A matéria do homem: a expansão dos limites do “ser” na narrativa de Absalão, Absalão! de William Faulkner

Fábio Antônio Dias Leal

Resumo


O romance Absalão, Absalão! de Willian Faulkner vale-se de recursos narrativos que aproximam a existência de seus personagens, em múltiplos planos narrativos, à materialidade dos textos orais e escritos de que compõem-se as suas memórias. Este trabalho propõe-se a tarefa de refletir sobre o texto como marca humana e extensão do “ser”, com base na narrativa de Faulkner. Para tanto, mencionaremos a questão da autoria e associaremos a ideia do autor morto à escrita tumular, recorrente na obra, para exemplificar a tentativa do homem de sobreviver ao tempo, e nos apoiaremos no pensamento de Henri Bergson que atribui importância ao corpo para a composição da memória em oposição à concepção do cérebro como depósito de memórias. Por fim, consideraremos o esquecimento como forma de escritura e, ainda nos valendo do pensamento de Bergson, que sugere uma matéria contínua, proporemos uma leitura que considera a continuidade universal e inscreve, inclusive, o leitor na narrativa ficcional.

Palavras-chave


William Faulkner; Absalão, Absalão!; Escrita do ser; Indivisibilidade da matéria

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.5902/2176148525096

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