O herói e a máscara: Flávio de Carvalho e Roger Caillois leem Macunaíma

Larissa Costa da Mata

Resumo


Este texto sugere uma leitura de Macunaíma (1928), de Mário de Andrade, por meio das considerações sobre o culto do herói por Flávio de Carvalho (1899-1973) na série “Os gatos de Roma / Notas para a reconstrução de um mundo perdido” (1957/1958). Para Carvalho, o herói não consistiria em um ideal, mas em um duplo, oposto ao modelo de intelectual para Andrade. Assim como o Roger Caillois de Os jogos e os homens (1958), Carvalho refuta a identificação entre o herói e o “ideal do Eu” freudiano, transformandono em uma máscara que desloca a simetria do ser.


Palavras-chave


Macunaíma; Culto do herói; Máscara; Flávio de Carvalho; Roger Caillois

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DOI: https://doi.org/10.5902/2176148525087

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