Banco de sementes do solo em áreas restauradas no sul do estado de Mato Grosso do Sul – MS

Poliana Ferreira da Costa, Zefa Valdivina Pereira, Bruna Souza dos Santos, Shaline Séfara Lopes Fernandes, Caroline Quinhones Fróes, Thiago Oliveira Barbosa

Resumo


O objetivo foi avaliar o banco de sementes de três diferentes áreas em processo de restauração após 12, 13 e 16 anos de implantação, localizadas no estado de Mato Grosso do Sul. Foram coletadas 20 amostras (20 x 20 cm) no interior de cada floresta restaurada em pontos distribuídos ao acaso, a uma profundidade de 0 a 5 cm, considerando-se a serapilheira. Após serem dispostas em bandejas plásticas, as amostras foram irrigadas e monitoradas diariamente por um período de aproximadamente três meses (90 dias). As espécies também foram avaliadas conforme sua síndrome de dispersão, adotando os critérios morfológicos dos frutos como anemocóricas, zoocóricas, e autocóricas, além de serem classificadas quanto à forma de vida e a origem. A diversidade do banco de sementes foi estimada através do índice de diversidade de Shannon (H’) e a Equabilidade de Pielou (J’). Essas análises foram realizadas no programa Fitopac 2.0. Verificou-se, que a composição da comunidade herbácea variou com os locais, sendo a maior densidade de sementes viáveis para esta classe observadas em Ivinhema, onde o banco de sementes foi composto principalmente por ervas espontâneas oriundas de áreas antropizadas do entorno e grande densidade de plântulas da família Poaceae, contando com quatro espécies distintas. Já a área de Jateí apresentou uma alta densidade de plântulas de Cecropia pachystachya Trécul., além de quatro outras espécies arbóreas distintas. A área restaurada de Caarapó apresentou diferentes classes de vegetação e a presença de componentes importantes para sucessão tais como árvores e lianas. Nos três bancos de sementes avaliados houve a presença de espécies arbóreas representando um avanço no processo sucessional de cada área.


Palavras-chave


Restauração ecológica; Indicador de restauração; Processos sucessionais

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DOI: https://doi.org/10.5902/1980509832896

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