Tratamento de sementes de Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze com substâncias potencialmente repelentes à fauna consumidora.

Guilherme O. S. Ferraz de Arruda, Frederico Dimas Fleig, Ricardo Trezzi Casa

Resumo


A semente de Araucaria angustifolia, o pinhão, é comumente utilizada como alimento e propágulo para regeneração da espécie. A intensa predação das sementes pela fauna silvestre, que ocorre em áreas recém-plantadas por semeadura direta e em viveiros florestais, é um dos fatores adversos e desestimulantes à propagação da espécie. Este trabalho teve como objetivo verificar possíveis efeitos fitotóxicos de algumas substâncias naturais e sintéticas potencialmente repelentes à fauna silvestre, em sementes de Araucaria angustifolia "in vitro". O experimento foi conduzido no Laboratório de Fitopatologia e Fisiologia Vegetal do CAV / UDESC, no período de junho a dezembro de 2004. As sementes, após preparadas e tratadas com substâncias de origem vegetal e sintéticas, foram semeadas em bandejas plásticas com substrato constituído por vermiculita e colocadas em câmara de crescimento com temperatura, umidade relativa do ar, umidade do substrato e períodos de luz controlados. Foi adotado o delineamento experimental inteiramente casualizado, contendo 15 tratamentos, com 4 repetições de 10 pinhões. As substâncias testadas, isoladas ou em misturas, foram: extratos alcoólicos de fruto de pimenta vermelha, raiz de salsa tempero e, da parte aérea de losna, óleo essencial de eucalipto, óleo de linhaça, óleo de mamona, breu, oxicloreto de cobre, sulfato de cobre, enxofre e tinta látex PVA. Emissão de raiz, emissão da parte aérea, comprimento da raiz principal e da parte aérea foram avaliados 76 dias após a semeadura. As análises possibilitaram concluir que não houve efeitos fitotóxicos das substâncias testadas "in vitro" sobre as variáveis analisadas e que tais substâncias podem ser utilizadas nos experimentos de campo para testes de repelência aos animais consumidores de pinhões.


Palavras-chave


efeitos fitotóxicos; pinhões; predação de sementes; regeneração

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050981960

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