O FANTASMA DO “MONOLINGUISMO” CONTINUA RONDANDO: DIZERES SOBRE A(S) LÍNGUA(S) DO/NO BRASIL E SUJEITO SURDO

Lívia Letícia Belmiro BUSCÁCIO, Angela Correa Ferreira BAALBAKI

Resumo


Tendo em vista os dizeres sobre o sujeito e as línguas no espaço-tempo de comunicação brasileiro, percebe-se que ainda ressoam sentidos em defesa do monolinguismo e, por sua vez, produzindo modos de silenciamento e apagamento (AUROUX, 1992; ORLANDI, 1997). Considerando o funcionamento do nome próprio (PÊCHEUX, 2009; HAROCHE, 1992), nos dedicaremos a analisar dizeres produzidos pelo nome próprio Bolsonaro sobre grupos linguísticos minorizados: em mídia digital, em pronunciamento oficial e no Decreto nº. 9.465/19. Que efeitos de sentido ressoam de um imaginário de cidadão brasileiro filiado a uma unidade de estado nação (ORLANDI, 2002) no dizer do nome próprio Bolsonaro?


Palavras-chave


Educação para surdos; Análise de discurso; História das Ideias Linguísticas; Políticas linguísticas.

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