Avaliação de sistema australiano de lagoas de estabilização de água no tratamento de lixiviado de aterro sanitário – estudo de caso: Fraiburgo/SC
DOI:
https://doi.org/10.5902/2179460X84819Palavras-chave:
Tratamento biológico, Chorume, DBOResumo
A pesquisa objetivou a avaliação temporal dos parâmetros físico-químicos na eficiência de remoção de carga orgânica do sistema de lagoas de estabilização tipo australiano no tratamento de lixiviado de aterro sanitário, Fraiburgo/SC. A eficiência de remoção média mensal de DBO variou entre 26,8% e 58,0% para setembro e janeiro, e a média anual ficou entre 28,6% e 65,0% para 2014 e 2018, respectivamente. A eficiência média mensal de DQO variou entre 25,0% e 48,3% para setembro e maio, respectivamente, e a média anual apresentou a faixa de 29,8% e 58,6% para 2020 e 2012. A relação DQO/DBO apresentou um valor médio de 2,29 (facilmente degradados biologicamente) e 2,68 (pouco biodegradável) para o lixiviado bruto e tratado. Os valores de pH concentraram-se em torno de 7,1 a 9,0, indicando uma fase metanogênica. Portanto, o lixiviado contém compostos que não são facilmente degradados, como os ácidos húmicos e fúlvicos. Para temperatura do efluente, não teve aparente mudança, com a maior frequência entre 17 e 26 °C. A eficiência de remoção média anual foi de 13,5% a 58,2% para 2019 e 2018. As lagoas de estabilização apresentaram, no geral, baixa eficiência para remoção de carga orgânica, não atingindo valores recomendados pela resolução CONAMA n° 430/2011, que pode ser relacionada à idade do aterro, apresentando baixa biodegradabilidade, tempo de detenção hidráulica, sobrecargas dos sistemas e precipitação local.
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