ESTRUTURA POPULACIONAL E ESPACIAL DE Cereus jamacaru DC. EM DUAS ÁREAS DE CAATINGA DO AGRESTE DA PARAÍBA, BRASIL

Alex da Silva Barbosa, Alberício Pereira de Andrade, Lécio Resende Pereira Júnior, Riselane de Lucena Alcântara Bruno, Robson Luís Silva de Medeiros, Miguel Avelino Barbosa Neto

Resumo


As cactáceas nativas ainda constituem um grupo de plantas que necessita de estudos sobre sua ocorrência, distribuição e dinâmica para subsidiar ações de manejo e conservação da família na região de inserção. O objetivo deste estudo foi analisar a estrutura e distribuição espacial de Cereus jamacaru DC. em uma mata de cipó (município de Campina Grande) e em uma caatinga arbórea (município de Monteiro)  no semiárido da Paraíba, Brasil. Foram plotadas 100 parcelas com dimensões de 10 m x 10 m em cada área. Dentro das parcelas, todos os indivíduos foram etiquetados e mensurados na circunferência da base do caule com auxílio de uma fita métrica e a altura total com auxílio de tubos de PVC graduados. A estrutura espacial das populações foi obtida pela coleta da coordenada geográfica de cada indivíduo em cada área e expressa por meio de mapas de distribuição espacial. Foram amostrados 39 espécimes em Campina Grande, apresentando área basal (AB) de 0,69 m2, densidade absoluta (DA) de 39 ind. ha-1, frequência absoluta (FA) de 32% e tendência ao agrupamento (IGA=1,01). Em Monteiro, foram amostrados 38 indivíduos, AB = 0,47 m2, DA = 38 ind. ha-1, FA = 29% e tendência ao agrupamento (IGA=1,11). Os indivíduos de C. jamacaru apresentam padrão de distribuição agrupado em ambas as caatingas secundárias, sendo que a população de Monteiro enfrenta problemas de recrutamento, o que poderá implicar no insucesso reprodutivo da população futura. A espécie apresenta padrão de distribuição similar a outras cactáceas colunares.


Palavras-chave


demoecologia; Cactaceae; mandacaru.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509826469

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