Troncos de árvores monumentais como indicadores de degradação florestal no sul do Brasil

Marcelo Callegari Scipioni

Resumo


As maiores árvores foram as primeiras a serem extraídas das florestas. Desta forma, há poucos registros dos tamanhos dos indivíduos arbóreos de grande porte, o que gera desconhecimento sobre muitas espécies ameaçadas de extinção. O objetivo desta nota técnica foi mensurar os monumentos históricos de troncos de Araucaria angustifolia e Ocotea porosa e comparar com a situação atual dos remanescentes florestais. Monumentos de troncos acima de 2 m de diâmetro foram amostrados em ambas as espécies. Os monumentos foram visitados in loco, foram obtidos os registros biométricos de perímetro do tronco por meio de amostragem preferencial. Esses foram comparados com árvores vivas catalogadas nos inventários florestais estaduais, ressaltam a perda de grandes árvores e destacam a degradação ambiental pela ausência delas. Tais monumentos de grandes árvores serviram como indicadores ambientais e são um patrimônio natural que deve ser preservado e estudado pela ciência, assim como as últimas grandes árvores na Mata Atlântica. Novas políticas públicas de catalogação de árvores de grande porte devem ser priorizadas. É também necessário que a classificação de tamanho das maiores árvores seja disponibilizada para a sociedade, visando à preservação ambiental, estudos científicos, manejo e turismo de natureza.


Palavras-chave


Araucaria angustifolia; Ocotea porosa; Árvores gigantes; Grandes árvores antigas

Texto completo:

PDF

Referências


AMATO, C. M. Ecologia de populações de Ocotea porosa (Nees) Barroso em áreas submetidas a diferentes graus de perturbação. 57 f. Dissertação (Mestrado em Ecologia e Conservação) – Setor de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2008.

AMIGOS DE LOS ARBOLES VIEJOS. Árboles Veteranos: guía avanzada para su gestión. Cheltenham: Pages Creative, 2015. 197 p.

BRASIL. Lei 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm. Acesso em: 18 jul. 2019.

CARDIM, R. Remanescentes da Mata Atlântica: as grandes árvores da floresta original e seus vestígios. Editora Olhares: São Paulo, 2018. 340 p.

CARVALHO, P. E. R. Espécies Arbóreas Brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, vol. 1, 2003. 1039 p.

FARJON, A.; FILER, D. An Atlas of the World´s Conifers. Brill: Leiden e Boston, 2013. 512 p.

CNCFlora. Ocotea porosa in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação de Flora. Disponível em: http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Ocotea%20porosa. Acesso em: 17 jul. 2019.

FERGUSON, C. W. Dendrochronology of Bristlecone Pine, Pinus longaeva. Environment International, Oxford, v. 2, p. 209-214, 1979.

FONSECA, C. R. et al. Floresta com Araucária: ecologia, conservação e desenvolvimento sustentável. Holos Editora, Ribeirão Preto, 2009. 328 p.

GUTIÉRREZ, Á. G. Árboles monumentales: un patrimonio natural no reconocido en Chile. Bosque, Valdivia, v. 37, p 445-449, 2016.

INOUE, M. T.; RODERJAN, C. V.; YOSHIKO, S. K. Projeto Madeira do Paraná. Curitiba, Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná, 1984. 260 p.

LINDENMAYER, D. B.; LAURANCE, W. F. The ecology, distribution, conservation and management of large old trees. Biological Reviews, Cambridge, 000-000, 2016.

LINDENMAYER, D. B.; LAURANCE, W. F.; FRANKLIN, J. F. Global decline in large old trees. Science, Washington, vol. 338, p. 1305-1306, 2012.

LINDENMAYER, D. B. et al. New policies for old trees: averting a global crisis in a keystone ecological structure. Conserv. Lett., Oxford, v. 7, p. 61-69., 2013.

LUTZ, J. A. et al. Global importance of large-diameter trees. Global Ecol Biogeogr., Oxford, p.1-16, 2018.

MATTOS, J. R. O pinheiro brasileiro. Florianópolis: Editora da UFSC, 2011. p. 117-127.

PREFEITURA DE SÃO JOAQUIM. Monumento conta a História de São Joaquim. Disponível em: http://www.saojoaquim.sc.gov.br/cms/pagina/ver/codMapaItem/5158. Acesso em: 16 jul. 2018.

PILLAR, V.D. Suficiência amostral. In: BICUDO, C.E.M.; BICUDO, D.C. Amostragem em limnologia. São Carlos: RIMA, 2004. p.25-43.

PREFEITURA DE TAPEJARA. Pinheiro. Disponível em: . Acesso em: 15 jul. 2018.

REITZ, R.; KLEIN, R. M.; REIS, A. Projeto Madeira de Santa Catarina. Itajaí, SC: HBR; Porto Alegre: Sudesul, 1978. 320 p.

RIO GRANDE DO SUL. Inventário Florestal Contínuo do Rio Grande do Sul. Disponível em: http://coralx.ufsm.br/ifcrs/frame.htm. Acesso em: 26 set. 2018.

SANTA CATARINA (Estado). Lei nº 17.308, de novembro de 2017. Consolida as Leis que dispõem sobre Símbolos Estaduais e Regionais do Estado de Santa Catarina. Disponível em: http://leis.alesc.sc.gov.br/html/2017/17308_2017 _lei.html. Acesso em: 16 out. 2018.

SANTOS, A. J. dos et al. Aspectos Produtivos e Comerciais do Pinhão no Estado do Paraná. Floresta, Curitiba, v. 32, n. 2, p. 163-169, 2002.

SANTOS, A. T. dos et al. Determinação da Época de Desbaste pela Análise Dendrocronológica e Morfométrica de Ocotea porosa (Nees & Mart.) Barroso em Povoamento Não Manejado. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 25, n. 3, p. 699-709, jul.-set., 2015.

SCIPIONI, M. C. Araucárias Monumentais: um patrimônio em reconhecimento. In: III SEMINÁRIO SUL-BRASILEIRO SOBRE A SUSTENTABILIDADE DA ARAUCÁRIA, 2018, Passo Fundo. Anais... Passo Fundo: UPF, 2018. p.127-129.

SCIPIONI et al. The last giant Araucaria trees in southern Brazil. Scientia Agricola, Piracicaba, v.76, n.3, p. 220-226, mai.-jun., 2019.

STRONG, D. From Pioneers to Preservationists: a brief history of Sequoia and King Canyon National Parks. Three Rivers: Sequoia Natural History Association, 2000. 60 p.

THOMAS, P. Araucaria angustifolia. In: IUCN 2013. The IUCN Red List of Threatened Species. Disponível em: http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2013-1.RLTS.T32975A2829141.en. Acesso em: 28 set. 2018.

TNG, D. Y. P et al. Giant eucalypts – globally unique fire-adapted rain-forest trees? New Phytologist, Oxford, v. 196, p. 1001-1014, 2012.

VAN PELT, R. Forest giants of the Pacific coast. Seattle: University of Washington Press, 2001. 200 p.

VARTY, N., GUADAGNIN, D.L. Ocotea porosa. In: IUCN 1998. The IUCN Red List of Threatened Species. Disponível em: http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.1998.RLTS.T32978A9739985.en. Acesso em: 28 set. 2018.

VIBRANS, A. C. et al. Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina: Floresta Ombrófila Mista. Blumenau: Edifurb, vol. 3, 2013. 440 p.




DOI: https://doi.org/10.5902/1980509835588

Licença Creative Commons