Variações pedológicas influenciam a composição florístico-estrutural de florestas aluviais?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1980509841666

Palavras-chave:

Ambiente ripário, Floresta Ombrófila Mista Aluvial, Gleissolo Háplico, Neossolo Flúvico

Resumo

Este estudo buscou investigar se a composição florístico-estrutural de uma floresta aluvial é influenciada pelas variações pedológicas e se há baixa diversidade e similaridade florística nesses ambientes. Ainda, objetivou avaliar se, independentemente do tipo de solo, essas florestas apresentam monodominância. O estudo foi realizado às margens do rio Iguaçu, no município de Araucária, Paraná, onde foram mapeadas e demarcadas a área de ocorrência de duas classes de solo: Gleissolo Háplico Ta Distrófico típico e Neossolo Flúvico Psamítico típico. Para a análise da estrutura fitossociológica, foram instaladas em cada compartimento 10 parcelas de 10 m x 10 m e monitorada a profundidade média do lençol freático. Foram amostradas 39 espécies, distribuídas em 21 famílias botânicas. Destas, somente seis espécies foram similares nos compartimentos analisados. A flutuação do lençol freático diferiu entre os compartimentos, sendo mais próximo da superfície no Gleissolo. Gymnanthes klotzschiana apresentou os maiores valores de densidade, dominância e importância em ambos os compartimentos. A segunda espécie de maior importância na área de Gleissolo foi Myrciaria tenella, e na área de Neossolo destaca-se Araucaria angustifolia, devido à maior profundidade do lençol freático e ao caráter não hidromórfico do solo. Os ambientes ripários apresentaram distinções florístico-estruturais, evidenciando a necessidade de compartimentação baseada em parâmetros pedológicos, obtendo-se assim um melhor entendimento da comunidade vegetal.

Biografia do Autor

André Luís Pasdiora, Prefeitura Municipal de Curitiba, Curitiba, PR

Biólogo, Me., Coordenador de Vigilância em Saúde Ambiental, Centro de Saúde Ambiental, Secretaria da Saúde, Prefeitura Municipal de Curitiba, Rua Francisco Torres, 830, CEP 80060-130, Curitiba (PR), Brasil.

Daiane Cristina Dall Agnol Ceni, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR

Engenheira Florestal, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal, Centro de Ciências Florestais e da Madeira, Universidade Federal do Paraná, Av. Pref. Lothário Meissner, 632, CEP 80210-170, Curitiba (PR), Brasil.

Marília Borgo, Sociedade Chauá, Campo Largo, PR

Bióloga, Dra., Sociedade Chauá, Av. Pe. Natal Pigatto, 680, CP1090, CEP 83601-630, Campo Largo (PR), Brasil.

Gustavo Ribas Curcio, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Colombo, PR

Engenheiro Agrônomo, Dr., Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, EMBRAPA Florestas, Estrada da Ribeira, Km 111, CEP: 83411-000, Colombo (PR), Brasil.

Edilaine Duarte, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR

Engenheira Florestal, Me., Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal, Centro de Ciências Florestais e da Madeira, Universidade Federal do Paraná, Av. Pref. Lothário Meissner, 632, CEP 80210-170, Curitiba (PR), Brasil.

Amanda Köche Marcon, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR

Engenheira Florestal, Dra., Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal, Centro de Ciências Florestais e da Madeira, Universidade Federal do Paraná, Av. Pref. Lothário Meissner, 632, CEP 80210-170, Curitiba (PR), Brasil.

Franklin Galvão, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR

Engenheiro Florestal, Dr., Professor do Departamento de Ciências Florestais, Centro de Ciências Florestais e da Madeira, Universidade Federal do Paraná, Av. Pref. Lothário Meissner, 632, CEP 80210-170, Curitiba (PR), Brasil.

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Publicado

17-11-2021

Como Citar

Pasdiora, A. L., Ceni, D. C. D. A., Borgo, M., Curcio, G. R., Duarte, E., Marcon, A. K., & Galvão, F. (2021). Variações pedológicas influenciam a composição florístico-estrutural de florestas aluviais?. Ciência Florestal, 31(4), 1671–1694. https://doi.org/10.5902/1980509841666

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