A construção da identidade cultural autista no filme 'O Contador'
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984686X92930Palavras-chave:
O Contador, Artefato Cultural, Identidade, AutismoResumo
Desde o seu surgimento, a indústria cinematográfica dirige-se ao público não apenas como catalisadora de interesses e gostos culturais, mas também como produtora de representações e discursos que reverberam em identidades culturais modelares. O presente artigo tem por finalidade problematizar o modo como o autismo vem sendo apropriado culturalmente pela mídia contemporânea por meio do artefato cultural O Contador (2016). Para atender esse objetivo, utilizamos as teorizações propostas pelos Estudos Culturais e as contribuições metodológicas de Michel Foucault, com o intuito de verificar quais os efeitos dessa apropriação para a produção de uma identidade cultural autista. Ao longo da análise, concluímos que, apesar das tentativas de cooperar para a aceitação da diferença, o artefato evidenciou o reforço de estereótipos que continuam relegando o autismo ao espectro de uma anormalidade “aceitável”. Dessa forma, consideramos que o investimento analítico dessas identidades culturais fabricadas – e, sobretudo, estereotipadas – permite compreender que elas não correspondem à complexa realidade e ao cotidiano dos indivíduos autistas, projetando sobre eles um conjunto de ideias inalcançáveis.
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