“Em troca de um salário que era pouco mais do que nada”: violência sistêmico-simbólica e precarização do trabalho em “Passageiro do fim do dia”, de Rubens Figueiredo

Rafael Lucas Santos da Silva, Marisa Corrêa Silva

Resumo


O artigo propõe uma hipótese de leitura da narrativa Passageiro do Fim do Dia, do escritor Rubens Figueiredo, articulando a taxonomia de manifestações de violência estabelecida pelo filósofo Slavoj Žižek com a compreensão de que o capital financeiro tornou-se fração hegemônica da dinâmica de acumulação capitalista contemporânea, tendo como propósito investigar e explicitar como os procedimentos artísticos da narrativa formalizam esteticamente o processo histórico-social da reestruturação produtiva do capital na dinâmica socioeconômica brasileira contemporânea, no que tange à precarização do trabalho. Desse modo, focaliza-se a personagem Rosane, demonstrando que a violência sistêmico-simbólica presente na narrativa está caracterizada pelas implicações da precarização do trabalho e do fetiche da mercadoria ocasionadas pela atual lógica do capital financeiro.

Palavras-chave


Literatura brasileira contemporânea; precarização do trabalho; violência sistêmica

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