidade, dados vegetacionais e ambientais foram obtidos em 24 parcelas contíguas em cada área. Utilizaram-se correlogramas I de Moran e testes de Mantel parcial para verificar a correlação entre dados da comunidade e variáveis ambientais. Para testar diferenças entre as áreas amostrais aplicaram-se testes t de Student. As lianas mostraram-se espacialmente estruturadas (agregadas) em ambos os ambientes com um padrão semelhante ao observado para cota média. No RFID, as distâncias de cota média correlacionaram-se positivamente com as distâncias das matrizes, densidade de arbóreas e riqueza total e negativamente com as distâncias da matriz densidade de herbáceas, na FLT correlações significativas foram observadas somente entre as distâncias da matriz, densidade de arbóreas e as distâncias de desnível máximo e entre distâncias dos dados de cota e distâncias da matriz de riqueza total. Somente o componente arbustivo e abertura do dossel não apresentaram diferença significativa entre as duas áreas. A estrutura do estrato herbáceo-arbustivo tem se mostrado associada mais fortemente às características topográficas que à abertura do dossel.


Palavras-chave


floresta secundária; formas de vida; regeneração; sucessão secundária.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509831652

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