Doação de órgãos em serviço hospitalar: principais motivos à negativa na autorização

Karen Gabriela Bucelli Pereira, Verusca Soares de Souza, Dandara Novakowski Spigolon, Elen Ferraz Teston, João Lucas Campos de Oliveira, Felipe Gutierre Moreira

Resumo


Objetivo: analisar os fatores limitadores à doação de órgãos e tecidos para transplantes de um serviço hospitalar. Método: estudo documental, realizado em um hospital do Paraná, Brasil. Analisou-se os “Relatórios de Óbitos e Monitoramento de Doações Mensais”, compreendidos no período de janeiro a dezembro de 2016, registrados pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes, por meio de estatística descritiva. Resultados: prevaleceram óbitos por parada cardiorrespiratória, tendo o doador contrário a doação em vida como motivo de não autorização. Dos 54 potenciais doadores, foi autorizada a doação de 27 (50%) indivíduos, que resultou na doação de 68 órgãos/tecidos, com destaque para córneas. Conclusão: a falta de conscientização da população que gerou a negativa na autorização da doação e o fato de que óbitos por parada cardiorrespiratória dificultaram a captação de múltiplos órgãos frente a isquemia imediata, constituíram os principais limitadores à doação de órgãos no serviço investigado.

Palavras-chave


Doadores de tecidos; Obtenção de tecidos e órgãos; Estrutura dos serviços; Enfermagem.

Referências


International Transplant Nurses Society (ITNS). Introduction to transplant nursing: core competencies. Pittsburg: International Transplant Nurses Society; 2011.

Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. Dimensionamento dos Transplantes no Brasil e em cada estado (2010-2017). Registro Brasileiro de Transplantes [Internet]. 2017 [acesso em 2018 ago 10];23(4). Disponível em: http://www.abto.org.br/abtov03/Upload/file/RBT/2017/rbt-imprensa-leitura-compressed.pdf

Westphal GA, Caldeira Filho M, Vieira KD, Zaclikevis VR, Bartz MCM. Diretrizes para manutenção de múltiplos órgãos no potencial doador adulto falecido. Parte I: aspectos gerais e suporte hemodinâmico. Rev Bras Ter Intensiva. 2011; 23(3):255-68.

Monte AS, Lima LRF, Freire VS. Análise epidemiológica dos candidatos à doação de órgãos nos estados do Ceará, São Paulo e Acre. Rev Pesqui Cuid Fundam [Internet]. 2019 [acesso em 2019 ago 19]; 11(1):167-72. Disponível em: http://ciberindex.com/c/ps/P111167

Reginaldo P, Padilha EF, Hofstatter LM, Ansolin AGA, Silva EAA. Elementos clínico-epidemiológicos de entrevistas familiares para doação de órgãos e tecidos. Enferm Glob [Internet]. 2017 [acesso em 2018 nov 06];16(46):120-53. Disponível em: http://scielo.isciii.es/pdf/eg/v16n46/pt_1695-6141-eg-16-46-00120.pdf

Brasil. Conselho Federal de Medicina. Resolução n. 2.173, de 23 de novembro de 2017. Define os critérios do diagnóstico de morte encefálica. Diário Oficial da União, Brasília (DF); 2017 dez 15. Seção 1, p. 274-5.

Pessoa JLE, Schirmer J, Roza BA. Avaliação das causas de recusa familiar a doação de órgãos e tecidos. Acta Paul Enferm [Internet]. 2013 [acesso em 2018 dez 06];26(4):323-30. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ape/v26n4/v26n4a05.pdf

Levorato CD, Mello LM, Silva AS, Nunes AA. Fatores associados à procura por serviços de saúde numa perspectiva relacional de gênero. Ciênc Saúde Colet [Internet]. 2014 abr [acesso em 2018 dez 06];19(4):1263-74. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csc/v19n4/1413-8123-csc-19-04-01263.pdf

Doe Órgãos e Salve Vidas. Doação de órgãos e tecidos: um ato que ajuda ou pode até salvar a vida de uma pessoa [Internet]. São Paulo; 2018 [acesso em 2018 mar 06]. Disponível em: http://doeorgaossalvevidas.com.br/site/doacao-de-orgaos/

Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Perfil da morbimortalidade masculina no Brasil [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2018 [acesso em 2018 dez 06]. 54 p. Disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/fevereiro/19/Perfil-da-morbimortalidade-masculina-no-Brasil.pdf

Freire ILS, Vasconcelos QLDAQ, Araújo RQ, Melo GSM, Costa IKF, Torres GV. Perfil de potenciais doadores segundo a efetividade da doação. Rev Enferm UFSM [Internet]. 2013 [acesso em 2019 out 14]; 3(N Esp):709-18. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5902/2179769210998

Freite ILS, Silva MF, Gomes ATL, Dantas BAS, Torres GV. Caracterização de potenciais doadores e estrutura de unidades hospitalares que desenvolvem o transplante. Ciênc Cuid Saude. 2015;14(3):1281-89.

Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Saúde, Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro. Manual de Prevenção Cardiovascular [Internet]. Rio de Janeiro: SOCERJ . 2017 [acesso em 2018 dez 06]. 96 p. Disponível em: https://socerj.org.br/wp-content/uploads//2017/05/Manual_de_Prevencao_Cardiovascular_SOCERJ.pdf

Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Política nacional de atenção integral à saúde do homem: princípios e diretrizes [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2008 [acesso em 2018 dez 06]. 40 p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_atencao_saude_homem.pdf

Gois RSS, Galdino MJQ, Pissinati PSC, Pimentel RRS, Carvalho MDB, Haddad MCFL. Efetividade do processo de doação de órgãos para transplantes. Acta Paul Enferm [Internet]. 2017 dez [acesso em 2018 dez 06];30(6):621-7. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ape/v30n6/0103-2100-ape-30-06-0621.pdf

Estado do Paraná, Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, Sistema Estadual de Transplante. Manual para notificação, diagnóstico de morte encefálica e manutenção do potencial doador de órgãos e tecidos. Curitiba: SESA/SGS/CET; 2016. 52 p.

Oliveira JCAX, Correa ACP, Silva LA, Mozer IT, Medeiros RMK. Perfil epidemiológico da mortalidade masculina: contribuições para enfermagem. Cogitare Enferm [Internet]. 2017 [acesso em 2018 dez 06];(22)2:e49724. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5380/ce.v22i2.49742

Hoste P, Ferdinande P, Hoste E, Vanhaecht K, Rogiers X, Eeckloo K, et al. Recommendations for further improvement of the deceased organ donation process in Belgium. Acta Clin Belg [Internet]. 2016 out [acesso em 2018 dez 06];71(5):303-12. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27594299 doi: 10.1080/17843286.2016.1216259

Freire ILS, Vasconcelos QLDAQ, Torres GV, Araújo EC, Costa IKF, Melo GSM. Estrutura, processo e resultado da doação de órgãos e tecidos para transplante. Rev Bras Enferm [Internet]. 2015 out [acesso em 2018 dez 06];68(5):837-45. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v68n5/0034-7167-reben-68-05-0837.pdf

Magalhães ALP, Lanzoni GMM, Knihs NS, Silva EL, Erdmann AL. Segurança do paciente no processo de doação e transplante de órgãos e tecidos. Cogitare Enferm [Internet]. 2017 [acesso em 2018 dez 06];(22)2:e45621. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/45621

Basso LD, Salbego C, Gomes IEM, Ramos TK, Antunes AP, Almeida PP. Dificuldades enfrentadas e condutas evidenciadas na atuação do enfermeiro frente à doação de órgãos: revisão integrativa. Ciênc Cuid Saude [Internet]. 2019 jan-mar [acesso em 2019 ago 19];18(1):e42020. Disponível em: https://www.semanticscholar.org/paper/Dificuldades-enfrentadas-e-condutas-evidenciadas-na-Basso-Salbego/78d58c1d0884fa3beb634a7d1c846da721ee6c2b




DOI: https://doi.org/10.5902/2179769236087

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons
Este site está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.