A Educação Escolar Indígena é um direito, mas tem que ser do nosso jeito: um diagnóstico crítico sobre a formação de professores indígenas no Amapá e no Norte do Pará
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984644492662Palavras-chave:
Educação Escolar Indígena, Formação de Professores, NeoliberalismoResumo
Este artigo analisa os desafios da formação de professores indígenas no Amapá e no Norte do Pará, em um contexto histórico marcado por tensões entre políticas estatais assimilacionistas e as lutas dos povos originários por uma educação diferenciada, bilíngue e intercultural. A Constituição de 1988 representou um marco legal importante, ao reconhecer os direitos indígenas e prever uma educação específica. Contudo, a implementação dessas políticas permanece fragilizada. Destaca-se, como conquista relevante, a criação da Licenciatura Intercultural Indígena pela Universidade Federal do Amapá, resultado de intensas mobilizações e articulações institucionais. No entanto, a ascensão do ideário neoliberal impôs à educação uma lógica voltada à eficiência e à meritocracia, precarizando o ensino, fragmentando as políticas de formação e enfraquecendo o protagonismo indígena. A pesquisa, de base bibliográfica associada a pesquisa documental, evidencia que as escolas indígenas constituem espaços estratégicos de disputa entre a reprodução da lógica do capital e a afirmação das identidades étnicas. Conclui-se que, apesar dos avanços, persistem entraves estruturais e políticos, sendo fundamental garantir políticas públicas continuadas e valorizar os saberes tradicionais na construção de uma educação verdadeiramente emancipatória e intercultural.
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