CONTRATO SOCIAL, CONFLITO E TEORIA DOS JOGOS

Geziela Iensue, Luis Fernando Sgarbossa

Resumo


A concepção filosófica dominante no pensamento político ocidental acerca da emergência das sociedades políticas consiste, sabidamente, no contratualismo. A despeito disso, tais concepções são fortemente ahistóricas e continuam a ser fortemente criticadas por diversas correntes de pensamento, ostentando fragilidades. O presente estudo pretende examinar algumas das teorizações contratualistas em comparação com concepções calcadas no conflito social a partir de modelos da Teoria dos Jogos, valendo-se do método dedutivo, portanto. As conclusões não são triviais. O artigo demonstra que visões acerca do estado de natureza como as sustentadas por diversas vertentes do contratualismo são plausíveis a partir de determinados modelos de jogos aplicados a problemas de ação coletiva. O artigo demonstra, ainda, a plausibilidade de certas concepções contratualistas, a partir da possibilidade de emergência de padrões de cooperação e interação persistentes, independentemente de institucionalização. O artigo pretende demonstrar, por fim, que certas visões baseadas no conflito igualmente podem ser consideradas plausíveis em determinadas circunstâncias a partir de modelizações realizadas com base na Teoria dos Jogos.


Palavras-chave


Conflito; Contratualismo; Estado civil; Estado de natureza; Teoria dos Jogos.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1981369427638

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