Ouvintismo estrutural e regimes de normalização linguística: uma análise crítica da produção do sujeito surdo
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984686X95709Palavras-chave:
Ouvintismo estrutural, Normalização linguística, SurdezResumo
Este artigo desenvolve uma análise teórica sobre o conceito de ouvintismo estrutural e sua relação com os regimes de normalização linguística que atravessam a produção de conhecimento sobre linguagem e surdez. Partindo de contribuições da filosofia social e dos estudos críticos da linguagem, especialmente das reflexões foucaultianas sobre normalização, produção de sujeitos e regimes de verdade, o trabalho examina como determinadas teorias linguísticas e práticas educacionais contribuíram historicamente para instituir a audição e a oralidade como parâmetros normativos da linguagem. Nesse contexto, argumenta-se que o ouvintismo estrutural não deve ser compreendido apenas como uma atitude discriminatória dirigida às pessoas surdas, mas como um dispositivo epistemológico e institucional que organiza a forma como a linguagem é concebida, ensinada e avaliada. A partir dessa perspectiva, o artigo discute como tais regimes de normalização participam da produção do sujeito surdo como diferença linguística frequentemente interpretada sob a lógica da deficiência ou do déficit. Conclui-se que a problematização do ouvintismo estrutural permite deslocar o debate da esfera da discriminação individual para a análise das estruturas de produção de saber que sustentam determinadas concepções de linguagem, competência e normalidade linguística, abrindo caminho para abordagens mais sensíveis à diversidade linguística e sensorial.
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