Da ambiguidade discursiva às possibilidades de ação no campo da Educação Inclusiva em Portugal

Robson Celestino Prychodco, Preciosa Fernandes, Zilda Lourenço de Camargo Bittencourt

Resumo


Historicamente, o atendimento de alunos com deficiências e/ou com Necessidades Educativas Especiais (NEE) esteve remetido à respostas amparadas em visões segregacionistas e excludentes (Freitas, 2008). Contudo, uma nova compreensão, alicerçada no reconhecimento e no respeito da diversidade, pôs no centro do debate político e acadêmico propósitos de uma Educação Inclusiva (Ainscow, 2009) requerendo das escolas e professores respostas educativas diferenciadas. Para compreender esta mudança paradigmática recorre-se a uma leitura que relaciona os modelos biomédico, social e biopsicossocial (De Marco, 2006) com os paradigmas educativos da exclusão, integração e inclusão (Sassaki, 2006). Tendo este enquadramento por base, o artigo apresenta um estudo realizado com 12 professoras que trabalham no campo da Educação Inclusiva na região do Grande Porto-Portugal. Trata-se de pesquisa qualitativa que teve como objetivos: identificar as concepções de Educação Inclusiva das professoras e compreender, numa relação com os Modelos Biomédico, Social e Biopsicossocial, quais as possibilidades para concretização dessa filosofia educativa no cotidiano escolar Após a coleta dos dados, que se deu por meio de entrevistas semiestruturadas, os discursos foram transcritos e analisados com suporte do Software Nvivo. Os resultados apontam para uma ambiguidade discursiva que se reflete não apenas nas concepções das professoras relativamente à educação inclusiva, como também, relaciona-se às práticas no campo da intervenção na escola.

Palavras-chave


Escola Inclusiva; Exclusão, integração e inclusão; Modelos Biomédico, Social e Biopsicossocial.

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