Banco de sementes do solo de uma Floresta Estacional Semidecidual, em Viçosa, Minas Gerais.

Autores

  • Juvenal Pinheiro Batista Neto UFSM
  • Maria das Graças Ferreira Reis
  • Geraldo Gonçalves dos Reis
  • Alexandre Francisco da Silva
  • Filipe Valadão Cacau

DOI:

https://doi.org/10.5902/198050981963

Palavras-chave:

banco de sementes do solo, composição florística, fragmento florestal, floresta secundária

Resumo

Avaliou-se quantitativa e qualitativamente a florística do banco de sementes do solo de um fragmento de Floresta Estacional Semidecidual Montana, no município de Viçosa, MG. No final da estação chuvosa (março/2004), foram coletadas duas amostras de solo de 20 x 15 cm, com 5 cm de profundidade, no centro de seis subparcelas contíguas de 10 x 20 m, em dez parcelas permanentes de 20 x 60 m, em dez locais, totalizando 120 amostras (3,6 m2). As amostras de solo foram colocadas em estruturas de sombreamento de 11,5 % e 60 %, e as sementes germinadas foram identificadas em graminóides, herbáceo-cipós, arbustivas e arbóreas. Foram registradas 3.416 sementes germinadas, sendo 30,2 % graminóides, 29,2 % herbáceo-cipós, 17,5 % arbustivas e 23,1 % arbóreas, estas duas últimas distribuídas em 17 famílias, 25 gêneros e 31 espécies. Melastomataceae, Cecropiaceae e Piperaceae contribuíram com 31,8 %, 10,0 % e 8,8 % do total de espécies, respectivamente, sendo que Miconia cinnamomifolia e Leandra purpurascens foram responsáveis por 59,3 % das sementes arbustivo-arbóreas germinadas. As pioneiras se destacaram com 61,3 % das espécies e 88,5 % das sementes germinadas. Não foram registradas espécies secundárias tardias. A densidade média de sementes germinadas para todos os hábitos e locais foi de 949 sementes/m2. O número de espécies e de sementes germinadas do grupo arbustivo-arbóreo diferiu significativamente pelo teste Kruskal-Wallis (P ≤ 0,05) entre os locais estudados. Esses resultados indicam que, no banco de sementes do solo, há predomínio de espécies pioneiras que são importantes para a sucessão em clareiras ou após o corte da floresta. Porém, esse estoque de sementes não é suficiente para a continuidade do processo de sucessão, que inclui o estabelecimento de maior proporção de espécies secundárias iniciais e tardias. Isso indica que há necessidade de um manejo adequado do banco de plântulas para assegurar a continuidade da regeneração natural em florestas secundárias.

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Publicado

30-12-2007

Como Citar

Neto, J. P. B., Reis, M. das G. F., Reis, G. G. dos, Silva, A. F. da, & Cacau, F. V. (2007). Banco de sementes do solo de uma Floresta Estacional Semidecidual, em Viçosa, Minas Gerais. Ciência Florestal, 17(4), 311–320. https://doi.org/10.5902/198050981963

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